sábado, 4 de fevereiro de 2012

CURA INTERIOR DA MENTE





 
Quando falamos de cura interior, falamos de cura da alma. Quando nos convertemos o nosso espírito é vivificado pelo Espírito Santo e é curado da culpa do pecado ( este é o maior milagre de Deus). Está livre para ter comunhão com Deus, mas na nossa alma ficaram feridas, lembranças, traumas, do tempo em que vivíamos na vida de pecado.


É importante descobrirmos várias verdades em nossa vida que precisam ser encaradas e enfrentadas. O Espírito Santo é o Espírito da verdade, ele nos revela quem nós realmente somos.



Tudo que Deus revelar durante este tempo, falhas de caráter, pessoas que você magoou, pecados encobertos, etc. Anote. Seja sincero com você mesmo, conheça a verdade e a verdade te libertará.



Todo homem é espírito, alma e corpo. O corpo é diferente da alma e a alma é diferente do espírito. O espírito humano é o ponto de contato com Deus. É através do espírito que o homem tem consciência de Deus e se relaciona com Ele.


Deus é Espírito e só podemos perceber Deus no espírito. A alma é tudo que o homem é. Sua personalidade. Seu ego. É o mundo dos pensamentos, sentimentos, e decisões. Através da alma o homem tem consciência de si mesmo. O corpo é a forma visível do homem. Com ele o homem se relaciona com o mundo exterior.



Nós não nos conhecemos! Nosso coração é pior do que parece. Sempre agimos pensando em agradar a nós mesmos. Até quando fazemos o bem. É importante reconhecermos que não nos conhecemos para pedirmos a Deus que nos mostre como somos terríveis e enganosos. Deus quer nos dar um coração novo. Não confiemos em nosso coração.


Que nosso coração não nos engane!


Temos vários mecanismos de defesa da velha natureza. Para não termos que enfrentar a verdade essa velha natureza caída destrói certos mecanismos de defesa para se proteger contra a ansiedade e o medo. Nos protegemos e enganamos a nós mesmos a fim de que não tenhamos que mudar.



Alguns mecanismos de defesa:

Negação: Negamos algo, mentimos a respeito, não queremos olhar para o problema, nem discutir a respeito, não admitimos que temos mágoas ou ressentimentos. Escondemos, camuflamos. Construímos muralhas em volta de nossos sentimentos para que ninguém descubra nossos fracassos. Deus sabe tudo. Deus sabe todas as coisas.



Racionalização: Não é tão direto como a negação, não é uma mentira direta. É mais sofisticado, tentamos dar razões que justificam o nosso comportamento, achando justificativas para tudo. “Se você não tivesse começado...” Há duas razões para tudo o que fazemos: Uma boa razão e a verdadeira. Nós não enganamos aos outros, mas a nós mesmos.



Projeção: É o pior de todos, avançamos um pouco mais no engano, culpamos os outros pelos nossos problemas. Projetamos nos outros os nossos defeitos. Dizemos que o problema é deles. Finalmente culpamos a Deus. Transferimos nossos problemas para alguém, achamos um bode expiatório. Para andar com Deus precisamos aprender a andar na verdade.


Nos sentimos confusos por não conseguir determinar a causa dos nossos conflitos e sentimentos, tais como: medo, mágoa, ira, culpa, vergonha, ansiedade, etc. Isto nos faz sentir mais culpados ainda, e não conseguimos ter um relacionamento sadio e específico com Deus. Ficamos como que em um nevoeiro.



Precisamos descobrir qual o ponto da necessidade específica, perceber qual é o verdadeiro problema a fim de tratarmos com ele. Não podemos confessar a Deus o que não reconhecemos para nós mesmos. Fazemos confissões generalizadas, damos e recebemos perdão também de maneira generalizada e acabamos tendo um relacionamento nebulosos, indistinto, generalizado com Deus.. Temos que dar nomes aos bois.


Única maneira de enfrentar as mentiras é enfrentando a verdade. Não há cura enquanto não enfrentarmos a verdade. O Espírito Santo que habita em cada um de nós nos conduzirá a toda verdade. Se você não for honesto e não enfrentar a verdade tratar com a raiz do problema, você vai buscar mecanismos para esconder seu problema, como: drogas, álcool, sexo, etc.


COMO OBTER CURA INTERIOR:



1. Crer que Deus pode nos curar: Crer no amor e no poder de Deus. Crer na obra de Jesus. Ele é o autor e consumador da nossa fé.



2. Reconhecer que precisamos de cura: O pior doente é aquele que não se acha doente. Precisamos enfrentar a verdade. Ser específicos com Deus e conosco. Admitir nossos fracassos e tratar de frente. Reconhecer que estamos feridos. Que ferimos outras pessoas. Se dispor para Deus. É certo que muitos ferimentos podem sarar com o tempo.


Se a mente puder suportar conscientemente a dor quando esta se manifesta, com o passar do tempo a intensidade da lembrança pessoal irá diminuir. Haverá ainda a dor da recordação, mas perfeitamente suportável. O tempo pode curar todas as lembranças ( memórias) penosas não reprimidas e não infeccionadas. O que não pode ser enfrentado e suportado é negado.



3. Confiar nas pessoas que nos ministram, que podem nos ajudar. Ser transparentes e sinceros: No mundo não é prudente abrir nossos problemas com as pessoas. Mas no reino de Deus, Ele usa os irmãos para nos ajudar. Rasgar o coração: Aí vem o conselho de Deus nas nossas vidas.



4. Localizar a raiz dos problemas: Muitos dos nossos problemas são apenas galhos ou conseqüências de algo mais profundo. Se formos bem sinceros com Deus e conosco mesmo, saberemos de onde vem nossos problemas. Não tratar apenas com atos, mas com as atitudes.



5. Quebrar toda maldição e jugo satânico: Através da oração, rejeitar em nome de Jesus todo domínio satânico sobre sua vida.


ÁREAS QUE PRECISAM DE CURA: MENTE, VONTADE E EMOÇÕES


1. MENTE


Sede da alma ? Intelecto, pensamentos, memórias. Deus deu a capacidade para o homem pensar, raciocinar, refletir, criar. Com a queda do homem a mente foi canalizada para o mal. A mente foi corrompida por causa do pecado. A mente é um campo de batalha, nela alcançamos vitória ou derrota. É tão importante que foi o primeiro alvo de Satanás:


Através da imagem e pensamentos. A imagem gera pensamentos. O pensamento gera sentimentos. O sentimento gera uma ação ou reação. Os especialistas em propaganda dizem que se você despertar a emoção de um cliente com relação a um produto, ele já está 90% vendido. Esta sempre será a estratégia do diabo. Com imagens e pensamentos ele traz angústia, medo, insegurança, depressão, mágoa, ressentimento, rebeldia, pecado, etc.



É na mente que estão os elementos básicos para Satanás destruir um homem: imagens e pensamentos ( lembranças, traumas). Estas imagens serão sempre geradas no reino físico e os pensamentos serão misturados com engano, um pouco de verdade e um pouco de erro (distorção de valores).



Satanás quer enganar ao homem quanto:
Ao caráter de Deus ( Imagem distorcida de Deus)



Quanto a si mesmo ( Baixa estima, viver se enganando)



Quanto a seus semelhantes ( Intrigas, ressentimentos)



Quanto a ele mesmo – Satanás ( fazer pensar que ele não é tão mau. Não existe)
Há duas pessoas disputando a nossa mente:



Uma do lado de dentro – o Espírito Santo

Uma do lado de fora – Satanás
O Espírito Santo habita no seu espírito e quer levar sua mente a ser cativa de Cristo, a submeter-se a Deus. Ele não obriga, não invade sem permissão, não constrange.



Satanás usará todo tipo de sutileza para dominá-la e utilizá-la para o mal. Seu objetivo principal é a distorção da verdade de Deus. O deus deste século cegou-lhes o entendimento. A mente é sua e você tem autoridade sobre ela. Você determina que tipos de pensamentos e imagens serão abrigados nela. “Não posso impedir que os pássaros voem sobre a minha cabeça, mas posso impedir que façam ninho sobre ela”. A Palavra de Deus sempre apela para renovarmos nossa mente ( Rm 12,2; Fil 4,8).



É na mente que estão arquivadas todas as nossas lembranças, boas e ruins. É na mente que estão alojadas as maiores fortalezas ( complexos). É na mente que atuam vários tipos de espíritos.


ALGUNS TIPOS DE ESPÍRITOS QUE OPERAM NA MENTE:
ORGULHO, INCREDULIDADE, REBELIÃO, AMARGURA, CRÍTICA, INFERIORIDADE, CIÚME, SUSPEITA, FRACASSO, COMPETIÇÃO, SENTIMENTO DE CULPA, DÚVIDA, AUTO-CONDENAÇÃO, REJEIÇÃO, RESSENTIMENTO, INSEGURANÇA, AUTO-PIEDADE, TIMIDEZ, FANTASIA, DEPRESSÃO, CONFUSÃO, ENGANO, MENTIRA, ÓDIO, MEDO DE NÃO SER APROVADO.


Quando chegamos para o reino de Deus trazemos muito lixo mental, e agora precisamos: Ajustar nossos pensamentos com os pensamentos de Deus ( Is 55,8-9); Precisamos ter a mente de Cristo. Santa. Pura; Ter a mente renovada pela Palavra ( Rm 12,2).



Tudo o que fazemos e dizemos é reflexo do que está em nossa mente. Nossas decisões e atitudes estão refletindo o que ali se estabeleceu. Nossa mente é como um computador, só sai o que entrou, como um programa. A fonte que alimenta a mente deve mudar. Se alimentar com a palavra de Deus ( reprogramar).


Características dos maus espíritos que atuam na mente:

Os pensamentos de maus espíritos invadem, vem de fora para dentro. Entrando pela porta da mente. Pensamentos alheios a nossa escolha ou controle. Entram sem avisar ( sugestão). É preciso rejeitar pelo exercício da vontade.



Os espíritos demoníacos forçam, empurram, coagem o homem a agir imediatamente. Algo repentino, como: atire-se pela janela, porque não joga o carro contra o outro. O Espírito Santo não obriga.



Causam confusão mental, seus pensamentos se confundem, paralisando a mente e fazem com que a pessoa não pense de modo claro. O branco na mente é sintoma de uma influência estranha..


TUDO ISTO TEM UM OBJETIVO: CONTROLE DA MENTE


Faça um momento de oração em línguas preparando o momento para a ação do Espírito Santo. Peça para que as pessoas fiquem de duas em duas para orarem uma pela outra abrindo-se às moções do Espírito Santo.


Faça uma oração de renúncia às imagens e pensamentos que atormetam a mente, como imagens distorcidas de Deus, baixa estima, viver se enganando, intrigas, ressentimentos, orgulho, incredulidade, rebelião, amargura, crítica, inferioridade, ciúme, suspeita, fracasso, competição, sentimento de culpa, dúvida, auto-condenação, rejeição, insegurança, auto-piedade, timidez, fantasia, depressão, confusão, engano, mentira, ódio, medo de não ser aprovado e tudo aquilo que o Espírito Santo revelar. Termine com uma oração de consagração a Maria.


Fonte: Comshalom

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O que é ser Santo



... Paulo II: mensagem da CNBB. “Deus nos chamou à santidade” (1 Ts 4,7)






Escreve São Pedro Apóstolo: “Como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos também santos em todo o vosso comportamento, porque está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pd 1, 15. 16).


Santo Agostinho de Hipona na homilia para a festa de todos os santos, assim declarou: “Se eles e elas chegaram a ser santos, porque não posso eu também?”.


Santa Teresinha do Menino Jesus desde menina sonhava “em ser santa e uma grande santa”, e o foi.
Realmente, Santa Teresinha é de fato e de verdade uma grande santa, conhecida no mundo inteiro. Ela é queridíssima e sapientíssima Doutora da Igreja, padroeira das missões, dos floristas e aviadores.


Deixou-nos o seu testamento espiritual no livro autobiográfico: História de uma alma. Este é um dos livros mais lido depois da Bíblia Sagrada.


Ela disse: “Quero passar meu céu fazendo o bem sobre a terra”.


A primeira santa da Índia, santa Alfonsa da Imaculada Conceição dizia desde criança: “Quero ser santa como santa Teresinha do Menino Jesus”.


Santa Alfonsa foi canonizada no dia 12 de outubro de 2008, pelo Papa Bento XVI, na Praça de São Pedro, no Vaticano.


Seu lema era: “Consumir-se como uma vela para iluminar os outros”.


AFINAL O QUE É SER SANTO?


.É aquele que ama a Deus, a si mesmo e ao próximo (Mt 22, 37-39).
.É aquele que guarda os mandamentos do bom Deus (Mt 19, 17).
.É aquele que tem a alma lavada no sangue de Jesus Cristo (2 Cor 7, 1; 1 Jo 1, 7. 9).
.É aquele que vive separado das coisas mundanas e vive unido pela graça para o serviço do Reino de Deus (Lc 9, 57-62; 1 Jo 2, 15-17).


A santidade está na dimensão do amor. Deus é amor. Grandes companheiros da santidade: o amor, a fé, a esperança, a verdade, o perdão e a graça.


No amor, tudo é dinâmico na novidade do Espírito Santo e tudo é novo para o progresso da santidade. As coisas velhas, as trevas e o passado de morte, ficaram apagados para sempre.


Caminhamos na luz de Cristo para cidade da luz eterna (Ap 22, 5). Desde o nosso batismo brilha a nossa veste branca, a nossa vela e a nossa vida. Pelo batismo e em Cristo nós somos santificados (Rm 6, 1-4; 1 Cor 1, 2).


São Maximiliano Kolbe afirmou: “O santo vai sempre para frente, sem ligar para o próprio estado de saúde ou a idade; pelo contrário, as doenças e as aflições se tornam para ele uma escada para uma maior perfeição; no seu fogo ele se purifica como o ouro”.


Ser santo é viver a fortaleza do corpo, da alma e do espírito no alimento do Pão Eucarístico.
Ser Santo é amar o Cristo, A Igreja, o Céu, o pecador e o diferente.
Não pode haver maior desejo no coração do cristão do que o de ser santo.


O método mais eficaz para evangelização e a resposta radical para o mundo em franca decadência é a nossa santificação.


A santidade é a maior pregação e o maior testemunho da vida cristã. Não existe refutação para essas duas práticas.


Ser santo é ser feliz. A meta do santo é contemplar para sempre a face do bom Deus.
Sabemos que o século XXI, será o século abissal dos eremitas, dos místicos e dos santos. O meu desejo é que esse artigo faça com que o amado leitor esteja dentro desse maravilhoso contexto.


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por Pe. Inácio José do Vale, Professor de História da Igreja - Faculdade de Teologia de Volta Redonda

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

A importância da maturidade afetiva na vida a dois‏

 
 


shalomA importância da maturidade afetiva na vida a dois

2011-06-25 07:27:00
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Nos dias atuais em que existe um verdadeiro culto ao egocentrismo e ao hedonismo, constatamos um número cada vez maior de separações, apesar de crescer o número de casamentos. Dom Rafael Llano Cifuentes faz uma excelente reflexão sobre a importância da maturidade afetiva para a manutenção da união conjugal feliz. Apresentamos na íntegra, o seu artigo sobre o tema, uma vez que traz um conteúdo muito rico para os casais.


A afetividade não está, por assim dizer, encerrada no coração, nos sentimentos, mas permeia toda a personalidade. Estamos continuamente sentindo aquilo que pensamos e fazemos. Por isso, qualquer distúrbio da vida afetiva acaba por impedir ou, pelo menos, entravar o amadurecimento da personalidade como um todo.


Observamos isso claramente no fenômeno de “fixação na adolescência” ou na “adolescência retardada”. O adolescente caracteriza-se por uma afetividade egocêntrica e instável; essa característica, quando não superada na natural evolução da personalidade, pode sofrer uma “fixação”, permanecendo no adulto: este é um dos sintomas da imaturidade afetiva.


É significativo verificar como essa imaturidade parece ser uma característica da atual geração. No nosso mundo altamente técnico e cheio de avanços científicos, pouco se tem progredido no conhecimento das profundezas do coração, e daí resulta aquilo que Alexis Carrel, prêmio Nobel de Medicina, apontava no seu célebre trabalho O homem, esse desconhecido: vivemos hoje o drama de um desnível gritante entre o fabuloso progresso técnico e científico e a imaturidade quase infantil no que diz respeito aos sentimentos humanos.


Mesmo em pessoas de alto nível intelectual, ocorre um autêntico analfabetismo afetivo: são indivíduos truncados, incompletos, malformados, imaturos; estão preparados para trabalhar de forma eficiente, mas são absolutamente incapazes de amar. Esta desproporção tem consequências devastadoras: basta reparar na facilidade com que as pessoas se casam e se “descasam”, “juntam”-se e se separam. Dão a impressão de reparar apenas na camada epidérmica do amor e de não aprofundar nos valores do coração humano e nas leis do verdadeiro amor.


Quais são, então, os valores do verdadeiro amor? Que significado tem essa palavra? O amor, na realidade, tem um significado polivalente, tão difícil de definir, que já houve quem dissesse que o amor é aquilo que se sente quando se ama, e, se perguntássemos o que se sente quando se ama, só seria possível responder simplesmente: “Amor”. Este círculo vicioso deve-se ao que o insigne médico e pensador Gregório Marañon descrevia com precisão: “O amor é algo muito complexo e variado; chama-se amor a muitas coisas que são muito diferentes, mesmo que a sua raiz seja a mesma”.


A imaturidade no amor


Hoje, considera-se a satisfação sexual autocentrada como a expressão mais importante do amor. Não o entendia assim o pensamento clássico, que considerava o amor da mãe pelos filhos como o paradigma de todos os tipos de amor: o amor que prefere o bem da pessoa amada ao próprio. Este conceito, perpassando os séculos, permitiu que até um pensador como Hegel, que tem pouco de cristão, afirmasse que “a verdadeira essência do amor consiste em esquecer-se no outro”.


Bem diferente é o conceito de amor que se cultua na nossa época. Parece que se retrocedeu a uma espécie de adolescência da humanidade, no qual o que mais conta é o prazer. Esse fenômeno tem inúmeras manifestações. Referir-nos-emos apenas a algumas delas:


- Edifica-se a vida sentimental sobre uma base pouco sólida: confunde-se amor com namoricos, atração sexual com enamoramento profundo. Todos conhecemos algum “Don Juan”: um mestre na arte de conquistar e um fracassado à hora da abnegação que todo o amor exige. Incapazes de um amor maduro, essas pessoas nunca chegam a assimilar aquilo que afirmava Montesquieu: “É mais fácil conquistar do que manter a conquista”.


- Diviniza-se o amor: “A pessoa imatura – escreve Enrique Rojas – idealiza a vida afetiva e exalta o amor conjugal como algo extraordinário e maravilhoso. Isto constitui um erro, porque não aprofunda na análise. O amor é uma tarefa esforçada de melhora pessoal, durante a qual se burilam os defeitos próprios e os que afetam o outro cônjuge [...]. A pessoa imatura converte o outro num absoluto. Isto costuma pagar-se caro. É natural que ao longo do namoro exista um deslumbramento que impede de reparar na realidade, fenômeno que Ortega y Gasset designou por “doença da atenção”, mas também é verdade que o difícil convívio diário coloca cada qual no seu lugar; a verdade aflora sem máscaras, e, à medida que se desenvolve a vida ordinária, vai aparecendo a imagem real” (E. Rojas).


- No imaturo, o amor fica “cristalizado”, como diz Stendhal, nessa fase de deslumbramento, e não aprofunda na “versão real” que o convívio conjugal vai desvendando. Quando o amor é profundo, as divergências que se descobrem acabam por superar-se; quando é superficial, por ser imaturo, provocam conflitos e frequentemente rupturas.


- A pessoa afetivamente imatura desconhece que os sentimentos não são estáticos, mas dinâmicos. São suscetíveis de melhora e devem ser cultivados no viver quotidiano. São como plantas delicadas que precisam ser regadas diariamente. “O amor inteligente exige o cuidado dos detalhes pequenos e uma alta porcentagem de artesanato psicológico” (E. Rojas). A pessoa consciente, madura, sabe que o amor se constrói dia após dia, lutando por corrigir defeitos, contornar dificuldades, evitar atritos e manifestar sempre afeição e carinho.


- Os imaturos querem antes receber do que dar. Quem é imaturo quer que todos sejam como uma peça integrante da máquina da sua felicidade. Ama somente para que os outros o realizem. Amar para ele é uma forma de satisfazer uma necessidade afetiva, sexual, ou uma forma de autoafirmação. O amor acaba por tornar-se uma espécie de “grude” que prende os outros ao próprio “eu” para completá-lo ou engrandecê-lo.


Mas esse amor, que não deixa de ser uma forma transferida de egoísmo, desemboca na frustração e procura cada vez mais atrair os outros para si, e os outros vão progressivamente afastando-se dele. Acaba abandonado por todos, porque ninguém quer submeter-se ao seu pegajoso egocentrismo; ninguém quer ser apenas um instrumento da felicidade alheia.


Reciprocidade
Os sentimentos são caminhos de ida e volta; deve haver reciprocidade. A pessoa imatura acaba sempre se queixando da solidão que ela mesma provocou por falta de espírito de renúncia. A nossa sociedade esqueceu quase tudo sobre o que é o amor. Como diz Enrique Rojas: Não há felicidade se não há amor e não há amor sem renúncia. Um segmento essencial da afetividade está tecido de sacrifício. Algo que não está na moda, que não é popular, mas que acaba por ser fundamental”.


Há pouco, um amigo, professor de uma Faculdade de Jornalismo, referiu-me um episódio relacionado com seu primo – extremamente egoísta – que se tinha casado e separado três vezes. No cartão de Natal, após desejar-lhe boas festas, esse professor perguntou-lhe em que situação afetiva se encontrava. Recebeu uma resposta chocante: “Assino eu e a minha gata. Como ela não sabe assinar, o faz estampando a sua pata no cartão: são as suas marcas digitais. Este animalzinho é o único que quer permanecer ao meu lado. É o único que me ama”.


O imaturo pretende introduzir o outro no seu projeto pessoal de vida, ao invés de tentar contribuir com o outro num projeto construído em comum.  A felicidade do cônjuge, da família e dos filhos: esse é o projeto comum do verdadeiro amor. As pessoas imaturas não compreendem que a dedicação aos filhos constitui um fator importante para a estabilidade afetiva dos pais. Também não assimilaram a ideia de que, para se realizarem a si mesmos, têm de empenhar-se na realização do cônjuge. Quem não é solidário termina solitário, ou juntando-se a uma “gatinha”, seja de que espécie for.


Fonte: Comunidade Shalom

As características da personalidade madura

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shalom
1. A segurança emotiva e a percepção realística de si mesmo (auto aceitação)



Indica a capacidade de suportar a frustração, de modo que os estados emotivos não interfiram nos seus atos nem interfiram no bem estar dos outros. Os impulsos emotivos (da agressividade e da sexualidade) são assumidos, integrados e nunca reprimidos.
 
Assim se fará um bom uso destas importantes energias impulsionadoras do crescimento do indivíduo. Esse processo é feito sem grandes perturbações. As frustrações são bem trabalhadas. Os conflitos e tensões, mesmo presentes, não são determinantes e não impedem o desenvolvimento de um autêntico senso de segurança e confiança. A segurança emotiva não consiste apenas na capacidade da suportação das frustrações, mas também na capacidade de trabalhá-las, ou seja, canalizar as energias emotivas para uma causa nobre e não para um perigoso processo de auto destruição.


Possui o senso da proporção das coisas, sabendo correr riscos razoáveis à luz do bom senso, onde a cautela e a prudência caminham lado a lado com a prevenção de expressões de pânico ou de dramatizações exageradas das diversas situações.


É um alguém capaz de exprimir o próprio pensamento, os sentimentos e convicções sem se sentir ameaçado ou sob o efeito do complexo de culpa. O ponto de vista dos outros na sua diferença e peculiaridade não o inibe nem lhe tolhe a liberdade de se exprimir com responsabilidade e no desejo de acertar e ajudar os outros. Sabe respeitar e levar na devida consideração a opinião e os sentimentos dos outros. Por isso, não se sente o dono da verdade nem se apresenta como um oportunista manipulador da opinião da maioria em prol dos próprios interesses. Suas intervenções são sinceras e se fundamentam na sincera busca do bem comum.


Sem perder a força propulsora dos grandes ideais que impulsionam a própria vida, a pessoa é realista e não dramatiza as situações ou experiências desagradáveis. Procura desenvolver um auto controle que não lhe permita de viver ao sabor das variações emotivas ou das imaturidades ou descontroles dos outros. O seu comportamento, substancialmente, não é reativo, mas pró-ativo, ou seja não são os impulsos emotivos imediatos que condicionam a ação a ser tomada, mas os princípios comportamentais que se considera como verdadeiros valores.


Sua vida é marcada pela graça do momento presente. Por isso, não vive o saudosismo improdutivo e paralisante do passado, nem se perde em vãs expectativas ou exagerada preocupação com o futuro. Nem muito menos vive num presentismo onde a vida parece condicionada e fixada no agora, constituído por momentos isolados, desconexos, sem sentido. As raízes profundas fixadas na salutar tradição do passado, com toda a grande riqueza de suas sapienciais heranças.
 
O futuro suscitará antenas sensíveis, para captar os sinais dos tempos, de modo a não faltar uma bem compreendida preparação para o mesmo. Deste modo, a capacidade de programação será um poderoso preventivo para toda espécie de improvisação e de paliativos de última hora. Este mesmo momento presente, vivido intensamente, é também marcado pelo senso do realismo e por uma inteligente capacidade de adaptação às condições climáticas, geográficas, culturais, sociais, políticas e econômicas.
 
Sem deixar de ser ele mesmo, saberá sensatamente adaptar-se às pessoas na sua diversidade, limites e valores. Saberá tirar proveito disso, mas sem manipular as coisas conforme as próprias conveniências. As respectivas exigências destas condições (do ambiente e das pessoas) são harmonizadas com as necessidades do indivíduo. O fato de estar numa determinada situação faz com que a realidade seja assumida assim como ela se apresenta, tentando de transformar o que for possível e assumir integrando na própria personalidade o que não é possível transformar.


Conviverá sem dramas com aqueles problemas que efetivamente ou momentaneamente não apresentam solução satisfatória. Não é um alguém que passa todo o tempo a se lamentar com expressões tais como: “deveria ser assim, ah se eu estivesse com outra pessoa ou noutro clima, ou noutra congregação, ou noutra vocação a situação seria melhor”, etc.
 
Noutras palavras, a pessoa não vive de fantasias, de ilusões, mas a partir da realidade tenta nela encarnar os valores que acredita. Tudo isso, portanto, não significa que haja uma adaptação ou uma adequação passiva do indivíduo ao ambiente como se ele fosse um fruto do meio ou um consumidor parasitário do que lhe é oferecido ou imposto. O comportamento maduro nunca comportará atitudes masoquistas ou marcadas pelo vitimismo. Por isso, marcada por um comportamento resignado e apático, a pessoa imatura sente dificuldade na sua auto superação rumo a níveis mais altos de qualidade de vida, de amadurecimento e de efetivo crescimento.


Ao nível de inconsciente, quando não estamos atentos e inseridos no auto-conhecimento, nós colocamos sobre a nossa identidade as máscaras das quais os atores gregos faziam uso, quando representavam nas tragédias e interpretavam os vários personagens nas peças de teatro.
 
Conforme era a máscara, da mesma forma era a voz e o comportamento. Aquele alguém interpretado não era o mesmo que o interpretava. Quando o senso da verdade de quem somos não é claro ou atuante, colocamos a máscara nas nossas atitudes para corresponder às expectativas dos outros, especialmente das pessoas significativas. Vem à tona este duplo aspecto: o que os outros esperam de mim e aquilo que eu quero apresentar de mim mesmo aos outros.
 
A imagem que o indivíduo quer apresentar de si mesmo é o que tantas vezes prevalece. Se esse desejo de agradar for exagerado, ele acabará sendo um alguém não somente fragilizado, como também condicionado por uma variedade de identidades. Essa duplicidade ou multiplicidade de personalidades, atuadas conforme o momento ou a conveniência, gerará um terrível desgaste psicológico (com repercussões físicas e espirituais) gerando, assim, um notável desperdício de energia psíquica.
 
Certos comportamentos trazem em si o desejo de externar uma boa imagem de si: o esforço de mostrar aos outros, o que se é capaz de fazer, tendo por alvo aumentar a credibilidade e por conseguinte reforçar a auto-estima. O problema é que, quando as coisas começam a andar mal ou quando surgem as contradições e a vida com suas aparências sofrem riscos, a verdadeira realidade que estava submersa ou camuflada vem à baila; e se desmascara a mesma realidade que se tentou esconder.


Porém, como a pessoa ideal não existe e o mito do super-homem ou da mulher maravilha é uma tola ilusão, os limites ou os condicionamentos que estão por trás de certos comportamentos hão de aparecer talvez através de desagradáveis surpresas. Por isso, a segurança emotiva significa também reconhecer os próprios limites, assumi-los com humildade e realismo, importa integrar as sombras, ou seja os elementos negativos da personalidade.
 
Negá-los, camuflá-los, encobri-los poderá gerar uma ilusão desgastante e nociva para a alegria e a serenidade. Manter algo encoberto, sob a pressão implacável do medo nunca há de ser algo positivo. É bem verdade, que, para quem tem valores morais e éticos, e neles acredita, nunca deve desistir de vivê-los, nem deve, erroneamente, em nome da sinceridade, abraçar ou simplesmente viver em conformidade com os próprios impulsos ou as próprias inclinações quando estas revelarem contra-valores na sua forma de expressão.
 
Esse senso da realidade levará a comportamentos equilibrados, balanceados e isento de destemperos, iluminado pelos ditames da razão e transfigurado pela fé. Portanto, nem o fracasso deprime, nem o triunfo leva a euforia.


A pessoa madura não idealiza as demais pessoas. Haverá de encará-las na sua realidade: podem errar de tantas formas e por tantos motivos conhecidos ou encobertos. Deste modo se evitará exigir dos outros aquilo que os outros efetivamente não podem oferecer.


Algumas limitações psicológicas ao nível de insegurança, como a rejeição de toda responsabilidade não deve ser considerada como virtude, mas fuga que nasce de um complexo de inferioridade. Certos medos de se expor ou medos de assumir certos riscos ou a fuga ao enfrentar alguns tipos de problemas pode revelar não tanto humildade, mas imaturidade.
 
A meta de quem se comporta assim é manter-se numa tranqüilidade passiva, compreendida como fuga dos problemas, fuga obsessiva dos conflitos para salvaguardar uma dependência que a impeça de decidir e de pensar com a própria cabeça, assumindo as responsabilidades da decisão tomada.
 
O cuidado obsessivo de não turvar as águas, de não levantar poeira que leva à manutenção de uma «paz de cemitério», mesmo quando a verdade e o bem maior estejam em jogo, pode revelar um perigoso descaso e um comportamento infantil.
 
Talvez se entenda como é perigoso este quadro de religiosos, consagrados e cristãos leigos que buscam na vida comunitária do matrimônio ou da vida consagrada um doce refúgio, um ninho acolhedor para esconder seus medos, seus traumas e recalques bem como acomodar sua frágil personalidade num lugar longe dos conflitos ou desafios desgastantes.
 
O mesmo princípio se pode aplicar no caso de pessoas que procuram a solidão ou o isolamento não por motivações nobres tais como a oração, a contemplação, a atividade intelectual, mas simplesmente para não enfrentar os desgastes e as exigências da convivência com os outros. E este fenômeno tem sido muito comum nos últimos tempos (não querer partilhar o próprio espaço físico, os próprios bens, as próprias idéias e sobretudo a própria vida).


Concluindo...


Parece desafiante e exigente este projeto de maturidade. Talvez, por isso mesmo ele seja bom. Afinal, maturidade não se alcança dando saltos mágicos, mas dando passos, pacientemente, insistentemente. Os desafios serão sempre uma fonte inexaurível de crescimento e de estímulos para melhorar. Basta acreditar e investir.



BOX:

1- “Quando não estamos atentos e inseridos no auto-conhecimento nós colocamos máscaras sobre nossa identidade”.

2- “A pessoa madura não idealiza as demais pessoas”.

3- “Maturidade não se alcança dando saltos mágicos, mas dano passos, pacientemente, insistentemente”.



Pe. Antônio Marcos Chagas

Comunidade de Aliança Shalom
Fonte: Comshalom

A graça do autoconhecimento



shalomFonte: comshalom

- Certo dia, um sacerdote fazia a algumas pessoas uma pergunta que me persegue há quase três anos: “O que mais tem te cansado?” Hoje, faço esta pergunta a você: “O que te cansa? O que tem te estressado? O que tem te tirado, às vezes, a esperança? O que tem te deprimido?” Alguém poderia dizer: “Tenho de cuidar de minha sogra; ela mora comigo e está doente. Estou tão cansado de cuidar dela”.
 
Outro poderá dizer: “O que me cansa é meu marido, que bebe; é o meu filho, que não estuda ou é drogado”. Somos levados a dizer que todas essas coisas nos têm cansado. Mas, quero dizer uma coisa muito importante: somos nós mesmos que nos cansamos. O que nos cansa, o que nos estressa são as constantes lutas que temos dentro de nós mesmos. Daí, a importância do autoconhecimento.
 
À medida que vamos nos conhecendo e, mais do que isso, nos aceitando, nossa vida vai sendo tomada de serenidade, paz e fecundidade muito grande.



Tu me conheces e sabes tudo de mim


Eu gostaria de pegar dois trechos da Palavra de Deus para que pudéssemos realmente entender porque nos cansamos. Cansamo-nos por causa de nós mesmos. O primeiro ponto está em Gênesis (3,9-10), quando Deus, diariamente, ia tomar o café ou o chá da tarde com Adão e Eva e, um dia, Ele chegou e fez essa pergunta: “Onde estás? Tu, que vinhas correndo todos os dias para me ver, para estar comigo, onde estás agora?
 
Por que não corres?” O que Adão responde: “Ouvi o barulho de teus passos, tive medo, porque estou nu e ocultei-me”. Aqui está a razão de nosso cansaço constante: “Tive medo do barulho dos Teus passos e, porque estou nu, escondi-me”. Aqui está todo o trabalho do autoconhecimento sob esses três aspectos: a malícia, a mentira e a insegurança. Isso traz a origem do desequilíbrio de nossa identidade.


O segundo ponto é o Salmo 138: “Tu me perscrutas, Senhor, e me conheces”. Tu sabes tudo de mim: quando me sento, quando me levanto, quando a palavra ainda não me chegou à boca, tu já a conheces toda. Mesmo que eu quisesse fugir de ti e entrasse no mais profundo dos abismos ou no alto das montanhas, tu estarias lá”.
 
Aqui vêm duas coisas lindíssimas em relação ao autoconhecimento: “Tu me conheces e sabes tudo de mim”. Por isso, a chave está em lançar-se nos braços daquele que sabe tudo de mim e que me conhece. A eterna perseguição amorosa de Deus para conosco, dizendo: “Mesmo que tu chegues ao mais profundo das depressões, lá me encontrarás. Se tu quiseres fugir de mim, indo para as mais altas montanhas, eu lá te encontro e persigo”. Aqui está a paixão e o amor de Deus para conosco, que nos leva a ter confiança: “Tu me conheces e sabes tudo de mim”.



As visões
Também, quero falar da importância das visões, das imagens, que nós, da Renovação e da espiritualidade carismática temos, que é a maior forma de Deus falar conosco. Há dois anos atrás, eu fazia um retiro de escuta para nossa Comunidade, e pedia ao Senhor, diante do Sacrário, que desse um presente a cada membro. Fui vendo os presentes que Jesus estava dando a cada um e, a mim, Ele deu uma melancia.
 
Peguei a melancia, mas disse: “Senhor, o que vou fazer com uma melancia?” E fiquei questionando sobre o que aquela imagem significava. Depois, senti-me como uma grande tartaruga. E, por muito tempo, questionei-me acerca dessas duas imagens. Perguntei a Maria o que isso significava. Ela respondeu-me: “Maria Francisca, tu tens o casco da tartaruga, sempre estás na defensiva por causa das tuas feridas, e quando alguém chega perto e te machuca a patinha ou a cabeça, tu entras na tua defesa e ficas ali.
 
Mas esse é um tempo novo em tua vida, Jesus não quer que sejas mais assim; Ele quer que sejas como uma melancia, que qualquer faca pode cortar, e que dentro tem um suco doce, abundante e muitas sementes. O meu Filho te quer assim”. Então, eu disse: “Eu não sei me transformar de tartaruga em melancia, mas isso é um problema para Deus mesmo resolver”.


Nós que somos da Renovação, temos o privilégio de guardar as imagens, os sonhos e dizer: “Senhor, quero saber, fala-me, explica-me, traduz-me”, porque aqui está a maior fonte do autoconhecimento.

Eu ouvia falar muito do Amor de Deus, mas era a palestra que eu nunca queria dar no Seminário de Vida no Espírito. Eu dizia: “Eu sei desse Amor, mas não o experimento. Como posso falar do que não experimento?”
 
Quando estava grávida do Lucas, meu sexto filho, eu disse: “Tudo bem, Pai, talvez eu nunca experimente o teu Amor, mas este filho que estou gerando, eu te suplico, que ele seja o maior apóstolo do teu Amor”. E chorava muito por não acreditar que, um dia, eu fosse experimentar o Amor de Deus, pois há tantos anos pregava sobre o amor de Deus e ainda não o havia experimentado. Nós não podemos mais resistir a Paternidade de Deus. E hoje, a cada dia, eu estou mais apaixonada pelo Amor de Deus e tenho lhe dito: “Eu só quero uma coisa: fazer-te rir; quero te agradar”.
 
Quando estou com uma pessoa que está triste, até que ela esboce um sorriso, não paro de fazer isso ou aquilo para alegrá-la. Sou assim com meu esposo, faço-me, às vezes, de Ofélia, até ele dizer: “Meu Deus, não pode ser”, e começar a rir. Então, quero ser assim com o Senhor também.


É importantíssimo, é fundamental, o entendimento deste “Eu te conheço”, para que possamos aceitar a montanha imunda que caiu sobre nós de malícia, de insegurança e de mentira. Um dia, eu disse a Deus: “Errei de novo, não tenho mais coragem de te olhar, porque errei de novo”.
 
Então, Ele deu-me a imagem de uma criança de seis ou sete meses que, há pouco haviam trocado a fralda e ela novamente a sujara E essa criança era eu. E disse a Deus: “Sujei-me de novo e, rapidamente, Ele pegou-me no colo e trocou-me as fraldas. Então, a cada dia, eu digo: “Como consegue viver aquele que não conhece o Senhor?” Por isso, amados, é importante a confiança no conhecer-se e no aceitar-se.


Há uma outra historinha muito interessante sobre dois vasos: Um monge ia todos os dias à fonte, enchê-los de água, e um sempre chegava ao convento pela metade, porque estava rachadinho; o outro chegava sempre cheio. Um dia, depois de muito sofrimento desse vaso por sentir-se pela metade, ele disse ao monge: “Joga-me fora, porque não estou sendo útil para você. Você se cansa ao ir buscar água na fonte e me trazer até aqui, e quando chega, estou pela metade”.
 
O monge disse: “Querido vaso, quero mostrar-te uma coisa. Como eu sabia que tu estavas rachado e que todos os dias perdias as gotas de água, plantei pelo caminho muitas sementes e a água que tu perdias caía sobre essas sementes e hoje quero te mostrar que lindo caminho tu fizeste”. O lado do vaso quebrado estava cheio de flores e o lado do vaso inteiro não tinha nenhuma flor. Por isso, você, que tem se sentido quebrado, que tem aqueles pecados e aquele vício que não consegue superar, saiba que Deus tem jogado sementes e que você as tem regado com as suas lágrimas, porque as flores espirituais só florescem quando são regadas pelas lágrimas.



Um vermezinho


O Senhor ainda insiste para que eu fale das visões. E a Palavra do Senhor nos diz: “Tu és um pobre vermezinho e um mísero inseto” (Is 41,14). Logo que li isso, não gostei, mas, depois, eu disse: “Tudo bem. Se sou um mísero vermezinho, deixa-me, pelo menos, ficar na unha do teu pé. Não vou incomodar”. Mas, sabe aquelas orações que fazemos e achamos que Deus não presta atenção? Quatro anos depois, eu estava em Joinville, pregando um retiro e, diante do Santíssimo Sacramento, ajoelhei-me e vi o pé de Jesus, e no dedão dele, o vermezinho.
 
E senti que Ele falava ao meu coração: “Como tu pensas que não te escuto?” Fiquei olhando o que aquele vermezinho faria, e ele começou a sair do dedão e foi ao buraco da ferida do prego, no pé de Jesus. Comecei a chorar e aquelas lágrimas caíram no Sangue de Jesus; e percebi que aquele Sangue começou a ser atualizado, virou sangue novo, bom. Eu disse: “Senhor, o que queres dizer?” E tive o entendimento de que todo o esforço do autoconhecimento vai trazer muitas lágrimas, mas essas lágrimas de dor caem porque se busca o amor, porque quem quer se autoconhecer tem o objetivo de chegar ao amor. Essas lágrimas têm o poder de renovar e de atualizar o sangue de Jesus.
Entendi tudo: o Sangue de Jesus para aqueles que não passam pelo sofrimento e pela dor do autoconhecimento em Deus, é coagulado. Mas aqueles que choram a dor da sua própria história de miséria, de verme, têm o poder de atualizar o Sangue de Jesus Cristo. E em cada passo que damos, em cada momento que vivemos, somos curados e entramos no processo de ressurreição. A ressurreição não acontecerá de repente, ela vem à medida que as áreas do nosso ser entram naquele “Tu me conheces”, no equilíbrio e na identidade de filhos de Deus; no ser semelhante a Deus. Como é bonita nossa fé!


É importante saber que já estamos ressuscitados, que já estamos vivos e os verdadeiros adoradores, em espírito e em verdade, são aqueles que estão em processo de ressurreição. Essa ressurreição que acontece é o verdadeiro autoconhecimento, porque cada fase da nossa vida, superada pela graça, torna-se ressuscitada.


“Pai, abraça cada um dos teus filhos e diz forte ‘Eu te conheço, filho meu’”. E quanto mais ferido você estiver, mais colo você terá. Porque é assim que um coração de mãe faz: quanto mais ferido, mais colo e mais atenção. É preciso ter coragem para deixar Aquele que nos conhece, revelar o que somos. Nisso está o princípio do autoconhecimento cristão. O único que nos conhece é Aquele que nos criou.
Santa Catarina de Sena, em 1378, escreve um livro, “O Diálogo”, no qual insiste no autoconhecimento. Quando decidimos conhecer-nos, nos encontramos como verdadeiros monstrinhos, numa cela, completamente deformados pelo pecado. Mas, é também aí que vemos a grandeza de Deus, que nos ama exatamente como somos. Vocês conhecem a história dos dois prisioneiros? O prisioneiro que foi condenado à prisão perpétua, agita, incomoda e programa fugas.
 
Aquele que sabe que está prestes a sair, se comporta bem. Então, na prisão da nossa humanidade decaída pelo pecado, o Senhor nos convida a sentirmo-nos bem, porque logo sairemos; logo, logo estaremos livres e toda lágrima será enxugada, não haverá mais fome nem sede. Só felicidade. Nesta cela, não tenhamos medo porque Jesus Cristo está conosco.


Feche os olhos e deixe Jesus pegar tua mão e passear pela tua história, pela tua vida. Por que você se defende e se esconde? Permita que Ele ordene e reajuste o seu interior. Esta palavra é chave para nós: reajustar. Se você sente que tem ciúmes da casa, do carro, do marido... deixe Deus curar.


Outra coisa fundamental no autoconhecimento são as raízes que trazemos e que só Ele sabe quais são e onde estão. Quantas coisas não nos pertencem, mas são trazidas na bagagem da nossa natureza. Por isso, com toda a confiança, segure na mão de Jesus e deixe que Ele entre em tua vida. Você pode perguntar-lhe: “Senhor, por que tenho medo do escuro? Por que sinto falta de ar?”
 
Como vamos nos conhecer se fugirmos dos braços Daquele que nos perscruta, conhece e sabe tudo de nós? Não tenha medo, deixe que hoje o Senhor lave o teu pecado de uma maneira extraordinária. Se o nosso copo está cheio, não pode colocar outro líqüido dentro. Ele quer esvaziar-nos dos nossos medos, malícias e mentiras para encher-nos do Seu Espírito. Jesus, vem curar todas as pessoas!


Quando perguntei ao Senhor por que eu tinha dificuldade de me deixar amar e de me deixar abraçar e desejava um coração manso, Ele me dizia que coração manso é aquele que se deixa acariciar. Então, permitamos que o Senhor acaricie o nosso coração agora.


Jesus me disse mais: “Manso, é aquele que, quando leva pontapés, quando é ferido, não revida”. Senhor, peço-te agora que venhas dar-nos um coração manso e humilde, para que possamos amar os nossos familiares que, muitas vezes, têm sido os que mais nos machucam. Ensina-nos a lidar com os eles e com os demais que nos cercam.


Só busca a via do autoconhecimento por Jesus Cristo, aquele que decidiu amar. “Por isso, Senhor, ao coração de cada um coloca o desejo infinito de amar”. A Quinta-feira Santa é o dia do amor, por causa da instituição da Eucaristia e do Lava-pés. “Senhor, dá-nos o dom do amor. O dom de amarmos a nós mesmos nas nossas limitações; e nas riquezas das nossas raízes, na nossa maneira de ser, que saibamos amar. Amar também o outro, como ele é, sem dominação, reconhecendo sua liberdade”.


Senhor, olha os votos interiores de cada um, aqueles que disseram: ‘Nunca mais vou amar; nunca mais vou perdoar; nunca mais quero saber de crianças ou de filhos ou de homens’. Quebra todas essas tábuas de pedra. Dá-nos o dom do autoconhecimento na serenidade dos teus braços de Pai”. Quem se mete nos calabouços profundos de si mesmo sem as mãos do Pai, enlouquece.
 
Nós temos a graça de receber e de perceber em cada parte em que nos vemos e em que nos desnudamos, a mão do Pai. Precisamos das mãos do Pai: uma, para segurarmos e nos sentir seguros; outra, para nos deixar acariciar. Só saberemos acariciar e amar se recebermos Dele o amor e o carinho.


Na estrada do autoconhecimento, não temos o direito de parar, nem de desistir. Porque o autoconhecimento nos leva a reconhecer a grandeza de Deus e a nossa pequenez. À medida que vão caindo as máscaras das nossas mentiras, malícias e inseguranças sobrepostas à nossa verdadeira identidade, vamos nos tornando bonitos, muitos bonitos, à semelhança de Jesus.



Maria Francisca

Consagrada da Comunidade Oásis, de Caxias do Sul-RS. Esteve em

Precisamos aceitar as correções que vem do Senhor

O Senhor ainda nos dá tempo para conversão. É necessário escutar o pastor que quer nos dar a chance de ser feliz. E para nos lapidar nos corrige. Como pai que ama e quer o nosso bem, usa um chicote especial.


É bem verdade, que é um chicote espiritual que na maioria das vezes não aceitamos e como crianças a dar birra, insistimos na ignorância espiritual.


Pirraçamos através da imaturidade espiritual e nos negamos a ouvir o mestre.


As consequências são desastrosas.


Ouçamos a voz de Jesus e nos preparemos.








domingo, 15 de janeiro de 2012

Em busca da Liberdade Interior





shalom- Decidido a encontrar a liberdade interior, o jovem partiu em direção à montanha, levando tudo o que precisaria para a longa jornada: água, alimento, cobertores, equipamento de camping, filtro solar, produtos de higiene. Sua carga era grande, mas parecia-lhe valer a pena suportar seu peso diante do grande prêmio que receberia ao final de sua viagem.



Após cinco semanas de caminhada, avistou a montanha e começou a fazer planos sobre a conversa que teria com o primeiro homem de oração. Já o imaginava: longas barbas brancas, sentado em uma esteira, em profunda oração diante de um belo e raro ícone bizantino, no fundo de uma gruta úmida, iluminada por velas artesanais.



Após horas de subida sob o peso de seu equipamento que unia-se ao sol causticante para queimar-lhe as costas, chegou a uma casa avarandada, cercada de flores multicoloridas. Um homem de calça jeans surrada varria a varanda, assoviando.



– Boa tarde, senhor! O senhor sabe onde posso encontrar por aqui o homem de oração?



– O que você quer com ele?



– Vim de longe. Vou escalar a montanha da liberdade interior e, segundo me orientaram, devo procurá-lo nesta região. Ele orientará minha viagem.



– Ah! Você deve ser o Fares! Venha, entre, entre! – Disse, retirando o boné e recolocando-o, em uma tentativa vã de alinhar os cabelos suados. Depois continuou:



– Estava mesmo esperando por você! Sou o Zeca, o segundo homem de oração que você encontrará em sua jornada! Prazer!



– Segundo?!? – Perguntou o jovem estendendo-lhe a mão, visivelmente surpreso por encontrar um homem de oração com ar jovial, barba feita, fazendo algo tão banal quanto varrer uma varanda.



– Claro! O primeiro é você mesmo! ... Ou não é?



– Sim, claro! – Respondeu Fares, esforçando-se para acompanhar a gargalhada com que o homem de oração finalizara sua frase, batendo-lhe levemente nas costas.



– Vamos lá, sente-se, sente-se! Vou pegar um café para nós e volto já.



Enquanto digeria a surpresa misturada a uma certa decepção com o jeito de ser do homem de oração, o jovem esforçava-se de todo jeito para tirar seu equipamento das costas antes que o anfitrião voltasse. Foi em vão. Deus sabe por que razão, as alças que se lhe prendiam aos ombros, à cintura e às pernas recusavam-se a soltarem-se das presilhas.



– Então, ainda em pé? Sente-se!



– É que estou preso ao equipamento. Será que o senhor pode me ajudar?



– Bem que eu gostaria, mas isso cabe a você. O que tem aí? – Perguntou, sorvendo o café e apontando com a cabeça para o equipamento.



– Água, enlatados, pão, queijo, mortadela, repelente de insetos, filtro solar, lanterna, fogareiro, roupas, coberta, capa para chuva, óculos de sol, tenda, colchonete, faca de ponta, talheres... ahn, o que mais... deixa eu ver, copo...



– Coração – interrompeu o homem de oração.



– Como assim, “coração”?



– O que faria se, hoje à noite, enquanto dorme, todas estas coisas lhe fossem tiradas?



– Ficaria muito frustrado. Teria estragado toda a minha viagem.



O homem de oração sentou-se e, sorvendo o café, ficou olhando ao longe. Fares tentou várias vezes quebrar o silêncio incômodo. Em vão. Fez-lhe perguntas, contou-lhe sua vida, suas motivações para a viagem. Nada. Perguntou-lhe sobre sua família, elogiou a paisagem. Silêncio por resposta. Nada parecia retirar o homem de oração daquele estado. Seus olhos continuavam grudados no vale que se deitava, como um cão fiel, a seus pés.



O silêncio fazia os pés de Fares arderem em suas botinas. Seu relógio equipado com altímetro, bússola e horário de vários países só conseguia passar-lhe uma informação trivial: estava ali, de pé, sob o peso do equipamento, há duas horas e meia. Tentava sentar-se. Impossível. Talvez encostar-se à parede? Só piorava a situação. Sentar-se no chão? Queda certa! Era o jeito esperar. O pior é que ninguém dizia nada. Não agüentava mais! Pensou em ir embora, mas isso seria abandonar todos os seus planos e sonhos. Já escurecia quando Fares, exausto, pediu, quase chorando, ao homem de oração:



– Senhor, por favor, me ajude! Faça o que quiser, mas me ajude!



– E o que você quer que eu lhe faça? – Perguntou o homem, para espanto de Fares: era óbvio que ele queria ajuda! No entanto, a resposta que saiu de sua boca foi uma frase estranha:



– Quero que me liberte – Disse, envergonhado por estar soluçando como uma criança apavorada.

O homem de oração saiu sem pressa e voltou com uma grande tesoura, que entregou a Fares. Em seguida, sentou-se e voltou a olhar Deus sabe para o quê. Fares compreendeu. Tomou a tesoura e cortou as tiras que lhe prendiam as pernas, a cintura, os ombros. O equipamento caiu com um barulho surdo. O homem de oração disse, simplesmente:



– Primeiro passo: liberte-se de tudo o que o distrai, de tudo o que ocupa seu coração. Fique atento ao seu interior, onde você leva somente a Deus e a você mesmo.



Nesse momento, uma menina, com riso límpido, cabelo solto ao ar, passou, dançando, pelo jardim, vinda de nenhum lugar, indo para lugar algum.



Maria Emmir Nogueira


Fonte: Comshalom

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Vaticano perdoa os Beatles por se considerarem mais famosos que Jesus

21/11/08 - 18h46 - Atualizado em 21/11/08 - 18h46

No aniversário de 40 anos do lendário 'Álbum branco', Igreja reavalia declaração polêmica de John Lenon

Do EGO, no Rio
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Reprodução /Reprodução

Beatles: perdoados pelo Vaticano

A Igreja Católica anunciou nesta sexta-feira, 21, em seu jornal oficial, “L’Osservatore Romano”, o perdão a John Lennon por ter declarado nos anos 1960 que os Beatles eram mais famosos que Jesus Cisto.


A informação veio em uma reportagem para marcar os 40 anos do lançamento do “Álbum branco” e considera a declaração “a bravata de um jovem da classe trabalhadora inglesa impressionado com o sucesso, após crescer sob o mito de Elvis Presley”.


O artigo reavalia a importância desse disco histórico após recordar seu processo de criação. “O disco nasceu quando o Fab Four estava em crise como grupo”, diz a publicação, que critica música pop de hoje.


“Atualmente, os produtos discográficos são padronizados e estereotipados, muito distantes da criatividade dos Beatles”, afirma a reportagem.