sexta-feira, 20 de julho de 2012

Amizade frutuosa,alicerçada em Deus. Dia 20 deJulho, dia do amigo!







De fato, é preciso que as nossas amizades nos conduzam a Deus, nos fortaleçam cada vez mais e não nos denigra, nos chateie, mas imprima em nós um amor verdadeiro. 





Sigamos o exemplo de Jônatas que não olhou pra Davi com inveja e ódio, quando esse foi nomeado por Deus a sucessor do rei Saul, mas sim manteve uma amizade especial com ele durante toda a sua vida. Até mesmo quando Saul tentou matar Davi, foi Jônatas quem o protegeu (1 Samuel). 





Esse exemplo de amizade é verdadeiramente uma amizade em Deus, que não pede algo em troca, ou seja, um verdadeiro amor.



Pe. Roger Luis da Canção Nova

Fonte: http://pensador.uol.com.br/frase/NzUzMTUz/

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Não dá pra chegar no céu cheio de defeitos.







É no sofrimento que a gente cresce. Tudo que aprendi e que tenho de melhor alcancei com o sofrimento. As provações se tornaram alegria na minha vida.




Na bíblia, em Filipenses 2,13-15 diz: "Na verdade, é Deus que produz em vós tanto o querer como o fazer, conforme o seu agrado.Fazei tudo sem murmurar nem questionar, para que sejais irrepreensíveis e íntegros, filhos de Deus sem defeito, no meio de uma geração má e perversa, na qual brilhais como luzeiros no mundo."





Vocês já observaram, o quanto questionamos? E o quanto murmuramos? E a palavra diz que não devemos agir desta forma.





Na verdade, aquele que confia em Deus, sabe que o pai jamais o abandonará, que está sempre com Ele.





Madre Tereza de Calcutá dizia: "A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração". 





Então, meus irmãos vamos exercitar a bondade, esvaziar de nós mesmos e lembrar que vivemos não isoladamente, mas num sociedade que clama por amor.





Foi também, a Madre Tereza, que disse: "A falta de amor é a maior de todas as pobrezas"





Jesus sofreu até no último momento. Mas a diferença está na forma de olhar. Jesus fixou o seu olhar em Deus. Por isso, tudo suportou e fez a vontade do pai.





Tenho observado que a humildade na maioria das vezes é adquirida pela humilhação sofrida. A humilhação ela é benéfica quando voltamos o nosso olhar para Jesus e vê tudo o que Ele passou. Se Ele tudo suportou. Nós também podemos, pela graça, afinal é Ele que produz em nós tanto o querer quanto o fazer.





É pela humilhação que é quebrado o nosso orgulho. Para adquirir humildade é preciso exercitar a tolerância e não tenho dúvidas, Deus utiliza aquele que está próximo de nós, para nos moldar.





Vamos deixar ser modelados, moldados por Deus.Nos últimos tempos, tenho percebido que através dos mau-entendidos, das más interpretações, do julgamento e até da condenação de pessoas amigas e próximas, o Senhor tem me dado a graça de redimensionar a minha forma de pensar e agir.





Tenho prestado atenção nos acontecimentos em volta e naquilo que não me agrada, que não aprovo, para deixar Deus falar comigo e olha, aquilo que seria motivo de desarmonia, de desavença, de desunião, tem se tornado uma fonte de bençãos, porque me silencio e deixo Deus falar e percebo que as vezes o que o outro fez de errado me faz ter uma visão de tantas outras coisas que estava errado na minha vida.





Precisamos fixar o nosso olhar para as coisas do alto. Deus é espírito. E nós somos carnais, somos do mundo, somos humanos. Quando o mundo diz que é bom, Deus diz que é ruim. Quando o mundo diz que é ruim, Deus diz que é bom.





Portanto, meus irmãos, tenho aprendido com Madre Tereza, que quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las.



Augusta Moreira dos Santos

«AINDA QUE CAMINHA POR UM VALE ESCURO…Pe. Raniero Cantalamessa»






Advento 2003 na Casa Pontifícia

Segunda pregação




Um dia, Francisco de Assis exclamou: «Carlo imperador, Orlando e Olivero, todos os grandes guerreiros que foram valentes nos combates, perseguindo os infiéis com muito suor e fadiga até à morte, conseguiram sobre eles uma glória e memorável vitória, e por último estes santos mártires caíram em batalha pela fé de Cristo. Mas há muitos que, somente narrando suas gestas, querem receber honra e glória dos homens» (1).





Em uma de suas Admonições, o santo explicou o que havia querido dizer com aquelas palavras: «É uma vergonha para nós, servos do Senhor, o fato de que os santos atuaram com os fatos e nós, relatando e pregando as coisas que eles fizeram, queremos receber honra e glória» (2). Estas palavras me vêm à memória como um austero sinal no momento em que me disponho a oferecer a segunda meditação sobre a santidade de Madre Teresa de Calcutá.





1. Na escuridão da noite





O que ocorreu depois que Madre Teresa disse seu «sim» à inspiração divina que a chamava a deixar tudo para colocar-se a serviço dos mais pobres entre os pobres? O mundo conheceu bem o que sucedeu em torno a ela --a chegada das primeiras companheiras, a aprovação eclesiástica, o vertiginoso desenvolvimento de suas atividades caritativas--, mas até sua more, ninguém soube o sucedido dentro dela.





Revelam isso os diários pessoais e as cartas a seu diretor espiritual, divulgadas por ocasião de sua beatificação: «Com o início de sua nova vida a serviço dos pobres, uma opressiva escuridão veio sobre ela» (3). Bastam alguns breves fragmentos para dar uma idéia da densidade das trevas em que entrou.





«Há tanta contradição em minha alma, um profundo anseio de Deus, tão profundo que faz dano, um sofrimento contínuo --e com isso o sentimento de não ser querida por Deus, rejeitada, vazia, sem fé, sem amor, sem entusiasmo... O céu não significa nada para mim, me parece um lugar vazio» (4).





Não foi difícil reconhecer imediatamente nesta experiência de Madre Teresa um caso clássico do que os estudiosos da mística, detrás de São João da Cruz, chamam a noite escura do espírito. Taulero faz uma descrição impressionante desta etapa da vida espiritual:





«Então somos abandonados de tal forma que já não temos conhecimento de Deus e caímos em tal angústia que não sabemos se estivemos no caminho justo, nem sabemos já se Deus existe ou não, ou se nós mesmos estamos vivos ou mortos. De sorte que sobre nós cai uma dor tão estranha que nos parece que todo o mundo em sua extensão nos oprime. Já não temos nenhuma experiência nem conhecimento de Deus, e inclusive todo o demais nos parece repugnante, de forma que nos parece estar prisioneiros entre dois muros» (5).





Tudo permite pensar que esta escuridão acompanhou Madre Teresa até a morte (6), com um breve parêntese em 1958, durante o qual pôde escrever alegre: «Hoje minha alma está cheia de amor, de alegria indizível e de uma ininterrupta união de amor» (7). Se a partir de certo momento já não fala quase disso, não é porque a noite terminou, mas porque ela se adaptou a viver nesta. Não só a aceitou, mas reconhece a graça extraordinária que estabelece para ela.





«Comecei a amar minha escuridão, porque creio que esta é uma parte, uma pequenina parte, da escuridão e do sofrimento em que Jesus viveu na terra» (8).





A flor mais perfumada da noite de Madre Teresa é seu silêncio sobre isso. Tinha medo, ao falar disso, de fazer-se notar. As pessoas mais próximas a ela não suspeitavam de nada, até o final, deste tormento interior da Madre. Por ordem sua, o diretor espiritual teve de destruir todas as suas cartas e se algumas foram salvas é porque ele, com permissão dela, fez uma cópia para o arcebispo e futuro cardeal T. Picachy, as quais foram encontradas após a morte dela. O arcebispo, felizmente, rejeitou a petição que lhe fez também Madre Teresa de destruí-las.





O perigo mais insidioso para a alma na noite escura do espírito é o de… perceber que se trata, precisamente, da noite escura, daquilo que os grandes místicos viveram antes dela e, portanto, formar parte de um círculo de almas eleitas. Com a graça de Deus, Madre Teresa evitou este risco escondendo a todos seu tormento sob um eterno sorriso.





«Todo o tempo sorrindo, dizem de mim as irmãs e as pessoas. Pensam que meu interior está cheio de fé, confiança e amor… Se só souberem como minha aparência alegre não é senão um manto com o qual cubro vazio e miséria!» (9).





Os Padres do deserto dizem: «Por grandes que sejam tuas penas, tua vitória sobre elas está no silêncio» (10). Madre Teresa o pôs em prática de forma heróica.





2. Madre Teresa de Calcutá e Padre Pio de Pietrelcina





Por ocasião da canonização de Padre Pio de Pietrelcina, os observadores leigos expressaram o parecer de que a santidade do místico Padre Pio era uma santidade arcaica, diferentemente da de Madre Teresa, a santa da caridade, que seria uma santidade moderna. Agora descobrimos que também Madre Teresa era uma mística (que Padre Pio era também um santo da caridade basta para demonstrá-lo a obra que ele realizou no «alívio do sofrimento»).





O erro é contrapor estas duas marcas da santidade cristã, que vemos, ao contrário, com freqüência unidas admiravelmente, isto é, altíssima contemplação e intensíssima ação. Santa Catarina de Gênova, considerada uma das maiores da mística, foi desde Pio XII proclamada patrona dos hospitais na Itália por sua obra e a de seus discípulos a favor dos enfermos e dos incuráveis, que recorda de perto a obra de Madre Teresa em nossos dias.





Em um belo artigo, escrito com ocasião da beatificação, um autor indiano define Madre Teresa como «uma irmã para Gandhi» (11). Certamente muitas marcas reúnem as duas grandes almas, os dois Mahatma, da Índia moderna, mas é ainda mais justo, creio, ver em Madre Teresa «uma irmã para Padre Pio». Lhes une não só a mesma veneração da Igreja, mas também um mesmo ciclo de glória de parte da opinião pública mundial. Uma se distinguiu sobretudo nas obras de misericórdia corporais, o outro nas obras de misericórdia espirituais. Mas foi precisamente Madre Teresa a que recordou ao mundo de hoje que a pobreza pior não é a dos pobres de coisas, mas a dos pobres de Deus, de humanidade e de amor, a pobreza, em suma, do pecado.





A marca que mais aproxima estes dois santos é, talvez, precisamente a longa noite escura na qual viveram toda a vida. Sempre recordarei a impressão que tive ao ler o relato com que Padre Pio descrevia a seu pai espiritual o fato dos estigmas. Ele terminava fazendo suas as palavras do salmo que diz: «Senhor, não me corrijas em teu enojo, em teu furor não me castigue» (Sal 38, 2). Estava convencido e esta convicção lhe acompanhou toda a vida, de que os estigmas não eram um sinal de predileção e de aceitação de parte de Deus, mas, ao contrário, de sua rejeição e do justo castigo divino por seus pecados. Foi aquilo o que me abriu os olhos sobre a estatura mística deste irmão meu do qual, até então, me havia interessado pouco.





Para irradiar luz, estas duas almas tiveram que passar a vida na escuridão, convencidas, além disso, de «enganar as pessoas». São Gregório Magno diz que a característica dos homens superiores é que «na dor da própria tribulação, não descuidam da convivência dos demais; e enquanto suportam com paciência as adversidades que os golpeiam, pensam em ensinar aos demais o necessário, semelhantes nisso a certos grandes médicos que, afetados estes mesmos, esquecem suas feridas para atender os demais» (12). Este sinal resplandece em grau eminente na vida de Madre Teresa e de Padre Pio.





3. Não só purificação





Por que este estranho fenômeno de uma noite do espírito que dura praticamente toda a vida? Aqui há algo novo a respeito dos que viveram e explicaram os mestres do passado, incluindo São João da Cruz. Esta noite escura não se explica com a única idéia tradicional da purificação passiva, a chamada via purgativa, que prepara à via iluminada. Madre Teresa estava convencida de que se tratava precisamente disto em seu caso; pensava que seu «eu» era particularmente duro de vencer, se Deus se via obrigado a tê-la durante tão longo tempo nesse estado.





Mas isto não era certo. A interminável noite de alguns santos modernos é o meio de proteção inventado por Deus para os santos de hoje que vivem e trabalham constantemente sob os focos da mídia. É o traje de amianto para quem deve ir entre as chamas; é o isolamento que impede a corrente elétrica de sair provocando curtos-circuitos…





São Paulo dizia: «Para não me envaidecer com a sublimidade dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne» (2 Cor 12, 7). O espinho na carne, que era o silêncio de Deus, se revelou eficaz para Madre Teresa: a preservou de todo entusiasmo em medo a tudo o que o mundo dizia dela, também no momento de receber o prêmio Nobel da paz. «A dor interior que sente --dizia-- é tão grande que não me afeta nada toda a publicidade e o falar das pessoas».





Também isto une Madre Teresa e Padre Pio. Um dia, Padre Pio, olhando pela janela a multidão reunida na praça, perguntou maravilhado ao irmão que tinha ao lado: «Por que vieram todos estes?», e a resposta: «Por você, Padre», retirou-se rapidamente suspirando: «Se só soubessem…».





Mas existe uma razão ainda mais profunda que explica estas noites que se prolongam durante toda uma vida: a imitação de Cristo, a participação na noite escura do espírito que envolveu Jesus no Getsemani e na qual morreu no Calvário, gritando: «Deus meu, Deus meu, por que me abandonou?». Na carta apostólica Novo millennio ineunte, a propósito do «rosto doente» de Cristo, o Papa escreve:





«Ante este mistério, além de investigação teológica, podemos encontrar uma ajuda eficaz naquele patrimônio que é a «teologia vivida» dos Santos. Estes nos oferecem algumas indicações preciosas que permitem acolher mais facilmente a intuição da fé, e isto graças às luzes particulares que alguns deles receberam do Espírito Santo, ou inclusive através da experiência que eles mesmos tiveram dos terríveis estados de prova que a tradição mística descreve como «noite escura». Muitas vezes os Santos viveram algo semelhante à experiência de Jesus na cruz na paradoxal confluência de felicidade e dor» (13).





A carta cita a experiência de Santa Catarina de Siena e de Teresa do Menino Jesus. Agora sabemos que poderia citar também o exemplo de Madre Teresa. Ela chegou a ver cada vez mais claramente sua prova como uma resposta a seu desejo de compartilhar o «Lugar» de Jesus na cruz.





«Se a pena e o sofrimento, minha escuridão e separação te dá uma gota de consolação, Jesus meu, faz de mim o que quiseres… Imprime em minha alma e vida o sofrimento de teu coração. Quero saciar tua sede com cada gota de sangue que possa encontrar em mim. Não te preocupes de voltar logo; estou disposto a esperar-te toda a eternidade» (14).





Seria um grande erro pensar que a vida destas pessoas seja toda sombrio sofrimento. A carta Novo Millennio ineunte, ouvimos, fala de uma «paradoxal confluência de felicidade e dor». No fundo da alma, estas pessoas gozam de uma paz e alegria desconhecidas para o resto dos homens derivados da certeza, mais forte que a dúvida, de estar na vontade de Deus. Santa Catarina de Gênova compara o sofrimento das almas neste estado ao do Purgatório, e diz que este «é tão grande que somente é comparável ao do inferno», mas que existe nelas uma «grandessíssima alegria» que somente se pode comparar a dos santos no Paraíso (15).





A alegria e a serenidade que emanavam do rosto de Madre Teresa não eram uma máscara, mas o reflexo da união profunda com Deus, em que vivia sua alma. Era ela que se «enganava» sobre si mesma, não as pessoas.


(...)


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4. Ao lado dos ateus





Em lugar de santos «arcaicos», os místicos são os mais modernos entre os santos. O mundo de hoje conhece uma nova categoria de pessoas: os ateus de boa fé, aqueles que vivem dolorosamente a situação do silêncio de Deus, que não crêem em Deus mas não se vangloriam disso; experimentam mais a angústia existencial e a falta de sentido de tudo; vivem também eles, a seu modo, em uma noite escura do espírito. Albert Camus lhes chamava «os santos sem Deus». Os místicos existem sobretudo para eles; são seus companheiros de viagem e de mesa. Como Jesus, eles «estão sentados à mesa dos pecadores e comeram com eles» (Cf. Lc 15, 2).





Isto explica a paixão com a qual certos ateus, uma vez convertidos, lançaram-se sobre os escritos dos místicos: Claudel, Bernanos, os dois Maritain, L. Bloy, o escritor J. -K. Huysmans e muitos outros sobre os escritos de Angela de Foligno; T. S. Eliot sobre os de Giuliana de Norwich. Ali encontravam a mesma paisagem que haviam deixado mas desta vez iluminada pelo sol. Este ano se celebra o 50º aniversário da primeira representação de «Esperando Godot», o drama mais representativo do teatro do absurdo, mas poucos sabem que seu autor, Samuel Beckett, em seu tempo livre lia São João da Cruz.





A palavra «ateu» pode ter um sentido ativo e um sentido passivo. Pode indicar aquele que rejeita Deus, mas também aquele que --pelo menos assim lhes parece-- é rejeitado por Deus. No primeiro caso, trata-se de um ateísmo de culpa (quando não é de boa fé), no segundo de um ateísmo de pena, ou de expiação. Neste último sentido podemos dizer que os místicos, na noite do espírito, são os a-teus, os sem Deus. Madre Teresa tem palavras que ninguém havia suspeitado nela:





«Dizem que a pena eterna que sofrem as almas no inferno é a perda de Deus… Em minha alma eu experimento precisamente esta terrível pena da perda, de Deus que não me quer, de Deus que não é Deus, de Deus que na realidade não existe. Jesus, te rogo, perdoa minha blasfêmia» (16).





Mas se dá conta da natureza distinta, de solidariedade e de expiação, deste «ateísmo» seu:





«Quero viver neste mundo tão longe de Deus e que deu as costas à luz de Jesus, para ajudar as pessoas, carregando com algo de seu sofrimento» (17).





Os místicos chegaram a um passo do mundo onde vivem os sem Deus; experimentaram a vertigem de precipitar-se para baixo. Escreve Madre Teresa a seu pai espiritual:





«Estive a ponto de dizer “não”… Sinto-me como se algo, um dia ou outro, tivesse de romper em mim». «Rogue por mim, para que eu não rejeite Deus nesta hora. Não quero fazê-lo, mas temo que possa fazê-lo» (18).





Por isto os místicos são os evangelizadores ideais no mundo pós-moderno, onde se vive «etsi Deus non daretur», como se Deus não existisse. Recordam aos ateus honestos que não estão «longe do reino de Deus»; que lhes bastaria dar um salto para encontrar-se ao lado dos místicos, passando do nada ao tudo. Tinha razão Karl Rahner ao dizer: «O cristianismo do futuro, ou é místico ou não será». Padre Pio e Madre Teresa são a resposta a este sinal dos tempos. Não devemos «desperdiçar» os santos reduzindo-os a dispensadores de graças ou de bons exemplos.





5. Nossa pequena noite





Os místicos têm contudo algo a dizer aos crentes, e não só aos ateus. Não são uma exceção, ou uma categoria à parte de cristãos. Mostram mais, como de forma ampliada, o que deveria ser a plena expansão da vida de graça. Uma coisa aprendemos especialmente da noite escura dos místicos, e em particular da de Madre Teresa; como comportar-nos em tempo de aridez, quando a oração se converte em luta, fatiga, um golpe da cabeça contra um «muro de lamentação».





Não é necessário insistir na oração de Madre Teresa em todos aqueles anos passados na escuridão; a imagem dela em oração é a que todos temos ainda ante os olhos. Uma série de belíssimas orações se encontra entre a herança mais preciosa que ela deixou a suas filhas e à Igreja. De Jesus, o evangelista Lucas diz que, «sumido em agonia, insistia mais em sua oração», factus in agonia prolixius orabat (Lc 22, 44). É o que se observa também na vida destas almas.





A aridez na oração, quando não é fruto de dissipação ou de pactos com a carne, mas permissão de Deus, é a forma atenuada e comum que a noite escura advém na maioria das pessoas que tendem à santidade. Nesta situação é importante não se render e começar a omitir a oração para entregar-se ao trabalho, visto que se consegue bem pouco estando em oração. Quando Deus não está, é importante ao menos que seu lugar permaneça vazio e que não seja ocupado por algum ídolo, especialmente o que chamamos ativismo.





Para impedir que isto ocorra é bom interromper cada momento o trabalho para elevar ao menos um pensamento a Deus, ou para sacrificar-lhe simplesmente um pouco de tempo. Em tempo de aridez há que descobrir um tipo de oração especial que a beata Angela de Foligno definia como a oração forçada e que diz ter praticado ela mesma:





«É bom e muito agradável a Deus que tu ores com o fervor da graça divina, que veles e te fatigues ao realizar toda ação boa; mas é mais agradável e aceitável ao Senhor se, faltando a graça, não diminuas tuas orações, tuas vigílias, tuas boas obras. Atue sem a graça da mesma maneira como o fazias quando a possuías… tu fazes tua parte, filho meu, e Deus fará a sua. A oração forçada, violenta, é muito agradável a Deus» (19).





Esta é uma oração que se pode fazer mais com o corpo que com a mente. Existe uma secreta aliança entre a vontade e o corpo e há de usá-la: a razão. Com freqüência, quando nossa vontade não pode ordenar à mente que tenha ou não certos pensamentos, pode ordenar ao corpo: os joelhos que se dobram, as mãos que se juntam, os lábios que se abrem e pronunciam algumas palavras, por exemplo, «Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo».





Um místico oriental, Isaac o Sírio, dizia: «Quanto teu coração está morto e já não temos a mínima oração nem súplica alguma, quando Ele vier, que nos encontre prostrados com o rosto em terra perpetuamente». Madre Teresa conheceu também esta oração «forçada».





«Não posso dizer-lhe o mal que senti outro dia; houve um momento no qual por pouco rejeitei aceitar. Então tomei decididamente o Rosário e o rezei lentamente e com calma, sem meditar nem pensar em nada» (20).





Simplesmente permanecer com o corpo na igreja, ou no lugar eleito para a oração, simplesmente estar em oração, é então o único modo que fica para continuar sendo perseverantes na oração. Deus sabe que poderíamos ir e fazer centenas de coisas mais úteis e que nos agradariam mais, mas permanecemos ali, consumimos em branco o tempo a Ele destinado por nosso horário ou por nosso propósito.





A um discípulo que se lamentava continuamente de não poder orar por causa das distrações, um ancião monje, ao que se havia dirigido, lhe respondeu; «que teu pensamento vá onde queira, mas que teu corpo não saia da cela!» (21). É um conselho que também nos serve, quando nos encontramos em situação de distrações crônicas que já não estão em nossas mãos poder controlar: que nosso pensamento vá aonde queira, mas que nosso corpo permaneça em oração!





Em tempo de aridez, devemos recordar a dulcíssima palavra do Apóstolo: «O Espírito vem em ajuda de nossa fraqueza…» (Rm 8, 26 s). Ele, sem que o notemos, enche nossas palavras e nossos gemidos de desejo de Deus, de humildade, de amor. O Paráclito se converte, então, na força de nossa oração «Fraca», na luz de nossa oração apagada; em uma palavra, na alma de nossa oração. Verdadeiramente, como diz a Sequência, Ele «rega o que é árido», rigat quod est aridum.





Tudo isto sucede por fé. Basta que eu diga: «Padre, tu me presenteaste o Espírito de Jesus; formando, por isso, “um só Espírito” com Ele, eu rezo este salmo, celebro esta Santa Missa, ou estou simplesmente em silêncio, aqui, em tua presença. Quero dar-te a glória e a alegria que te daria Jesus, se fosse Ele quem te orasse ainda desde a terra». Com esta certeza, concluímos nossa reflexão orando:





«Espírito Santo, Tu que intercedes no coração dos crentes com gemidos inefáveis, chama o coração de tantos de nossos contemporâneos que vivem sem Deus e sem esperança neste mundo. Ilumina a mente daqueles que neste momento estão delineando a fisionomia de nosso continente; faz-lhes compreender que Cristo não é uma ameaça para ninguém, mas irmão de todos. Que aos pobres, aos pequenos, aos perseguidos e aos excluídos da Europa de amanhã não lhes seja tirado, com culpado silêncio, a garantia que até agora mais lhes defendeu do arbítrio dos grandes e da dureza da vida; o nome do primeiro deles, Jesus de Nazaré!».

(...)

Fonte: Textos extraídos do portal:http://www.comshalom.org/formacao/espiritualidade/santidadecrista/aindaqueeucaminhe.html

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quarta-feira, 18 de julho de 2012

TOMAR O CAMINHO DO SILÊNCIO





Frei Patrício Sciadini, OCD




Ao meu redor tudo é silêncio. Fechei a porta, as janelas do meu quarto. Só de vez em quando chega o som estridente de uma buzina. O grito sofrido de quem passeia na rua. 





É silêncio fora e dentro de mim; percebo a voz da caneta que corre veloz no papel que, silenciosamente acolhe as idéias que sobem do coração e se fixam na docilidade do branco papel que um dia foi árvore. Houve um tempo que o silêncio preenchia outros vazios e que era doce permanecer em silêncio, tentando escutar a voz do Outro que, do silêncio, chegava até mim.





Amava o silêncio como terra aberta e fecunda na espera de semente de vida. Era no silêncio que ia ruminando, mastigando a Palavra de Deus encontrada, devorada, que em mim se transformava em doce sabor de eternidade.





Houve um tempo em que me sentia agredido pelo silêncio, precisava – como um dependente – da minha dose diária de barulho, de busca de amigos imaginários, para preencher o terrível vazio do nada. 





Era a noite da fé em que, como por encanto maléfico, chegavam de longe as vozes sedutoras do mundo: luzes, vozes, sugestões, fantasmas e imaginações que tentam despertar os instintos da besta adormecida dentro de nós. Um silêncio terrível, ameaçádor que provoca fuga de si mesmo na busca de outros lugares e outras pessoas.





O novo silêncio





Passada a tempestade, silenciados os trovões da soberba e da cobiça, surgiu um novo silêncio. O desejo forte, corajoso de tomar o caminho do silêncio para se reencontrar com a própria identidade que estava submersa na poeira do tempo e do descaso.





O novo silêncio é sede de infinito que as coisas não podem apagar e saciar. É deixar-se envolver pelo manto do amor misericordioso do Pai que nos abraça “cobrindo-nos de beijos”.





O novo silêncio é paz que não pode ser perturbada pelas incompreensões e pelas pequenas ou grandes rejeições. É a tranqüilidade do último lugar, assumido com a consciência de que nunca nos será tirado. É preciso voltar ao silêncio como deserto e lugar fecundo. Como oásis de paz e de amores com o Amado.





É o novo silêncio das potências e dos desejos que depois de ter-se cansado de tanto andar vagueando, repousa no colo reclinado do Amado. É o silêncio que as palavras não podem definir, mas que o coração entende e nele se delicia num gozo sem fim. 





É o novo silêncio que é possível saborear na rodoviária, no trânsito caótico de São Paulo, ou no silêncio do deserto ou das montanhas. O silêncio está dentro de nós. É aí, bem no fundo do coração que é preciso reaprender a escutar a Deus que nos fala – um Deus Palavra eterna de Amor –. É o momento de tomar o caminho do silêncio onde se ouvem as batidas do coração e as palpitações da voz do Amado que nos chama ao deserto. 





O medo do silêncio não é outra coisa que o medo de si mesmo, de se olhar no espelho da própria consciência, de reconhecer a própria identidade fragmentada. 





O silêncio é encontro amoroso com Deus que vai curando as nossas feridas, injetando em nós vida nova. Encontrar-se com o Senhor na sarça ardente e deixar-se queimar totalmente depois de ter tirado as sandálias do egoísmo e das seguranças humanas. 





O novo silêncio será o terreno fecundo de onde surgirão os novos místicos e contemplativos capazes de ser silêncio – palavra num mundo doente de um barulho desintegrador –. No silêncio, está a nossa esperança e fortaleza.





Nunca se vai ao silêncio para estar só, mas para apresentar na oração toda a humanidade. É o amor que exige o silêncio diante de um Deus que, no amor, conhece as profundidades do nosso ser.





O novo silêncio não pode ser fim, nem fuga, nem incapacidade de convivência ou de diálogo, é necessidade de aprender a escutar para saber ouvir melhor o grito do homem e da mulher oprimidos.





Há gritos e choros que só se entendem no silêncio; há vida que nasce, que só se percebe no silêncio; há amor que só pode ser vivido no silêncio.


Reaprender a viver o silêncio e no silêncio é o caminho novo da convivência pacífica e da não violência.





Toma o caminho do silêncio! Torna-te silêncio e saberás melhor comunicar as sublimes lições do Infinito que se perdem quando tentamos explicá-las. Deus é silêncio, por isso é Amor que rompe o seu silêncio na encarnação. Jesus é silêncio que só fala aos que se fazem silêncio para ouvi-lo.





Fonte: Revista Shalom Maná


Portal: Comshalom





segunda-feira, 16 de julho de 2012

Vocação à santidade










Frei Gabriel de Santa Maria Madalena, OCD




Com a queda de Adão, o pecado destruiu o plano divino da santificação do homem. Nossos primeiros pais, criados à imagem e semelhança de Deus, em estado de graça e santidade, elevados à dignidade de filhos de Deus, foram precipitados num abismo de miséria, arrastando consigo todo o gênero humano. Durante séculos e séculos, o homem geme no seu pecado; este cavou um abismo insuperável entre Deus e a humanidade, e o homem geme para além do abismo, absolutamente incapaz de se levantar.





Para conseguir o que o homem não pode, para destruir nele o pecado e restituir-lhe a graça, promete-lhe Deus um Salvador. A promessa, feita e renovada através dos séculos, não se restringe somente ao povo de Israel; interessa a toda a humanidade. Já Isaías o havia pressentido: “Virão os povos em multidão, dizendo: ‘Vinde, subamos à montanha do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine seus caminhos’” (Is 2,3). E declarou Jesus expressamente: “Digo-vos que muitos virão do oriente e do ocidente e sentar-se-ão à mesa com Abraão, Isaac e Jacó no Reino dos céus” (Mt 8,11).





O Senhor Jesus veio salvar a todos os povos, e convidar todos à mesa de seu Pai, no Reino dos céus. “Quer Deus todos os homens salvos e que cheguem todos ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). A fim de que se salvem todos, “enviou seu Filho unigênito, para que, quem quer que nele creia, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). 





Assim amou Deus o mundo. Se foi Israel o depositário da divina promessa e recebeu a missão de transmiti-la de geração em geração, não é, porém, o único beneficiário. Desde a antigüidade, no plano de Deus, foi destinada a promessa a toda a família humana: ninguém está excluído. Jesus, Salvador, veio para cada homem e a cada homem oferece os meios necessários à sua santificação.





Assim dirige S. Paulo aos cristãos de Corinto sua primeira carta: “Aos santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos com todos aqueles que em todo lugar invocam o nome do Senhor nosso Jesus Cristo” (1Cor 1,2). Todos os que crêem em Cristo, seja de que povo for, são efetivamente “chamados a ser santos”; o que, na linguagem do Apóstolo, significa sobretudo pertencerem, serem consagrados a Deus mediante o Batismo e, portanto, em força desta consagração, tornarem-se pessoalmente santos.





Assim como a salvação, a santidade é oferecida a todos os homens. “Sede santos porque eu sou santo” (Lv 11,44), havia dito Deus ao povo de Israel; e Jesus especificou: “Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste” (Mt 5,48). 





Estas palavras, não as dirigiu o Senhor a um grupo escolhido; não as reservou aos apóstolos, aos íntimos, mas pronunciou-as diante da multidão que o seguia. Ele, o Santo por excelência, veio santificar todos os homens e a todos oferece os meios necessários, não só para a salvação, mas também para a santificação: “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).





Não se cansa a Igreja de repetir e inculcar este ensinamento do Senhor: “Ninguém creia que... (a santidade) seja para poucos homens escolhidos dentre muitos, enquanto os outros podem limitar-se a um grau inferior de virtude... Absolutamente todos... sem exceção alguma, estão compreendidos nesta lei” (Pio XI, AAS [1923]: 50).





De modo particular, o Concílio Vaticano II reafirmou a universal vocação à santidade: “Todos na Igreja, quer pertençam à hierarquia, quer sejam por ela dirigidos, são chamados à santidade... 





O Senhor Jesus, mestre e modelo divino de toda perfeição, a todos e a cada um dos seus discípulos, de qualquer condição, pregou a santidade de vida, de que ele mesmo é o autor e consumador” (LG 39.40). 





Não pode o homem encontrar em si mesmo recursos e forças para santificar-se; somente Deus é santo e somente Deus pode santificá-lo. O próprio Deus quer ser o santificador das suas criaturas e, em Jesus bendito, oferece em profusão, a cada homem, os meios para que se santifique.





Extraído de: Madalena, Gabriel de Sta. Maria. Intimidade Divina. São Paulo: Loyola, 1988, pp. 25-26.





Fonte: Revista Shalom Maná

sábado, 14 de julho de 2012

Você sabe o que é tibieza






Libertos da tibieza



Josefa Alves

Consagrada na Comunidade de Vida Shalom




Em alguns períodos da nossa vida, podemos detectar em nós alguns dos sintomas da tibieza: a frieza, a apatia, o desânimo, a insatisfação com Deus e conosco mesmo, a falta de estímulos para a oração diária, e até mesmo a falta de forças para decidir por algo ou desistir de alguma coisa. Se sofremos deste mal, há esperança para nós e o remédio é infalível: precisamos de um novo, belo e santo Pentecostes!





É preciso, em primeiro lugar, tomar consciência da nossa condição de necessitados de uma renovação constante do Espírito Santo em nossa vida. O clamor constante e a abertura necessária à ação da graça farão de nós homens e mulheres fervorosos, capacitados pelo Espírito a transbordar no mundo o amor infinito de Deus.





Uma alma tíbia é uma alma morna, fraca, preguiçosa, desanimada e sem fervor. Esta “doença” traz sérias conseqüências, não só à nossa vida espiritual, mas a todas as realidades da nossa existência. 





Ela é conseqüência do pecado e desenvolve-se com facilidade nas almas que não são muito amigas das renúncias, sacrifícios e orações. Mas pouco adianta dizer, simplesmente, que é preciso aplicar à doença da tibieza o remédio do fervor. Seria como dizer a um doente que o remédio para ele é a saúde, ignorando que este é o seu problema: a falta de saúde.





O único remédio contra a tibieza é o Espírito Santo, porque não existe verdadeiro fervor se não for inflamado pelo fogo do Espírito. O pecado endurece o coração e torna a pessoa indiferente a Deus. O Espírito nos aponta as raízes do pecado, fortalece-nos para a batalha, fecunda em nós os seus dons, purifica-nos, aquece e inflama o nosso ser.





O Espírito Santo não se contenta em purificar-nos do pecado, mas prolonga a sua ação em nós até nos fazer “fervorosos no Espírito”. Comporta-se em nós como o fogo quando se apega à lenha úmida: primeiro a expurga, arrancando-lhe com barulho todas as impurezas, depois a inflama progressivamente, até que se torne toda incandescente e ela mesma se transforme em fogo. Ele, que faz novas todas as coisas, quer fazer fervorosos os homens tíbios.





Concretamente, isto quer dizer que o Espírito Santo nos preserva de cair na tibieza, e se por acaso já nos encontrarmos neste estado, livra-nos dela. É impossível sair da tibieza sem uma intervenção decisiva do Espírito; se tentarmos fazê-lo mergulharemos ainda mais no pecado do orgulho.





Olhemos para os apóstolos antes de Pentecostes: eram tíbios, incapazes de vigiar uma hora, discutiam sempre sobre quem seria o maior, ficavam espantados diante de qualquer ameaça. 





Depois que o Espírito veio sobre eles como línguas de fogo, tornaram-se a imagem viva do zelo, do fervor e da coragem. Fervorosos no pregar, no louvar a Deus, no fundar e organizar as Igrejas e, enfim, no sacrificar a vida por Cristo. 





Cirilo de Jerusalém escreve: “Os apóstolos receberam o fogo que queima os espinhos dos pecados e dá esplendor à alma”, e um escritor medieval escreve: “O Paráclito que, em línguas de fogo, desceu sobre os apóstolos e os discípulos, desce também sobre nós como fogo: para queimar e destruir a culpa, para purificar a natureza, para consolidar e aperfeiçoar a graça, para expulsar a preguiça de nossa tibieza e acender em nós o fervor do seu amor” (Hermann de Runa, Sermões Festivos, 31).





Muitos santos passaram por um longo período de tibieza, mas nenhum deles foi santo sem ter sido encharcado, queimado, transformado pelo poder e ação viva do Espírito Santo. 





“Passei nesse mar tempestuoso quase vinte anos, ora caindo ora levantando. Mas levantava-me mal, pois tornava a cair. Tinha tão pouca perfeição que, por assim dizer, nenhuma conta fazia de pecados veniais. Se temia os mortais não era a ponto de me afastar dos perigos. 





Sei dizer que é uma das vidas mais penosas que se possa imaginar. Nem me alegrava em Deus, nem achava felicidade no mundo. Em meio aos contentamentos mundanos, a lembrança do que devia a Deus me atormentava. Quando estava com Deus, perturbavam-me as afeições do mundo” (Santa Teresa de Jesus, Vida, 8,2).





Quando invocamos o Espírito, clamamos: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor”, e ainda: “Aquece o que está frio”. Às vezes este clamor também é frio, porque fria é a nossa esperança. 





Em Ezequiel 37 temos outra imagem clara de um povo tíbio: “nossos ossos estão secos, nossa esperança está morta”, mas é a poderosa ação do Espírito Santo que faz estes ossos secos retornarem à vida. 





Com o auxílio da graça, portanto, é possível sair da tibieza e passarmos da condição de frios e temerosos a fervorosos no Espírito!





Bibliografia consultada:


Cantalamessa, Raniero. O canto do Espírito. São Paulo: Vozes, 1998.





Fonte: Revista Shalom Maná

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A Criação dos Anjos







A existência dos anjos é dogma, isto é, verdade de fé da Igreja. Trata-se de verdade contida na Sagrada Escritura, proclamada nos Concílios Ecumênicos, afirmada pela unanimidade dos Santos Padres, e ensinada por todos os Teólogos fiéis ao magistério da Igreja. 





A definição dogmática, deu-se no IV Concílio de Latrão realizado no ano 1215. Antes desse Concílio, a existência dos Anjos, fora afirmada e formulada no Concílio Ecumênico de Nicéia I (ano 325), sob o pontificado do Papa São Silvestre, cujo decreto D.54 explica claramente:





" Creio em um só Deus, Pai Todo Poderoso, 


Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis".





Estas palavras são quase que a repetição daquilo que São Paulo ensinava em sua primeira carta aos Colossenses (Col 1,16s).





Todas as referências aos Anjos são feitas considerando-os como seres reais e não como símbolos, abstrações, puras mensagens de Deus, ou personificações literárias dos atributos divinos. A existência dos Anjos como também dos demônios é uma verdade que faz parte da doutrina católica. Temos que partir da convicção, por fé, de que os Anjos de fato existem.





A Bíblia não nos indica o momento de sua criação nem as circunstâncias em que foram criados, no entanto fala inúmeras vezes de suas intervenções diretas na história da salvação e nos destinos da humanidade.





Os anjos foram criados do nada por Deus, "em Cristo", e a serviço de Deus e da Igreja; prestando este serviço em louvor e adoração constantes a Deus e auxiliando o homem de diversas formas.





Quando por um ato de sua livre vontade o Senhor Deus resolveu iniciar a sua criação, Ele o fez de duas formas, ou seja, dividiu sua criação em duas: a criação visível e a criação invisível.





A criação visível de Deus é composta de tudo quanto os nossos olhos podem alcançar, ou melhor, tudo que os nossos sentidos percebem. Já a criação invisível é retrato do próprio Deus, que se faz visível por suas obras mas é de natureza invisível.





A criação invisível de Deus é que, na realidade, une e coordena toda a natureza. Esta criação é super povoada por seres espirituais que têm por nome: Anjos. A palavra anjo tem um significado de mensageiro, enviado, emissário de Deus. Eles existem por um ato da vontade de Deus que os tirou do nada e os trouxe a existência.





Os Anjos de Deus são seres brilhantes e resplandecentes, dos quais emana luz, e são um espelho da glória de Deus. São seres poderosos diante do trono, sua luz intensa irradia energia, porque Deus, a fonte da luz, tem pleno domínio sobre Eles.





A Tradição Católica acredita que o número de anjos criados por Deus é muito superior ao número de homens criados, visto que cada homem, desde Adão até o último que aparecer na Terra, tem um Anjo de Guarda diferente. A Escritura fala de milhares de milhões (Dn 7,10), de miríades (Hb 12,22).


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por 


Comunidade Shalom

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Psicóloga não poderá professar sua fé com pacientes, decide Conselho.




Jornal
eletrônico Sul








A psicóloga Marisa Lobo que trabalha na recuperação de
dependentes químicos e promete também terapias de “cura” da homossexualidade,
tem até o dia 24 de fevereiro para retirar de seus endereços na internet toda e
qualquer opinião religiosa que tenha manifestado até agora.





A
evangélica Marisa foi
denunciada no Conselho Federal de Psicologia (CFP) por
ativistasLGBT e
ateus que discordam com a interferência da religião dela no tratamento dos
pacientes





Marisa foi chamada ao Conselho Regional de Psicologia (CRP) quando ficou
ciente da decisão do órgão sobre a retirada das opiniões religiosas do blog, da
páginas na internet e do twitter. De
acordo com o código de ética do Conselho, Marisa
 
estaria
violando os termos do código ao expressar suas crenças religiosas,
principalmente quando induz posições contrárias à homossexualidade.





Ela assinou um documento e terá 15 dias para adequar o material do
site marisalobo.blogspot.com e do Twitter @marisalobopsico. E 30 dias corridos
para adequar o site ww.psicologiacrista.com.br.





Ao sair da reunião a psicóloga iniciou uma campanha em seu Twitter contra
 “perseguição religiosa”. “Me senti perseguida, ouvi coisas absurdas, uma
pressão psicológica que se eu não tivesse sanidade mental, teria me acovardado
e desistido de minha fé”, escreveu Marisa.





Ela defendeu que teria direito de expressar suas convicções.
“Quando questionei que estavam me pedindo para negar Deus se quiser continuar
exercendo minha profissão, elas se olhavam, e diziam: ‘Não é isso, você pode ter
sua fé mas não pode externar, guarde pra você, pois está induzindo pessoas a
acreditarem em você pela sua influência’”
. A profissional já teria uma
reunião marcada com o senador Magno Malta para tentar reverter a situação.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Frases de Santa Teresa de Ávila





Quem foi Santa Teresa de Jesus: Ela nasceu em Ávila, na Espanha. Mulher de grande inteligência e sabedoria, foi proclamada Doutora da Igreja em 1970 pelo papa Paulo VI, como Mestra de espiritualidade.





Realizou uma grande reforma no Carmelo e fundou outros, inclusive dois de frades. 


Escreveu obras famosas e de grande valor espiritual como “Caminho de perfeição”, “Moradas ou Castelo Interior” e “Livro da vida”. Além de ser a autora do poema “Nada te perturbe”.





Confira um pouco de seu pensamento expresso em frases:





“Quem ama, faz sempre comunidade; não fica nunca sozinho”





“A amizade é a mais verdadeira realização da pessoa”





“Falais muito bem com outras pessoas, por que vos faltariam palavras para falar com Deus?”





“A amizade com Deus e a amizade com os outros é uma mesma coisa, não podemos separar uma da outra”





“Em tempos de tristeza e de inquietação, não abandones nem as boas obras de oração, nem a penitência a que estás habituada. Antes, intensifica-as. E verás com que prontidão o Senhor te sustentará”





“Quem não deixa de caminhar, mesmo que tarde, afinal chega. Para mim, perder o caminho é abandonar a Oração”





“O Senhor não olha tanto a grandeza das nossas obras. Olha mais o amor com que são feitas”





“O verdadeiro humilde sempre duvida das próprias virtudes e considera mais seguras as que vê no próximo”





“Humildade é a verdade”





“Espera um pouco, filha, e verás grandes coisas”





“Vocês pensam que Deus não fala porque não se ouve a Sua voz? Quando é o coração que reza Ele responde”





“O Senhor sempre dá oportunidade para oração quando a queremos ter”





“Falte-me tudo, Senhor meu, mas se vós não me desamparardes, não faltarei eu a vós”





“Quem vos ama de verdade, Bem meu, vai seguro por um amplo caminho real, longe do despenhadeiro, estrada na qual, ao primeiro tropeço, Vós, Senhor, dais a mão; não se perde, por alguma queda, nem mesmo por muitas, quem tiver amor a Vós, e não às coisas do mundo”





“Se tiver humildade, não tenha receio, o Senhor não permitirá que se engane nem engane os outros”





“Uma prova de que Deus esteja conosco não é o fato de que não venhamos a cair, mas que nos levantemos depois de cada queda”





“Se não dermos ouvidos ao Senhor quando Ele nos chama, pode acontecer que não consigamos encontrá-lo quando o quisermos”





“São felizes as vidas que se consumirem no serviço da Igreja”





“Basta uma graça dessas para transformar uma alma por inteiro”





“Não me parecia que eu conhecesse a minha alma, tão transformada eu a via”





“0 olhar de Deus é amar e conceder graças”





“Eu quero ver a Deus e para isso é necessário morrer. Não morro, mas entro na vida”





Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?e=4257&id=




terça-feira, 10 de julho de 2012

Será que sou uma pessoa imatura?




Como é uma personalidade imatura?

Por Enrique Rojas








Será que sou uma pessoa imatura? O autor, renomado psiquiatra espanhol, oferece
aqui dez pontos bastante claros que possibilitam um auto-exame preciso.





A personalidade é a soma dos padrões de conduta reais e potenciais e é
determinada por três fatores: a herança (o nosso patrimônio genético, aquilo
que herdamos os nossos pais), o ambiento (aquilo que nos cerca) e a experiência
de via (a biografia de cada um). A personalidade é a marca própria e específica
de cada um. O cartão de visita. Noutras palavras, a personalidade é uma
organização dinâmica, em movimento, em que confluem s aspectos físicos,
psicológicos, sociais e culturais de um indivíduo. Nós, psiquiatras,
dedicamo-nos à engenharia do comportamento. Somos escavadores das superfícies
psicológicas, procuramos aprofundar na mecânica interna do comportamento, para
corrigi-lo, melhorá-lo, torná-lo mais equilibrado.





A pessoa imatura é uma pessoa a meio caminho, com uma psicologia incipiente,
incompleta, que no está bem acabada e que tem muitos pontos negativos, mas que
pode mudar, melhorar e tornar-se mais sólida, com a ajuda de um psiquiatra ou
de um psicólogo.





Tentarei sistematizar os ingredientes principais da imaturidade, para que o
leitor possa adentrar num tema tão complexo.





1. Defasagem entre a idade cronológica e a idade mental. É uma das
manifestações que mais chama a atenção logo de cara. Não esqueçamos que há
pessoas que amadurecem cedo e outras que levam mais tempo, e isso pode
interferir um pouco na observação.





2. Desconhecimento de si próprio. Conhecer-se a si próprio era uma das
normas do herói grego. No templo dedicado ao deus Apolo, em Delfos, havia a
inscrição: Gnothi Seauton, “conhece-te a ti mesmo”. Trata-se de ter claro que
aquilo que devemos estudar com mais afinco somos nós mesmos, temos de saber
quais são as nossas limitações e as nossas atitudes. O conhecimento dessas
realidades é como que a carta de navegação que nos ajuda a guiar-nos para uma
vida adequada.








3. Instabilidade emocional.[/font] A instabilidade emocional manifesta-se em
mudanças do estado de ânimo: o sujeito passa da euforia à melancolia de um dia
para outro ou mesmo dentro de um mesmo dia. É preciso distinguir essa variação
dos chamados transtornos bipolares. O imaturo é desigual, variável, irregular,
os seus sentimentos movem-se e balançam como um pêndulo, de maneira que ninguém
nunca sabe o que esperar dele. Essa fragilidade é um traço bem característico
da imaturidade. O seu estado de ânimo pode ser representado pelos dentes de uma
serra, uma espécie de montanha russa cheia de oscilações.








4. Pouca ou nenhuma responsabilidade. A imaturidade tem níveis, como
qualquer outro fato psicológico. A palavra “responsabilidade” vem do latim
respondere, que significa “responder”, “prometer”, “satisfazer”. Estar na
realidade é ter consciência das próprias circunstâncias imediatas – o hoje e o
agora –, que são inescapáveis e que ninguém pode menosprezar.





5. Pouca ou nenhuma percepção da realidade. A captação incorreta de si
próprio e das circunstâncias leva o sujeito a ter um comportamento inadequado
nas suas relações intrapessoais (desarmonia consigo próprio) e interpessoais
(não sabe lidar com os outros, não sabe guardar distâncias e proximidades).





6. Ausência de um projeto de vida. A vida não pode ser improvisada. É
preciso uma certa organização, um esquema que planeje o futuro. E os três
grandes temas do nosso projeto de vida devem ser: o amor, o trabalho e a
cultura. E o sujeito imaturo não assume seriamente nenhum dos três. Não se vive
sem amor; o amor deve ser o primeiro motor da vida, que impulsiona e dá força
aos outros dois. Do nosso comprometimento com esses três grandes temas, brota a
felicidade, suma e compêndio de uma vida coerente.





7. Falta de maturidade afetiva. É preciso compreender o que é o amor e
vê-lo como a vértebra da nossa vida sentimental. É o amor que dá sentido à
vida. Mas não há amor sem renúncias. Além disso, é preciso ter a consciência de
que ninguém é absoluto para o outro. Não há amor eterno; ele só existe nos
filmes, nas canções da moda e na cabeça das pessoas imaturas. O que, sim,
existe é o amor trabalhado a cada dia.





Amar não significa ter
sentimentos doces, mas voltar-se juntamente com o outro para as pequenas
realidades cotidianas. No meu livro ¿Quién eres? (“Quem é você?”), descrevo a
maturidade afetiva como uma dimensão à parte, com características próprias e
específicas. Só gostaria de sublinhar uma coisa: como é fácil apaixonar-se e
como é difícil manter-se apaixonado! Assistimos hoje uma verdadeira
socialização da imaturidade afetiva.





8. Falta de maturidade intelectual. A inteligência, assim como a
afetividade, é outra das grandes ferramentas da psicologia. Há muitas formas de
inteligência: teórica, prática, social, analítica, sintética, discursiva,
matemática, analógica, intuitiva e reflexiva...





Mas façamos uma idéia clara: uma
pessoa é inteligente quando sabe focar um tema, fazer raciocínios e juízos
adequados sobre a realidade, quando é capaz de formular um conjunto de soluções
exeqüíveis e positivas para problemas concretos. Na linguagem mais moderna da
psicologia cognitiva: inteligência é saber receber a informação a informação,
codificá-la e ordená-la de corretamente a fim de oferecer respostas válidas,
coerentes e eficazes.





Nesse campo, as manifestações de
imaturidade são ricas e variadas: falta de visão e planejamento do futuro;
hipertrofia do presente e exaltação do instante; falta de justiça nas análises
pessoais e gerais; sérias dificuldades para racionalizar os fatos e
aplicar-lhes um certo espírito cartesiano. A vida é como um viagem e por isso é
importante saber aonde se quer chegar.





9. Pouca educação da vontade. A vontade é uma una joia que enfeita a
personalidade do homem maduro. Se é frágil e não foi temperada pro uma luta
constante, transforma o sujeito em um tipo débil, mole, volúvel, caprichoso,
incapaz de propor-se objetivos concretos, já que tudo se desfaz com o primeiro
estímulo que vem de fora e o faz abandonar a tarefa que levava a cabo. É a
imagem do menino mimado, que é digna de pena: levado, arrastado e tiranizado
por aquilo que é mais gostoso, aquilo que o corpo pede no momento.





Não sabe dizer “não”, fazer
renúncias. Um menino estragado, paparicado, malcriado, que se dobra diante de
qualquer exigência séria, que nunca superará as suas próprias possibilidades.
Um ser que aprendeu a não se vencer, mas a seguir os seus impulsos imediatos.
Por essa via, tornou-se um sujeito volúvel, inconstante, leviano, superficial, frívolo,
que se entusiasma facilmente com algo para abandoná-lo logo que as coisas ficam
minimamente difíceis.





E isso acarreta outras conseqüências. O sujeito apresenta baixa tolerância às
frustrações, é um mal perdedor, pois tem pouca capacidade de superar as
adversidades uma vez que não está acostumado a vencer-se em quase nada; e há
também uma tendência a refugiar-se num mundo fantástico a fim de escapar da
realidade.





10. Critérios morais e éticos instáveis. A moral é a arte de viver com
dignidade, de usar corretamente a liberdade, de conhecer e pôr em prática
aquilo que é bom. Na pessoa imatura tudo está preso por alfinetes que se soltam
facilmente. A moda, a permissividade, o relativismo pautam a sua vida. Ele
segue os vaivens das novidades sem nenhum espírito crítico.





A maturidade é uma das pontes levadiças que conduz à fortaleza da felicidade e
é resultado de um trabalho sério e paciente de perder e agregar, de polir, de
limar, de procurar que a nossa forma de ser seja como uma pedra dessas que
vemos nos rios que quase não têm arestas.


http://www.comshalom.org/webforum/index.php?topic=608.0