sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Padre Lano de Paracatu e Padre Valdeci no Avivamento ocorrido nos dias 17 e 18 de novembro de 2012



Olá,



Estamos fazendo a postagem de algumas fotos do avivamento ocorrido no 17 e 18 de novembro, promovido pela RCC de Vazante, Padre Lano de Paracatu e Padre Valdeci, enriqueceram o mesmo com seus ensinamentos e com o Poder de Deus enviado pelo Espírito Santo.


















Comemorando três anos de vida!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

“Não existe Vida Comunitária se não existir Corações Orantes"


Comunidade Católica Shalom




A Comunidade é um Dom de Deus. Não existe vida comunitária se não existirem corações orantes, se não existirem homens e mulheres de vida de oração. Podemos buscar os subsídios para falar de oração na própria vida de Jesus. 





Jesus continuamente tirava largos tempos da sua vida para estar diante do Pai, para escutar a vontade do Pai, para estar na companhia do Pai. Quando examinamos o Evangelho e, principalmente, o Evangelho de São Lucas, nós vamos ver uma inversão da imagem que geralmente nós temos de Jesus. A imagem que geralmente nós temos de Jesus é como aquele que age, que faz. Porém, no Evangelho de Lucas nós vamos ver que Jesus continuamente está buscando o Pai em oração, e continuamente está mergulhado na oração é que realiza a vontade do Pai, e faz muitas coisas. Jesus ora, e por isso, faz. Ele busca continuamente a vontade do Pai em oração, e por isto põe em prática a vontade do Pai.





Quando fazemos uma leitura atenta do Evangelho, percebemos mais um Jesus contemplativo, um Jesus orante, que justamente porque contemplava e orava realizava a vontade do Pai e fazia muitas coisas, do que um Jesus que fazia muitas coisas e também rezava.





Se nós formos fazer uma leitura atenta do Evangelho, vamos ver que Jesus dava primazia à oração. Grande parte do seu tempo, era dedicado ao encontro com o Pai e, por causa disso, transbordava a sua vida, e que porque orava, fazia muitas coisas e realizava a vontade do Pai no meio dos homens e no mundo. Devemos aprender com Jesus a ser homens e mulheres orantes, e aprender a rezar com Jesus.





No Evangelho de Lucas 3,21-22, temos que: "Ora, ao ser batizado todo o povo. Jesus também ele rezava. Então, o céu se abriu, o Espírito Santo desceu sobre Ele sob uma aparência corporal como uma pomba e uma voz veio do céu: "Tu és o Meu Filho, eu hoje te gerei". Essa passagem abre a vida pública de Jesus, marca o início da sua missão. Jesus vai em busca de João Batista, porque " É necessário que se cumpram as Escrituras".





Quando ouvimos falar do Batismo de Jesus geralmente imaginamos João Batista derramando a água sobre a cabeça de Jesus para em seguida o Espírito Santo vir do céu, como se João Batista atraísse esta manifestação na vida de Jesus. Mas o ato que abre o céu é a oração de Jesus. Por esta razão é que o Espírito Santo vem sobre Ele e a voz do Pai: " Este é meu filho amado, sobre ele, eu coloco toda a minha afeição".





O Espírito Santo só vem sobre nós e a voz do Pai ressoa em nosso coração pela oração. É a oração de Jesus que atrai o Espírito Santo e abre os nossos ouvidos para ouvir a voz do Pai. É o próprio Jesus que nos ensina! Só orando nele, por Ele e com Ele que podemos atrair o Espírito Santo.





Não pode haver vida cristã sem o Espírito Santo, não podemos ser transformados ou conformados a Cristo sem o Espírito. O Espírito Santo não atuará em sua vida se não for por meio da oração, ela nos faz usufruir do poder que existe nos Sacramentos.





Os Sacramentos continuam eficazes por si mesmos, mas não são frutuosos se não usufruímos da graça que nós recebemos. É a oração que nos faz usufruir das graças da abertura do céu. É a oração que faz com que nós sejamos cheios do Espírito Santo. Jesus antes de começar a sua missão, antes de fazer qualquer coisa, orou, suplicou, foi para diante do Pai. Ao orar, o céu se abriu e foi ungido pelo Espírito Santo para realizar a Sua missão. Também nós, não seremos nada, não faremos nada, se isso tudo não for gerado dentro de nós pela oração. Por isso, nossa ação será infrutífera, nossa vida não será transformada e as graças que nós recebemos pelos sacramentos não serão frutuosas em nós se não rogarmos, se não sedimentarmos pela vida de oração, não podemos ser verdadeiramente cristãos.





Nós não seremos ungidos para pregar, para agir, para viver o nosso dia a dia, porque nós não ouviremos e nem faremos a vontade do Pai. Por isso, Jesus nos dá esse grande e primeiro ensino.





Se o céu está fechado na sua vida irmão, é porque você não está orando, não está se colocando de joelhos diariamente diante de Deus, ainda não deixou que Deus fizesse de você um homem ou uma mulher de oração. A oração atrai o Espírito Santo! Se você não se sente cheio e pleno do Espírito, se você não percebe que Ele é o condutor da sua vida, é porque falta a oração. A oração atrai o Espírito Santo, faz com que Ele venha nos envolver e nos conduzir, nos dirigindo e nos fazendo viver a vida no Espírito. Se você não consegue escutar a vontade do Pai para a sua vida, se você não sabe discerni-la, é porque falta a oração. É pela oração que a voz de Deus se manifesta na nossa vida.





Eu convido agora você a fechar os olhos por um momento e silenciar diante da presença de Deus, diante do Espírito Santo que habita no seu coração, pedindo que venha ser a força do Alto que retira você de si mesmo e lhe remete para Deus e para os seus irmãos. Foi para isso que você foi criado: para o outro. Peça ao Espírito Santo que venha sobre você.





Ele é o filho de Deus, e, mesmo assim, precisou orar. Dedicou um largo tempo à oração. Talvez você possa até questionar: “Eu não preciso rezar, pois a minha vida já é uma vida de oração”. Desculpe! Tal atitude pode ser considerada como hipocrisia e mentira. Desculpe, mas essa é a única verdade! A sua vida precisa ser uma vida de oração. Sua vida só pode ser uma vida de oração se você tiver oração dentro da sua vida, senão, ela não será, verdadeiramente, uma vida de oração. Ainda assim, você pode levantar a questão: “Mas eu já sou ocupado demais”. Ninguém é ocupado demais para não dar tempo para Deus.





Madre Teresa de Calcutá e suas irmãzinhas tinham duas horas de oração diária. Além disso, precisavam cuidar de muitos doentes. Tinham milhares e milhares de pessoas moribundas, das mais pobres, além de hospitais enormes onde não havia nenhum funcionário. Elas cuidavam de tudo como voluntárias. Certa vez, chamaram a Madre e disseram: “Madre, o trabalho é muito, não está dando para a gente ter duas horas de oração”. Madre Teresa olhou para elas e disse: “O trabalho está demais. Não vamos rezar só duas horas não, vamos rezar quatro. Porque se não estão dando conta do trabalho, é porque vocês estão rezando pouco. Porque, quando oramos verdadeiramente, a graça de Deus faz multiplicar a nossa ação. Realizamos muito mais, porque realizamos pelo poder de Deus”. A partir daquele tempo, as irmãzinhas não rezaram mais só duas horas, mas rezaram quatro horas por dia e tudo deu tranqüilamente. Elas se tornaram muito mais capazes.





Podemos examinar ainda outra passagem: Lc 4, 1-2.


“Jesus, repleto do Espírito Santo, voltou do Jordão e estava no deserto conduzido pelo Espírito, durante quarenta dias, e era tentado pelo diabo”.





Alguém indo para o deserto ou subindo a montanha, significa alguém que procura a oração. Na Sagrada Escritura, o deserto é um lugar de encontro com Deus, assim como a montanha, indicam locais privilegiados para falar do orante que deseja Deus, são locais de oração.





Para atrairmos o Espírito Santo precisamos de oração. A oração atrai o Espírito Santo e o Ele conduz à oração. O Espírito Santo leva Jesus para o deserto, leva-o para a oração. É incompreensível que alguém possa considerar-se conduzido pelo Espírito se considera desnecessário rezar. O Espírito sempre leva a oração!





Quando estamos repletos do Espírito Santo, Ele nos conduz a oração e, conseqüentemente, a vida de oração. 


Conduzido ao deserto, Jesus é tentado pelo diabo: “(…) Conduzido pelo Espírito, durante quarenta dias, e era tentado pelo Diabo”.





Quando nós nos decidimos pela oração, decidimos por encontrarmo-nos com Deus, e sermos homens e mulheres de oração. No entanto, sempre encontramos no meio do caminho o diabo, porque, ele é aquele que se opõe ao nosso encontro com Deus. Ele inventa e põe questionamentos na nossa cabeça para que nós não nos dediquemos a oração. Santa Teresa D’Ávila, doutora da Igreja, dizia uma coisa muito importante: “O homem e a mulher que vivem de oração já venceram o diabo”.





Se pudesse, subia no mais alto monte do mundo, a mais alta montanha e gritava aos homens: “Orem! Orem!” O inferno inteiro se mobiliza quando ele vê um homem ou uma mulher que se decide a ser um homem ou uma mulher de oração com o intento de demovê-lo dessa decisão, pois o inferno inteiro sabe que aquele que ora já está perdido para ele.








Mas, porque é tão difícil ter uma vida de oração? O mundo inteiro se levanta para que você não seja um homem ou uma mulher de oração. A oração é um combate, como o próprio Jesus conduzido pelo Espírito foi para o deserto e o demônio se colocou lá para combater contra ele. Por isso, a oração é um combate, mas pelo poder do Espírito somos mais do que vencedores. O demônio vai combater nos pontos mais frágeis do homem que deseja rezar, com raciocínios, idéias e justificativas.


O demônio tentou Jesus por meio de Palavras do próprio Deus. Ele utilizou palavras das próprias Escrituras e as deformou. Ele usa a Palavra de Deus, mas não da forma como Deus quer, as usa de uma maneira deformada: “Se tu és o Filho de Deus, ordena que está pedra se transforme em pão. Jesus lhe respondeu: ‘está escrito, não só de pão viverá o homem’”. Na última tentação ele diz: “Se és filho de Deus, joga-te daqui para baixo; pois está escrito: Ele dará a teu respeito ordem a seus anjos de te guardarem, e ainda: eles te carregarão nas mãos para que não contundas o pé em alguma pedra. Jesus lhe respondeu: ‘está escrito: não porás à prova o Senhor teu Deus’”. Desde a primeira tentação, o demônio usa e deforma a própria palavra de Deus e, muitas vezes, é o que vai acontecer na nossa vida.





Nós devemos enfrentar a tentação orando mais intensamente e usando o poder da própria Palavra de Deus aplicada no seu sentido correto, como o próprio Jesus o fez com o maligno. Assim nós venceremos a tentação.





A oração é um caminho de alto conhecimento. Jesus, no deserto, vai mostrar os grandes pecados que afligem a vida do homem: o poder, o possuir e o prazer. A oração vai nos mostrar o que está desconforme na nossa vida e nos dará a força de vencer, por isso, também muitos de nós fugimos da oração.





Quanto mais nós oramos, mais permitimos que a luz de Deus brilhe sobre nós. A luz de Deus, brilhando sobre nós, faz aparecer as nossas manchas; nossas feridas; nossos pecados. Não suportamos, muitas vezes, olhar para esta realidade e preferimos não rezar. Preferimos não orar para não nos conhecermos e, desta forma, para não deixar Deus mexer em nossa vida.





Mas quando deixamos Deus mexer até aonde não queremos que Ele mexa, Ele nos transforma e nos santifica. Sem oração pensamos que está tudo bem, mas, na realidade, está tudo mal.


Santa Teresa, que é mestra na vida de oração, diz assim: “Se você pegar um copo de vidro, chegar num rio e enchê-lo com a água, se este for um lugar que não tenha a luz, ao olhar para água do copo poderá dizer: “Esta água está boa, ela está limpa”. Mas, se você pegar esse mesmo copo e colocá-lo diante da luz do sol, vai perceber que aquela água está cheia de impurezas.





Se Tereza vivesse no nosso tempo, diria: “Se você pegar esta água e colocá-la na luz de um microscópio, vai assustar-se ao ver quantas impurezas tem esta água”. Assim é nossa vida que, longe de oração, é como aquela água: nas trevas parece estar limpa, mas quando bebe vai se gerando vermes que destroem todo o nosso ser. Quando, pela oração, colocamos nossa vida à luz de Deus vamos percebendo as impurezas da nossa vida e assim teremos condições de sermos sadios e felizes. A oração nos leva também por esse caminho, santo e único caminho de auto conhecimento e de transformação pela graça de Deus.





Tomemos dois textos do Evangelho de Lucas que nos ensinam um pouco mais da vida de oração de Jesus:


Lucas 4, 42-44: “Quando clareou o dia, ele saiu e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam; Depois, tendo-o encontrado, queriam retê-lo, para que não se afastasse deles. Mas ele lhes disse: ‘às outras cidades também é preciso eu anuncie a Boa Nova do Reinado de Deus, pois é para isso que eu fui enviado’. E ele pregava nas sinagogas da Judeia”.





Lucas 5, 15-16: “Falava-se de Jesus cada vez mais, e grandes multidões se reuniram para ouvi-lo e para se fazerem curar de suas doenças. E Ele se retirava aos lugares desertos e rezava”.


Essas duas passagens são significativas para nós. Jesus é aquele que ora e, por conseqüência, faz. Jesus não é aquele que não tinha tempo para a oração, mas a oração tinha a primazia em sua vida. A primeira coisa que Jesus fazia era ir para um lugar deserto, depois, Ele realizava sua missão. A segunda passagem mostra o povo afluindo para Jesus e as imensas atividades pastorais que Ele precisava realizar. Sua fama se estendendo por todas as regiões, as graves necessidades do povo doente e necessitado de libertação. Jesus curava e libertava, mas em um determinado momento despedia o povo, afim de retirar-se para orar.





Vemos duas coisas inversas nessas passagens: a primeira é Jesus orando e depois dedicando-se intensamente ao povo. Todos queriam que ele permanecesse mais, porém como ele orava, sabia qual era a vontade do Pai e não se deixava engolfar pelas atividades. Ele não era levado pelas circunstâncias, era levado e conduzido pelo Espírito de Deus. Porque orava, chegava a despedir o povo mesmo no meio de clamores. Não temos desculpas. Mesmo em meio às necessidade pastorais, é necessário reservar à oração uma primazia.





Exatamente por isso, temos motivo para orar. Não deve ser por causa das muitas responsabilidades que a oração deve ficar sem tempo.


Pobres daqueles sobre os quais você tem responsabilidade se não lhe sobra tempo para oração. Pobre dos integrantes das comunidades que tem como pastores-coordenadores, homens ou mulheres, que são tão dedicados a eles, mas não se dedicam a Deus. Não é Deus que está sendo glorificado. O próprio filho de Deus, cuja missão era salvação de toda a humanidade, antes de qualquer coisa orava e chegava a interromper, a despedir multidões para ir em busca do Pai, da presença do Pai.





Tomemos o texto de Lucas 6, 12-13:


“Naqueles dias, Jesus foi a montanha para orar e passou a noite orando a Deus, depois, quando amanheceu, chamou seus discípulos e escolheu doze deles, aos quais deu o nome de apóstolos”.


Devemos notar nesta passagem que a oração de Jesus foi intensa: “passou a noite”. Jesus nada fazia que não tivesse sido antes ruminando pela oração diante do Pai. Tudo o que ele fazia, passava antes pelo coração do Pai. Nós não podemos tomar as nossas decisões pessoais, pastorais e comunitárias sem repassá-las diante de Deus pela oração. Corremos o perigo de realizar a nossa obra, o nosso projeto e o nosso plano, esquecendo que o projeto é de Deus, a obra é de Deus, e porque é de Deus, temos que repassá-la em oração. A nossa vida é de Deus, a obra é de Deus, a comunidade é de Deus, o grupo é de Deus e, por isso, as decisões que nós tomamos, temos que toma-las segundo a sua orientação, ao invés de simplesmente confiarmos na nossa experiência, na nossa capacidade.





Lc 9, 28-33: “Ora, cerca de oito dias depois dessas palavras, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, o aspecto do seu rosto mudou a sua roupa se tornou de uma brancura fulgurante. E eis que dois homens conversavam com Ele; eram Moisés e Elias; aparecendo na glória, falavam da partida de Jesus que ia se realizar em Jerusalém. Pedro e os seus companheiros estavam acabrunhados de sono; mas, acordando, viram a glória de Jesus e os dois homens que com ele estavam. Ora, como estes se apartassem de Jesus, Pedro lhe disse: ‘Mestre, é bom que estejamos aqui; ergamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés, outra para Elias’. Ele não sabia o que dizia”.





Jesus foi para a montanha orar e, orando, foi transfigurado; a glória de Deus brilhou nele. Temos um grande erro na nossa vida de oração que, muitas vezes, faz desistirmos dela. Buscamos a vida de oração, simplesmente, como um meio para agradar nossas sensibilidades, quando nada sentimos às vezes nos frustramos e, não queremos mais rezar.





Devemos perseverar na oração, sentindo ou não sentindo, gostando ou não gostando, com gozo ou sem gozo, porque ainda que importante, isso não é o mais importante. O mais importante é a visita de Deus, que ocorre no nosso coração e na nossa alma quando oramos. Uma transfiguração invisível ocorre dentro de nós quando rezamos, vamos nos transfigurando em Cristo. Podemos até ter, se Ele quiser, grandes surpresas na sua vida de oração, onde os seus sentimentos também gozam dessa presença de Deus, mas isso não é o mais importante, é importante, mas não o mais. O mais importante é a obra que Deus deseja realizar em nós, com sentimento ou sem sentimento.





Quando rezamos nós somos curados e libertados, a glória de Deus se manifesta em nós. E nunca caiamos na tentação de sair da oração achando que nada aconteceu. Sempre que orarmos, em Espírito e em verdade, sairemos da oração um outro homem, uma outra mulher. Deus terá operado nas nossas vidas.





Lc 10,38-42:


“Estando eles a caminho, Jesus entrou em uma aldeia, e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Tinha ela uma irmã chamada Maria, que, tendo se assentado aos pés do Senhor, escutava a sua Palavra. Marta se afobava num serviço complicado. Ela se aproximou e disse: ‘Senhor, não te importa que a minha irmã me tenha deixado sozinha a fazer todo o serviço? Dize-lhe, pois, que me ajude’. O Senhor lhe respondeu: ‘Marta, Marta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas. Uma só é necessária, foi Maria que escolheu a melhor parte: ela não lhe será tirada’.





Muitas pessoas colocam esse Evangelho como uma oposição entre a contemplação e a ação, não deve ser assim. Jesus critica Marta, mas sua crítica não era porque ela estava preocupada em servi-lo. Marta está agoniada e Maria está aos pés de Jesus. Marta usa a expressão “dize”, está mandando. Ela usa o imperativo: “dize a Maria que venha me ajudar”. Neste ponto, Jesus faz a crítica fundamental a Marta: “Marta, tu te inquietas com muitas coisas, uma só é necessária e Maria escolheu a melhor parte que não lhe será tirada”. A crítica fundamental que Jesus faz a Marta não é porque ela trabalha, é porque dá a primazia ao trabalho. Maria, no entanto, entendeu que essa primazia é da oração.





Jesus mostra nessa passagem a primazia de estar com Deus para tudo fazer por Deus. Nós podemos fazer muitas coisas para Deus, isto é bom e agradável, mas se na nossa vida a primazia não for estar com Deus para depois fazer por ele. Quando nós não damos a nossa presença, o nosso ser, para Deus todo trabalho perde o sentido. Para o discípulo de Jesus a oração é uma primazia, ela vem à frente, e depois, consequentemente, vem o trabalho. É preciso realizar tudo em nome de Jesus, é necessário fazer coisas, se Marta não fizesse o almoço todos passariam fome, mas a primazia é receber o Mestre, é sentar-se aos seus pés e ouvir a sua voz, depois fazer o que ele manda. Esta é a primazia, não é fazer desesperadamente as coisas para ele e por ele sem nem saber o que ele quer.





Lc 11,1: mais uma vez vemos Jesus orando: “Um dia, ele estava num lugar em oração. Quando terminou, um dos discípulos lhe disse: ‘Senhor, ensina-nos a rezar, como João ensinou a seus discípulos’”.





O maior mestre de oração é o próprio Jesus. Quem deseja aprender a orar, deve fazer como os discípulos: voltar-se para Jesus e dizer-lhe: “Senhor, ensina-me a orar”. O mais magnífico, é que isto já é oração. Se dissermos: “eu não rezo porque não sei rezar”, façamos dessas palavras a nossa oração. Fiquemos o tempo que pudermos pedindo: “Senhor, ensina-me a orar”. Ele próprio ensinará a orar os que assim suplicarem. Jesus, pelo seu Espírito, nos ensina a orar. Rezando é que a gente aprende a rezar. Ler toda teologia mística sobre a oração pode até ajudar, mas não é suficiente. Se desejamos aprender a orar, busquemos Jesus e peçamos que Ele nos ensine, é assim que se aprende a orar.





Se encontrar-mos um grupo que não reza, devemos questionar qual a vida de oração de seu coordenador-pastor Porque quando este reza as pessoas se aproximam e pedem que lhes ensine a orar. Pedem porque podem ver Jesus orando nele. O cooedenador-pastor pode dizer para elas: “você quer aprender a rezar, então, diga: Jesus, ensina-me a rezar”.





Aqueles que estão ao seu redor de um homem ou uma mulher de oração, serão também atraídos por Jesus que reza nele ou nela. Verão a beleza da oração de Jesus e se sentirão atraídos, aprendendo a rezar.





Mas qual é o conteúdo da oração de Jesus? O conteúdo da oração de Jesus podemos encontrar em Lc 10, 21-22: “Nessa hora, Jesus exultou sob a ação do Espírito Santo e disse: ‘eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, por teres ocultado isso aos sábios e aos inteligentes e por tê-lo revelado aos pequeninos. Sim, Pai, foi assim que tu dispusestes em tua benevolência. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece quem é o Filho a não ser o Pai, nem quem é o Pai a não ser o Filho e aquele a quem o Filho aprouver revelá-lo”.





“Eu te louvo, Pai-Abba, porque sou teu filho e tu revelas isso aos corações que são simples e pequeninos”. Eis o primeiro conteúdo da oração de Jesus. O Espírito faz com que exulte de alegria no Pai. A oração de Jesus é sempre no Espírito. Chama-o Pai porque ele é o Filho, só os corações simples podem descobrir a beleza de ser Filho de Deus. A primeira dimensão do conteúdo da oração de Jesus é a alegria de ser filho de Deus, essa também deve ser a primeira dimensão do conteúdo da nossa oração.





A grande descoberta do Abba, do Deus que é Pai. Abba quer dizer “papaizinho” em hebraico. Somos chamados a exultar de alegria porque Deus é nosso Pai, porque seu amor nos envolveu, porque o seu amor existe em nós, Ele nos criou, nos salvou, nos redimiu por amor. Porque somos filhos, temos confiança no nosso Pai, a nossa vida está em suas mãos. Eu confio nele, porque mesmo passando no vale de trevas, não vou temer, porque Ele é meu Pai. Eu louvo em todas as circunstâncias, em toda situação. Abba, Pai. Eis o primeiro fundamento, a primeira essência da nossa oração. Olhar para Deus, como Pai, e dizer bendito. Só ora um coração pequenino que descobriu a Deus como Pai, essa é a primeira revelação da oração.





O Espírito Santo convence o nosso coração do amor e da paternidade de Deus, por isso nosso coração exulta de alegria e de confiança. Confio em ti, Aba, Meu Pai. A nossa oração se quer ser como a de Jesus, deve está envolvida pelo louvor e por esse amor a Deus Pai. Em todas as circunstâncias contemplamos a beleza infinita do que é ser Filho do Pai. Não estamos abandonados, não precisamos viver na desconfiança nem no medo. A nossa oração não pode nem deve ser desesperada, mas de confiança total e absoluta, de abandono nas mãos do Pai. Oração feliz por Ter Deus como Pai. Essa é a primeira dimensão do conteúdo da oração de Jesus.


Mas há uma outra dimensão na oração de Jesus que está em Lc 22, 42-42: “Pai se quiseres afastar de mim esta taça...No entanto, não se faça a minha vontade, mas a tua! Então apareceu-lhe do céu um anjo que o fortificava”.





A primeira dimensão da oração de Jesus, que vimos acima, é a dimensão de júbilo: “ Eu sou filho, sou amado por ti, fui criado por ti, fui redimido pelo teu poder. Pai, eu sou feliz. Eu confio em ti, tudo tu me deste, sou teu, tudo o que eu tenho é teu, bendito, sou feliz porque sou filho”. A segunda dimensão, que deriva justamente da primeira, é a dimensão de oferta, de entrega de vida, de doar-se inteiramente ao Pai: “ Pai faça-se a tua vontade. Cumpra-se em mim a tua vontade. Faça-se em mim. Pai”.





De acordo com esta dimensão, devemos comprender que não oramos para mudar a vontade de Deus, mas para que Ele nos mude, nos adapte à sua vontade. Às vezes pensamos em rezar para mudar a vontade de Deus a nosso respeito, mas na realidade oramos para que nós mudemos, para que a graça de Deus nos mude e nos adapte à Sua vontade perfeita. Esta é a oração no Espírito, verdadeira fonte de vida e de felicidade: “Porque Deus é tão bom, porque Deus é meu Pai, eu confio tanto nele que a vontade dele é o melhor para minha vida, então, faça-se a tua vontade na minha vida, Pai, mesmo que essa vontade seja um cálice amargo, que tenha aparências de dor, mas por trás dela há amor, há vida, há felicidade. Então, faça-se em mim a tua vontade!





A oração não é para mudar Deus, mas para sermos transformados, para compreendermos a beleza da paternidade de Deus e termos uma confiança absoluta na sua santa vontade, seja ela qual for, mesmo quando ela se apresente como cruz, porque e só por meio dela virá a ressurreição.





Fonte: http://www.comshalom.org/formacao/comunidadesnovas/nao_existe_vida_comunitaria.html

A Pobreza Espiritual



Comunidade Católica Shalom


No evangelho de São Lucas, Jesus diz: "Guardai-vos escrupulosamente de toda avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas" (12,13). E logo depois Ele conta a parábola de um homem bastante rico que não tem onde recolher sua plantação. Esse homem, que já tem um celeiro e deseja fazer um celeiro ainda maior - no qual porá todos os seus bens e depois descansará - é chamado por Deus de insensato.


A avareza


Quando começamos a ler essa parábola, encontramos uma palavra muito forte: "escrupulosamente". Jesus aqui está falando de uma idolatria, que se chama avareza. 





E São Paulo vai nos dizer: "Que terrível idolatria é a avareza". Quando Lucas mantém a palavra "escrupulosamente" é porque Jesus está falando de uma coisa muito séria, da qual depende perder ou ganhar a alma, ir para o céu ou para o inferno. 





A idolatria ao dinheiro pode levar o homem ao inferno. E quando falamos em dinheiro, não falamos apenas de dólar, real ou lira, mas daquilo que possuímos, daquilo que temos. E do risco que corremos de entesourar, como esse homem da parábola fez: ele já tinha um celeiro, mas construiu um maior. Ele não pensou em repartir a herança com os pobres. 





Assim somos nós! Eu tenho roupa suficiente, mas se ganho dinheiro, não penso em repartir com os pobres, penso em ter mais roupas, embora eu não precise. Já tenho meu carro, mas se ganho dinheiro, penso em comprar um carro melhor, outro carro; não me passa pela cabeça que aquele dinheiro me foi dado para repartir com os pobres. Porque a idolatria dos bens, do dinheiro, me faz juntar casa a casa, comprar uma casa mais luxuosa, um carro mais luxuoso, uma roupa desnecessária, um móvel desnecessário, uma casa desnecessária.





E o salmo 148 diz: "Quando um homem se torna muito rico, aumenta o luxo de sua casa. Morrendo, ele nada levará consigo e a sua fortuna não descerá com ele aos infernos".





Jesus fala, portanto, de uma questão de salvação. Vejamos o que diz Santa Teresa: "Escutai, vós que desejais possuir riquezas, ter posses: apoiar-se sobre as riquezas é apoiar-se sobre o ferro em brasa". E João Paulo II diz: "Entre as exigências de renúncia que Jesus propõe aos seus discípulos - não é uma opção ou uma escolha, é uma exigência - figura a renúncia aos bens terrenos, e em particular às riquezas". É uma exigência dirigida a todos os cristãos e que se refere ao espírito de pobreza, isto é, o desapego aos bens terrenos, desapego que nos faz ser generosos para reparti-los com os outros.





A avareza, a idolatria dos bens, é oposta ao evangelho. Nós todos deveríamos ter isso na cabeça, porque encontramos muitas desculpas para não nos despojarmos, para não imitar Jesus, para não partilhar os nossos bens.





A pobreza espiritual





São Francisco de Sales diz uma coisa muito interessante: "Quando o fogo do amor está em um coração, todos os móveis voam pela janela". Porque o meu coração se despoja, dá. Você quer saber se o fogo do amor está em seu coração, se você ama a Deus? Abra a janela da sua casa, se os móveis voarem pela janela, é sinal que você ama a Deus; se os móveis continuarem presos ao chão, é sinal que você não ama a Deus.





Quando São Francisco de Sales dizia isso, no século XVI, os móveis eram pesadíssimos, não eram como os nossos hoje que são levíssimos, e até esses ficam pregados.





Muitas vezes eu penso que nós não temos ainda nossa sede própria do Shalom, que nós não trabalhamos ainda com os pobres como deveríamos trabalhar - aliás, não penso, tenho certeza - porque os nossos móveis ainda não voaram pela janela, porque o amor de Deus não é ainda grande no meu coração, a ponto dos meus móveis, carros, carruagens, roupas saírem voando janela afora, eu ainda quero mais. Ainda me apego ao que tenho, e se me derem mais algum dinheiro eu compro mais daquilo que tenho, ou coloco numa poupança que já tenho para garantir meu futuro. E isso garante meu futuro, no inferno.





Outra coisa que João Paulo II ensina: "A pobreza é um compromisso de vida inspirada pela fé e pelo amor a Cristo". Quem inspira a pobreza não são os estatutos, não é o formador ou esse ou aquele santo, não é um pobre que está no meio da rua, não é um livro bonito, é a fé e o amor a Jesus Cristo. O Papa diz mais: "É o Espírito que exige também uma prática. O espírito de pobreza vale para todos e cada um necessita colocá-lo em prática, de acordo com o evangelho". O espírito de pobreza vale para todos!





Quando nos deparamos com a ordem de Jesus: "Guardai-vos escrupulosamente da avareza", ou seja, guardai-vos de ter casa sobre casa, bens sobre bens, celeiros sobre celeiros, às vezes podemos dizer: "Ah, mas eu sou um homem de negócios, tenho de prosperar". O que é, de fato, prosperidade? Qual o espírito capitalista, consumista que te move? Certamente, não é o espírito do evangelho.


O espírito do evangelho não é um espírito capitalista, nem consumista; é um espírito de partilha. Não é também um espírito comunista, nem socialista; é um espírito de partilha, de comunhão de bens. Os bens são divididos e não acumulados ou socializados ou unificados. Partilhados por amor, e não divididos por uma imposição do Estado.





O espírito de partilha do evangelho não é conivente com o capitalismo nem com o socialismo nem com o consumismo nem com o neoliberalismo ou o nome que você quiser dar. O homem nunca encontrou o que está óbvio no evangelho: "A salvação da alma do homem, a salvação da sociedade, a paz da humanidade vem pelo espírito evangélico de partilha". E nós, que somos a comunidade da paz, para promovermos a paz entre os povos, entre as nações, precisamos viver para depois pregar o espírito evangélico de partilha, independente de qualquer sistema econômico.





Precisamos viver independentes do sistema econômico no qual estamos, seja ele qual for. Porque aí poderei ir do Brasil para a África, de Xangai para a Groenlândia, posso ir para Macau ou para Brasília. Onde eu estiver estou livre, seja do comunismo, seja do capitalismo, seja do socialismo, seja do neoliberalismo; sou livre porque vivo a partilha, a comunhão de bens. Vivo a partilha que vem do amor a Jesus.





Cada vez mais precisaremos viver essa pobreza de que fala o Papa, para podermos pregar o evangelho. Se não, seremos como o sepulcro caiado, que por fora é bonito, mas por dentro é cheio de podridão.





O Frei Cantalamessa, baseando-se no pensamento de Santo Agostinho, diz que o espírito de pobreza não se entende quando se tem por base o tempo: "Eu creio que não haja palavra mais urgente para trazer-se presente na vida do que a palavra eternidade". Porque quando digo "eternidade", todos os bens se relativizam. Tudo fica relativo. 





O demônio nos prende a este tempo, a este lugar, a estas pessoas, a estes bens, a estas posses, aqui e agora. Deus nos liberta destes bens, deste mundo, desta vida, destas pessoas para a eternidade. Então, se o meu ponto de vista é a eternidade, minha vida será livre dos bens, não vou ser um idólatra do dinheiro nem das preocupações com os bens, não vou ser um idólatra do ter sempre mais nem deste ou daquele sistema. Vou estar livre, porque quando o meu referencial é a eternidade, tudo se torna ínfimo, tudo se torna muito pequeno.





Você pode se perguntar: "Nestes dias, meu Deus, com o que tenho me preocupado mais: com a eternidade ou com o que vou comer? Com a eternidade ou com o que tenho ganho? Com a eternidade ou com o que tenho que pagar? Com a eternidade ou com o que tenho que vestir?


Santo Agostinho diz: "À luz da eternidade, o rico parece um pobre mendicante, que teve uma noite só um belíssimo sonho; sonha que choveu sobre ele do céu uma grande herança. No sonho, vê-se recoberto de vestes esplendorosas, circundado de peças de ouro e prata, possuidor de campos e vinhas. No seu orgulho, despreza até seu pai, e faz de conta que não o reconhece. Mas eis que pela manhã, este homem levanta-se e se vê com um punhado de moscas nas mãos". O que ele quer dizer? Quando tenho em mira a eternidade, o homem mais rico entre os ricos é como um pobre mendigo, que sonha que ficou rico de repente.





Os celeiros





Em Fortaleza, o Pe. Daniel-Ange falou sobre a pretensão que temos de acumular nos celeiros e que queremos acumular cada vez mais os nossos celeiros, o luxo que queremos aumentar dos móveis que nunca voaram pela janela. O luxo que aumento nos meus carros, o luxo que aumento em minhas roupas, e não partilho com uma criança que está rua. Porque dá trabalho, porque é um viciado, porque hoje dou dinheiro e amanhã e ele volta para a rua. Porque se eu for fazer o serviço bem feito, vou ter de me meter "lá onde Judas perdeu as botas", conhecer a família dele, cuidar da escola dele, isso dá muito trabalho e eu sou muito ocupado!





Na minha Bíblia tem uma parábola que fala que um passa muito apressado porque tem de ir para o Templo, outro passa muito apressado porque vai resolver os seus negócios, e só o samaritano pára e socorre o homem que está no chão. Nós precisamos crescer no amor ao evangelho, na coerência, no chamado à pobreza evangélica, que, como ouvimos João Paulo II dizer, é para todos. É um dever, um compromisso de todos.





Quando Jesus diz: "Guardai-vos escrupulosamente da avareza", Ele está falando de céu ou inferno, de vida eterna ou perdição eterna.





Na mesma passagem de Lucas 12, no versículo 20: "Deus, porém, lhe diz: 'Insensato, nesta mesma noite, ser-te-á reclamada a alma. E as coisas que ajuntaste, de quem serão?' Assim acontece ao homem que entesoura para si mesmo e não é rico para Deus". 





O profeta Isaías fala da pobreza espiritual: "Deus é um refúgio para o fraco, refúgio para o pobre em sua tribulação". Deus não é refúgio para o forte porque o forte não precisa de refúgio. O que pode tudo neste mundo não precisa de refúgio.





Às vezes alguém diz: "Ah, eu tenho cinco apartamentos, doze carros, dez fazendas... mas sou pobre de espírito, porque estou abandonado nas mãos de Deus". Não está! Se você tem cinco apartamentos, doze carros, dez fazendas, não diga que está abandonado nas mãos de Deus, não se iluda! Agora, se você tem isso e reduz ao mínimo que você precisa, e o resto partilha com os pobres, aí você pode seguir Jesus. Se você fica com o que é necessário para viver, e o resto partilha com os pobres, aí você é pobre de espírito.





Se você não restringe o que tem ao necessário para viver, você ainda não será pobre em espírito, porque ainda estará ajuntando bens sobre bens. É preciso coragem de partilhar, coragem de dar, a coragem que vem do amor. É dever nosso, como batizados, viver com o que precisamos, e não ter mais do que precisamos. É dever nosso dar o que não precisamos, partilhar o que não precisamos. Isso é uma graça, a graça da pobreza espiritual, a graça do abandono nas mãos de Deus. Isso é para homens e mulheres convertidos, homens e mulheres de coragem, que vivam o evangelho.





Olha o que diz João Paulo II sobre a pobreza de espírito: "Pobres de espírito são aqueles que, carecendo de bens terrestres, sabem viver com dignidade humana os valores de uma pobreza espiritual rica de Deus. E pobres de espírito são aqueles que, possuindo bens materiais, vivem o desprendimento interior e a partilha de bens com os que sofrem necessidades". 





São Francisco vai mais a fundo: "Muitos há que são devotos na oração, são fortes no culto divino, praticam muito a abstinência, a mortificação corporal, mas por causa de uma única palavra que lhes possa ferir o próprio eu, ou por causa de algum bem que se lhes tire, logo se mostram escandalizados e ficam perturbados. Estes não são pobres de espírito, não odeiam a si mesmos e não amam os que lhe batem na face, segundo o evangelho".





Esse tema da pobreza, para quem é cristão, é sinônimo de muita reflexão, de muita oração, de muita conversão. E o prêmio é a liberdade. A liberdade para evangelizar. Quem não é pobre de espírito, quem ainda é avaro, não tem como pregar o evangelho. É preciso que sejamos livres dos bens da terra a ponto de partilhá-los, e só depois de partilhá-los seremos livres para evangelizar.





Fonte:http://www.comshalom.org/formacao/espiritualidade/pobreza_espiritual.html









Sois semelhantes aos sepulcros caiados








Em Mt 23. 27-28, há a descrição correta de quem eram os fariseus:





“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.” 





Fico a imaginar, será que não somos como esses fariseus? Guardamos tantas máscaras e para cada ocasião usamos uma.





Por exemplo, quando vamos a um velório usamos uma a máscara da tristeza. Fazemos um ar de triste. Numa festa fica estampado no nosso rosto que estamos ali para festejar, etc. Quando chega uma visita posso estar me mordendo de raiva, que faço uma cara de cordial. Enfim, acredito que seja isso, além de querer as vezes demonstrarmos aos outros aquilo que não somos. Isso é ser fariseu. É ser um sepulcro caiado!





Sepulcro é onde se sepulta o corpo dos falecidos, a palavra caiados,  tem a derivação de cal, que se trata de um pó branco que diluído em água se torna um espécie de tinta de baixo custo e sem qualidade, é muito utilizada para pintar paredes e muros, funciona como uma maquiagem temporária, dá aparência de novo e esconde temporariamente as imperfeições, mas dentro de pouco tempo a tinta se desintegra e deixa a mostra as marcas existentes.





Penso que Jesus quis dizer com a expressão sepulcros caiados, que é um sepulcro velho que está cheio de ossos e podridão e recebe por fora uma demão de cal, assim por fora tem aparência de novo, mas isso não modifica em nada sua natureza interior que continua sendo desagradável. Os olhos de Jesus chegam aonde os nossos olhos não são capazes de enxergar, Jesus conhece os corações, os pensamentos, a natureza interior. Jesus quis dizer que aqueles homens fingiam ser bons, mas no fundo estavam deteriorados, seus corações estavam apodrecidos pelo orgulho e soberba e maldade.





Vamos agora ver como Nicodemos, que era um fariseu, se comportava:





“Havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és um Mestre vindo de Deus. Ninguém pode fazer esses milagres que fazes, se Deus não estiver com ele.Jesus replicou-lhe: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus. 





Nicodemos perguntou-lhe: Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus”.





No retiro inaciano que fiz no início de abril, foi falado muito sobre saborear a palavra de Deus e realmente precisamos fazê-lo, pois ela é alimento espiritual.





Vejam que no primeiro versículo diz que havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, e que era príncipe dos judeus.





Os fariseus, era um grupo de judeus devotos, que observava os mínimos detalhes da Lei (Antigo Testamento), eram apegados as tradições e aos costumes dos antepassados e manipulavam essas leis para seus interesses.





Então, Nicodemos era um dos que mais se destacava entre eles, era da chefia.





Nicodemos era um homem dividido, pois ao contrário daqueles que lhe eram subalternos, ele acreditava em Jesus, só que não tinha coragem de assumir isso perante a corte. Por isso ia ao encontro de Jesus à noite, às escondidas, para que o povo não soubesse o seu posicionamento.





Ele expressou sua fé em Jesus, dizendo que sabia que ele era um mestre vindo de Deus. E Jesus disse para ele que quem não nascer de novo não poderá ver o reino de Deus.





Jesus não criticou Nicodemos,  não falou que ele estava errado em ir às escondidas vê-lo, não cobrou nenhuma postura de Nicodemos diante dos seus súditos e simplesmente não o fez porque quem ama não cobra. Jesus conhecia Nicodemos.





Quem ama acolhe. Quem ama aceita. Quem ama sabe esperar. Quem ama não pensa nos seus próprios interesses ou em si, porque o amor é paciente, tudo suporta, tudo alcança, tudo crê.





E Jesus tudo suportou mesmo sabendo que os fariseus eram falsos e hipócritas, como ele mesmo os descreveu, mas no caso de Nicodemos, Jesus preferiu ir mostrando a ele, com exemplos, que se pode mudar, ao invés de cobrar.





Adianta, por exemplo, você falar com um alcóolatra para parar de beber, se o organismo dele sente necessidade da bebida? E com o drogado, o que adianta dizer para ele que não deve se drogar, pois é um viciado e só com conselhos de nada adianta.? O que adiantaria Jesus dizer para Nicodemos que ele deveria assumi-lo, largar a posição social, o seu cargo de autoridade e, expor a sua forma de pensar diante daquele povo?





De nada adiantaria, pois Jesus sabia que só o amor é capaz de transformar vidas e o exemplo é capaz de arrastar multidões. E que para Nicodemos largar aquela vida, era necessário ter um encontro pessoal com Jesus. E que não adiantava ninguém falar, era necessário Nicodemos querer mudar e ele quis. E quando a gente quer, quando a gente abre o coração, a gente é capaz de por amor, largar vícios, largar pecados, largar o mundo. Pois o Espírito Santo transforma nossas vidas.





Jesus soube entender Nicodemos, mesmo percebendo que ele estava dividido, entre assumir o seu povo ou assumir o cristinismo, Entre assumir aquela vida de poder e riqueza ou assumir a partilha, assumir a verdade, assumir uma nova postura de ver as coisas. Nicodemos tinha medo desta nova vida, deste novo jeito de viver.





E Jesus vem e diz que só quem nascer de novo poderá ver o REINO DE DEUS.





Fico pensando, que quase todos nós cristãos somos um Nicodemos da vida. Veja bem, somos Nicodemos no nosso trabalho. Somos Nicodemos na nossa família. Somos Nicodemos na própria Igreja. Temos sido Nicodemos no nosso dia a dia, pois temos sido falsos e hipócritas.Somos sepulcros caiados.





Estamos mortos para uma vida espiritual, fingimos até que temos essa vida. Dizemos que amamos. Não temos sido verdadeiros. Amamos, mas não tomamos uma atitude, uma postura de cristãos, ficamos no meio da pinguela e mesmo assim, Jesus tem-nos acolhido.





Como nascer de novo? É preciso nascer da água e do espírito, morrer para o pecado, nascer para uma vida nova em Cristo, é através do novo nascimento ou da regeneração, que Deus concede uma vida espiritual àqueles que resolvem se entregar e confiar em Cristo, para assim, poder entrar Reino de Deus  e discernirmos o que é espiritual, nos separando do apego carnal.





É necessário propor de coração a discernir as coisas espirituais, e para tal nos focar nas coisas de Deus, isso inclui as nossas vontades, pensamentos, emoções, suposições, valores, desejos e propósitos. Isso é estar orientado para as coisas do Espírito e governados por elas. Dessa forma, seremos pessoas nascidas de novo prontas a entrar no Reino de Deus e teremos como nosso Regente o Espírito Santo de Deus.





Nicodemos na sua ingenuidade espiritual, na sua imaturidade espiritual, fez uma pergunta de criança. Mas a gente pode entrar no ventre da mãe e nascer uma segunda vez





Não podemos nascer uma segunda vez de forma humana, mas de forma espiritual podemos nascer uma vez, sim, é como se tivéssemos que nascer de novo, pois  não vou mais pensar no mundo, agir como as pessoas do mundo, viver como as pessoas do mundo. Vou morrer para o pecado e nascer para a vida do espírito.





Nicodemos, pelo acolhimento de Jesus, mudou. Tanto é verdade, que quem pegou o corpo de Jesus, para ser sepultado foi ele. Usou e sua autoridade, de sua influência, para mudar a nossa história e através dele pudemos ter a certeza que Cristo Ressuscitou. Pois se assim ele não tivesse feito, o mestre não teria sido enterrado. E Nicodemos pagou pelas consequências de ter assumido Jesus Cristo.





Portanto, meus irmãos, é essa a mensagem que hoje tirei, que é possível sim nascer de novo e tenho experimentado esse renascimento na minha vida. Sinto que o meu coração é outro, minhas atitudes são outras, minha forma de ver o mundo e as pessoas é outra. O jeito de ler a bíblia é outro. 





Tudo novo dentro de mim. Embora as pessoas não me entendam. E graças a Deus que não. Pois, é bíblico.





Agora, sim, começa o crescimento espiritual na minha vida, pois penso, que assim como nascemos, começamos a engatinhar, a andar, a falar, a estudar, etc, acredito que da mesma forma na vida espiritual.





Sinto que nasci de novo, agora começa a escalada, o caminho para a maturidade espiritual e a liberdade interior.  Com Deus, nosso pai eterno, sei que chegarei lá e quero levar muita gente comigo, quero conquistar corações para Jesus.





Assim, entendo que nascer de novo é morrer para o mundo e viver para Deus e por Deus.





Portanto, somos do entendimento de que assim como Jesus fez com Nicodemos devemos fazer com as pessoas, para que elas deixem de ser sepulcros caiado. 





Augusta Moreira dos Santos

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Deus sempre responde quando o escutamos


Comunidade Católica Shalom




Estou muito feliz de estar aqui e quero contar uma historinha para vocês. Meu pai trabalhou muito aqui no Brasil. Ele vinha para cá, passava um ou dois meses, depois voltava para casa, na França. Ele nos dizia que era um país bonito, grande e sempre nos levava um pequeno presente do Brasil. 





Quando eu tinha mais ou menos sete anos, ele me levou uma camiseta laranja, do Rio de Janeiro, com o desenho do Pão-de-Açúcar. Fiquei tão orgulhosa de receber esse presente que fui para a escola e mostrava a todo mundo minha camiseta do Rio de Janeiro. 





De vez em quando, minha mãe tinha de escondê-la, porque eu queria usá-la sempre. A camiseta acabou ficando pequena demais, mas eu queria continuar a usá-la e puxava para tentar que ela coubesse em mim.





Desde esse presente, eu disse a mim mesma: "Um dia, irei ao Brasil. Quando eu for bem rica, bem grande, casada e com muitos filhos". Um dia, porém, Deus me chamou ao celibato, numa comunidade onde se faz o voto de pobreza. E eu disse "Adeus" ao sonho das viagens ao Brasil. E o que posso dizer hoje é que Deus é fiel. Porque, trinta anos depois, de uma maneira que eu jamais esperaria, Ele me traz aqui. Deus é, realmente, maravilhoso!


O vinho


Quando há desafios e combates, deve-se contar com a oração e o louvor. É precisamente nesse momento que se deve entrar no próprio coração e dizer: "Senhor, é por ti que estou aqui". 





Lembrem-se de Jericó. Havia um combate lá, e o Senhor queria entrar nessa cidade. Então, Ele envia seus soldados e diz-lhes: "Vocês vão dar sete voltas ao redor da cidade, em louvor, proclamando meu nome. No sétimo dia, vou fazer tombarem as muralhas de Jericó e entrarei nessa cidade".





Então, quando você estiver em combate espiritual na sua vida, é certamente esse o momento no qual jamais poderá abandonar a oração e, além disso, não poderá abandonar o louvor. Quando você estiver em combate, repita várias vezes para Deus o seu desejo de vê-lo.





Ontem, aqui, havia uma decoração muito bonita. Havia três jarras. Quando as vi, pensei imediatamente naquela passagem do Evangelho das bodas de Caná. É uma festa de casamento. 





Há uma coisa muito importante na festa: o vinho, que dá alegria ao coração, esquenta, tem sabor, ajuda a dançar. Mas houve uma catástrofe nessa festa em Caná: de repente, percebe-se que não há mais vinho. E é nesse momento, precisamente, que Jesus vai agir.


Essa imagem do casamento é a imagem da nossa vida. 





Nós somos chamados a uma aliança eterna. Cada um de nós é chamado a esse amor de esposa e de esposo. E, na vida de cada um de nós, existem momentos em que não há mais vinho. Nosso casamento perdeu o gosto, tenho dificuldade de amar o outro, tudo ao meu redor se parece desgastado, na minha vida espiritual perdi o gosto, não sinto mais Jesus, e existe o momento quando tudo parece que caiu, foi por água abaixo. É exatamente nesse momento em que precisamos pedir que Jesus venha nos ajudar.





Nossa Senhora não fala muito no Evangelho, talvez por isso seja sempre importante escutar o que ela diz: "Fazei tudo o que Ele vos disser". Tudo o que Jesus disser a você, faça. Exatamente porque os servos obedecem a essa palavra, obedecem a Jesus, podem ter vinho, e um vinho melhor. 





Hoje, na sua vida, Deus quer que haja mais vinho, mais gosto. Hoje, o Senhor quer dar-nos o gosto de viver, de amar, de encontrar os nossos irmãos.


Mas, para fazer o que Jesus nos manda, é preciso antes tê-lo escutado. 





Na África do Sul, em algumas regiões do país há trens, mas não há estações de trem; então, quando as pessoas querem saber se o trem vai passar, colocam o ouvido nos trilhos e sentem a vibração, assim, fazem uma fogueirinha perto do trilho, e essa fogueirinha é o sinal para o maquinista de que ele deve parar. 





Esses que têm o hábito de escutar no trilho sabem muito bem, melhor do que todo mundo, quando o trem vai passar. 





Com Jesus é a mesma coisa, é preciso aprender a escutar e reconhecer que Ele vai passar. Por isso é preciso aprender a ter os ouvidos atentos.





Jesus, hoje, continua a passar como passou nas bodas. Passa aqui no meio de nós e quer entrar em cada coração, quer que você pegue o trem dele, e o seu papel é fazer essa fogueirinha, como um sinal para dizer a Ele: "Estou aqui e quero entrar no teu trem, desejo te acolher logo, desejo que venhas a mim".





Então, não tenha medo de gritar para Jesus, como aquele cego que estava na beira do caminho e gritou: "Tem piedade de mim", ou como Zaqueu, que sobe na árvore e fica tentando ver Jesus de longe; ou como aquele jovem rico que entra apressadamente e ajoelha-se diante de Jesus, ou como aquela mulher que está no meio da multidão e vai agarrar-se à borda do manto de Jesus.





Isso é maravilhoso! Jesus jamais toca uma multidão no Evangelho, toca pessoas, em particular. Isso abre o coração dessas pessoas. O Evangelho conta que nesse dia havia muitas pessoas, e a multidão comprimia Jesus. E lá estava aquela mulher, pequena, tímida, que simplesmente se aproxima e toca o seu manto. Jesus se volta e pergunta: "Mas quem me tocou?" Pedro diz: 





"Presta atenção, Jesus, tu estás cercado de gente. Todo mundo está te tocando". Jesus diz: "Não, uma pessoa me tocou". E começa a se relacionar com essa mulher.





Jesus quer entrar no nosso coração, mas, para que Ele faça isso, é necessário que lhe abramos a porta. Cura d'Ars dizia que estamos como fechados num quarto, e Jesus está fora, com um desejo enorme de entrar, mas o terrível é que você tem a chave da porta, somente você pode abrir a porta do seu coração. O desafio é, verdadeiramente, abrir o coração.





Você pode se aproximar de Deus apenas com um pequeno desejo, como um dedal, ou com um copo bem grande ou com uma grande jarra, mas, se você se aproxima de Deus, Ele vai encher essa jarra, esse copo ou esse dedal.





Fé e confiança


Tenho um amigo africano, ele é protestante, pastor batista, jovem, casado, pai de dois filhos. um dia, saindo do seu trabalho, escutou no coração: "Quero que você seja missionário na França". Ele pensou na sua vida, na sua família, no seu trabalho, e disse: "Olha, Jesus, não é assim tão simples. Depois, o que vou fazer na França, não conheço ninguém lá, e o pior: não falo francês".





Porém, sente que esse apelo de Deus continua e imprime-se nele de uma maneira ainda mais forte. Então fala com sua esposa, e ela concorda em ir. Compram bilhetes somente de ida para a França.





Lourenço chega à França com sua esposa e dois filhos. São acolhidos pela Igreja, mas não dizem uma palavra em francês e não têm como viver. Em dado momento, a Igreja que os acolhia disse: 





"É preciso que vocês consigam uma casa e coloquem as crianças na escola". Foi o que fizeram. Mas, dali a um mês era preciso pagar o aluguel e a escola; no segundo mês, a mesma coisa; no terceiro mês, a mesma coisa. O débito só aumentava.





Ele disse, então: "Senhor, foi mesmo você que me disse para vir à França? Veja todos esse débitos; não compreendo". E começou a duvidar se ouvira, realmente, o chamado de Deus.





Alguns dias depois, escuta bem forte no seu coração: "Lourenço, eu te chamei". E naquele momento encontra a certeza absoluta de que o Senhor o havia chamado. Volta para casa felicíssimo, mas uma "catástrofe" havia acontecido: sua esposa diz que está grávida do terceiro filho. Os gastos, as dívidas vão aumentar. Seria terrível. Eles, então, começam a rezar: 





"Senhor, é necessário que tu nos envies ajuda. Ouvimos tua voz no nosso coração, mas agora queremos evidências". Duas semanas depois, um certo Jonh, da Inglaterra, telefonou para ele, sem conhecê-lo, e disse: "Lourenço, estou com um carro em Genebra e alguém me disse que você precisava de um. O carro é seu".





Lourenço ficou tão feliz que desligou o telefone sem lembrar-se de perguntar, pelo menos, quem era a pessoa. E foi para Genebra. Chega lá numa agência muito bonita e alguém lhe dá chaves de um carro novo. Ele diz: "Não, o senhor deve estar enganado. A chave deve ser de um carro velho". Mas o empregado diz: "Não, o senhor não é o Lourenço? É um carro novo, sete lugares, vidro fumê". E leva-o até o carro, e nesse momento, Lourenço diz: "Ai, meu Deus, não tenho um tostão para botar gasolina no carro". Mas o carro vinha com o tanque cheio.





Lourenço volta para casa como um rei, na sua carruagem. Depois de uma semana, porém, não tinha mais gasolina, e ele não tinha dinheiro. E ele disse: "Senhor, não entendo novamente. Você me dá o carro, mas não tenho dinheiro para colocar gasolina. 





O que você quer me dizer? Talvez Deus queira que eu venda o carro. Mas é um pouco desagradável vender um carro que acabei de ganhar. Vou esperar duas semanas. Depois, ou vendo o carro, ou o Senhor providencia o dinheiro para que eu possa colocar gasolina".





No décimo quarto dia, outra vez o senhor Jonh telefona: "Lourenço, estou realmente arrasado, será que você poderia devolver esse carro? Para não me constranger, vou pagar o valor desse carro que lhe dei". Muitas vezes, é assim que o Senhor age conosco. É preciso esperar a resposta do Senhor. Isso exige que o escutemos verdadeiramente e que confiemos nele até o fim.





Tenho um amigo que diz: "Deus sempre responde com um minuto de atraso". E esse minuto é muito importante, porque é o momento da fé. Lembram-se da travessia do Mar Vermelho? Só depois que o pé do povo pousa na água, o mar se abre. Na nossa vida, muito freqüentemente, acontece a mesma coisa.





Deus é maravilhoso! Ele pode fazer grandes coisas conosco, e necessita somente que tenhamos absoluta confiança nele. Virão os combates e obstáculos, mas Ele abrirá sempre as portas.





A pequena via


Gostaria de falar a vocês sobre Santa Teresinha, aquela que o Papa deu aos jovens como a chama que vai queimar nesse terceiro milênio, como alguém a quem podemos e devemos seguir, porque é muito simples e humilde. É fácil segui-la.


Aos quatro anos, Teresinha perde sua mãe e escolhe Paulina, sua irmã, como sua segunda mamãe. Quando Teresinha tem nove anos, perde sua segunda mamãe: Paulina vai para o Carmelo. Teresa não tem boa saúde, é muito emotiva, chora por tudo. Mas ela tem um desejo. Com seis anos, diz a sua irmã: "Eu quero ser santa. Mas como vou fazer? Sou tão pequena, tão incapaz?" E guarda no coração esse desejo durante vários anos, sem saber como realizá-lo.





Aos quinze anos, entra no noviciado e, certo dia, rezando, compreende como pode tornar-se santa. Escreve para a Madre do Carmelo: "Você sabe, Madre, sempre desejei ser uma santa, mas infelizmente sempre constato, quando me comparo aos santos, que há entre eles e eu a mesma diferença que existe entre uma montanha cujo cume se perde no céu e um pequeno grão de areia. Porém, em vez de me desencorajar, digo a mim mesma: não seria possível que o Senhor me desse um desejo irrealizável. 





Assim, apesar da minha pequenez, posso aspirar à santidade. Crescer é impossível, então devo me suportar do jeito que sou, com todas as minhas imperfeições. Vou procurar a maneira de ir para o céu através de uma pequena via, bem curta, completamente nova... 





Estamos num século cheio de invenções, e hoje em dia não se sobe mais muitos andares de escada; os ricos têm elevadores. Quero também um elevador para me levar até Jesus, porque sou muito pequenina para subir a escada rude e difícil da perfeição".


Nesse momento, Teresinha descobre algo magnífico: ser santa não significa fazer as coisas pela força do braço e tentar tornar-se grande, mas ao contrário, tornar-se pequenina, como uma criancinha nos braços da sua mamãe. E colocar-se nos braços de Jesus que é capaz de nos levantar ao Pai.





Então, não queiram avançar à força do próprio braço, mas sem cessar perguntem: "Senhor, o que tu queres?" e, ao ouvir a voz de Deus, simplesmente se coloquem nas mãos dele para que Ele mesmo eleve vocês a essa santidade.





Teresa percebe que no dia-a-dia não é tão fácil ser santa. E cada um de nós, na nossa vida, nos damos conta do mesmo. Um dia, no coro, a irmã que estava ao seu lado rangia os dentes e a que estava do outro lado, cantava desafinada. 





Imagine que você faz quatro orações da Liturgia das Horas por dia, e a pessoa que está ao seu lado canta desentoada, é uma coisa muito desagradável. Mas Teresinha percebe muito rapidamente que Jesus a chama a amar exatamente aquelas que estão ao lado dela e a desagradam. A ser santa no seu cotidiano. Não fazendo coisas extraordinárias, mas fazendo coisas comuns de maneiras extraordinárias, com amor.


A paz


Nesses dias, temos ouvido muito falar de guerra, e vocês têm a graça de estar num país em que isto não existe, mas que também não está longe. Hoje, 54 países estão em guerra. Talvez olhemos essa situação de longe, mas eu, um dia, estive no coração de uma e compreendi, naquele momento, que ela começava dentro do coração de cada um de nós.





Morei dez anos na África e, nos cinco últimos anos, estive no Congo, um país sempre revolucionado por todas as questões étnicas e sempre há guerra de alguém contra alguém.





Um dia, a guerra tornou-se mais intensa. Estávamos na rua e começamos a ver as milícias correrem em todas as direções, com suas metralhadoras. Os tanques começaram a sair e, em duas horas, a cidade estava completamente silenciosa. Todos haviam voltado para casa. E todos deixavam uma arma ao alcance da mão.





O tiroteio aumentou e, à noite, viam-se as bombas passarem para um lado e para o outro. Essa pequena casa da comunidade onde eu estava ficava bem no meio das duas regiões em guerra. Lá não existe água dentro da casa; é preciso ir a uma torneira pública ou poço; não há geladeira, simplesmente uns leitos e algumas cadeiras e mesas, o teto é muito frágil, os tiros de metralhadora poderiam ultrapassá-lo.





De manhã, eu tinha muita sede, tinha vontade de ir buscar água, mas havia tantos tiroteios que levaria uma hora para caminhar dez metros. Uma bomba atingiu a casa ao lado, que foi pelos ares. Durante uma hora, fiquei sem poder sair e gritava ao Senhor no meu coração: "Senhor, não é possível essa violência!", e pedia um texto que pudesse me confortar, porque estava sozinha. Peguei minha Bíblia e li: "Se alguém matar seu irmão, não entrará no Reino do Céu". 





Em torno de mim, havia muitas pessoas mortas, e a minha oração foi muito forte ao Senhor por todos aqueles que ao redor de mim faziam a guerra. Depois voltei à Palavra, e havia algo escrito que eu nunca tinha prestado atenção: "Se alguém se encoleriza contra seu irmão, não entrará no Reino do Céu; se alguém disser ao seu irmão: imbecil, não entrará no Reino do Céu".


Em torno de mim, havia todo aquele ambiente de guerra, e eu achava que isso dizia respeito aos outros, no entanto, eu estava em cólera, eu poderia tratar o outro como imbecil. Então, na Bíblia, a palavra é a mesma tanto para aqueles que matam o irmão como para aqueles que se encolerizam ou tratam seu irmão como imbecil. 





Nenhum entrará no Reino do Céu. E isso diz respeito a cada um de nós. Essa guerra interior do amor pelo outro.





Fonte:http://www.comshalom.org/formacao/espiritualidade/deus_responde.html

Parusia: Segunda vinda de Cristo






A Igreja tem acompanhado com fé e esperança, ao longo de sua história, a Parusia (Segunda vinda de Cristo) que é proclamada diariamente nas celebrações litúrgicas, logo após o Pai Nosso, quando o celebrante inicia com: “Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz... enquanto vivendo a esperança, aguardamos a vinda do Cristo Salvador”. E ainda durante a Oração Eucarística: “Toda vez que se come deste pão e se bebe deste vinho se recorda a paixão de Jesus Cristo e se fica esperando sua volta!”





No início do cristianismo, esta esperança permaneceu, desde o dia da ascensão, quando o anjo proclamou para os que assistiam: “Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Este Jesus, que vos foi arrebatado para o céu, há de vir do mesmo modo como vistes partir”. (At 1,11).





Sendo assim, toda aquela geração, inclusive Paulo, estava certa de que viveriam este momento único. Os Tessalonicenses recusaram-se a trabalhar e a fazerem projetos futuros esperando a qualquer momento o “fim do mundo”. Paulo em II Ts 2,3 adverte-os alertando que antes do fim deve advir a ‘apostasia’ (perca da fé). O Espírito Santo acompanhou a todos os iluminando para que, enquanto aguardavam o reencontro com o mestre, procurassem viver na fé, buscando a conversão através de obediência aos Seus ensinamentos.





Oravam, vigiavam e anunciavam a Boa Nova, sempre esperando conforme afirma Ap 22,20: “Vem, Senhor Jesus!”. Depois disto, muitos foram os homens que, desconhecendo a Palavra de Deus, foram além, chegando a fixar datas para este acontecimento colocando, na maioria das vezes, o medo, o pavor, evidenciando a grande tribulação, mostrando interesse no aspecto humano e não no espiritual que seria o de preparar cada um, individualmente, evangelizando-os, formando-os para que fortalecidos na fé, enxerguem o essencial que vem depois, por que “Hoje vemos como por um espelho, confusamente; mas então veremos face a face.





Hoje conheço em parte; mas então conhecerei totalmente, como eu sou conhecido”. (I Cor 13,12). Esta preocupação em marcar datas vai contra a palavra de Deus, onde o próprio Jesus diz que: “Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai”. (Mt 24,36).





São Lucas narra em seu Evangelho que haverá sinais precursores que acompanharão o “Dia do Senhor”, como alguns fenômenos naturais, celestes e terrestres. “Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. 





As próprias forças dos céus serão abaladas” (Lc 21,25-26). Em II Tm 3,1-7 “Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade. Dessa gente, afasta-te! Deles fazem parte os que se insinuam jeitosamente pelas casas e enfeitiçam mulherzinhas carregadas de pecados, atormentadas por toda espécie de paixões, sempre a aprender sem nunca chegar ao conhecimento da verdade...”





Será que reconhecemos, no tempo atual, alguma semelhança com estas revelações?





A palavra de Deus nos fala de vários sinais e Jesus afirma que “... o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13,31).


Por tudo isso, precisamos ficar em alerta, orando e vigiando, pois não sabemos quando será o momento, embora o aguardamos para estarmos na Jerusalém Celeste, onde teremos uma vida de comunhão com Deus (Ap 22,4), de descanso (Ap 21,4), de santidade (Ap 21, 27), de gozo (Ap 21,4), então obteremos o pleno conhecimento (I Cor 13,12) na Glória Eterna (II Cor 4,17). Como então não desejarmos este momento no qual alcançaremos o fim a que fomos destinados?





Nesta espera, cabe a nós o esforço para vivermos o chamado maior. Entre a ascensão de Jesus e o último dia situa-se o tempo da Igreja e é nele que nos colocaremos tendo a consciência de que o testemunho não se dá só por palavras. Este também é um grande sinal do segundo Advento, o viver em comunidade na fidelidade a Jesus. Estes tempos finais experimentados pelos cristãos decididos e corajosos, hão de nos conduzir para Deus, através da obediência que nos chama a perseverar “na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2,42) indo sempre em busca do chamado vivido pela igreja primitiva: a pregação do Evangelho em todo o mundo. “E esta uma boa nova do reino será pregada em toda a Terra, em testemunho a todo o mundo. E então virá o fim”. (Mt 24,14)





Queremos a salvação de todos, Ele quer a todos dar o conhecimento do seu Evangelho, embora nem todos o aceitem, quer dar a cada um a possibilidade de ser salvo.





A Igreja, isto é, cada um de nós, procura difundir o Evangelho esperando, com o coração cheio da mais pura alegria, confiante na Palavra do Senhor onde diz: “Eu te conjuro em presença de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, por sua aparição e por seu Reino: prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir. Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas. Tu, porém, sê prudente em tudo, paciente nos sofrimentos, cumpre a missão de pregador do Evangelho, consagra-te ao teu ministério” (II Tm 4,1-5). Essa é a nossa missão, esse é o nosso chamado preparemo-nos para receber o Senhor que vem: “Vem, Senhor Jesus” (Ap 22,20).





Tânia de Fátima E. Mota 


Professora da Escola Bíblica-COT


Fonte:http://www.fimdostempos.net/parusia-2vinda.html