terça-feira, 27 de novembro de 2012

É Certo Usar Tatuagem?









“Nem fareis figura alguma no vosso corpo”
(Lv 19,28)


As tatuagens são muito usadas por jovens ligados à música pesada, crime, violência, drogas, etc. Isto não parece bom. Muitas vezes são pactos , consagrações, que são celebradas até com as forças do mal e das trevas.


Acredito que o problema maior está no fato de as tatuagens “estarem na moda”. Nossa Senhora advertira em Fátima que viriam muitas modas que ofenderiam muito a Deus e "quem segue a Deus não segue as modas, Nosso Senhor é sempre o mesmo".





Lembremos também que a medicina não recomenda o uso de tatuagens, pois, elas são quase irreversíveis e prejudiciais no campo da saúde.





As tatuagens têm sua origem no mundo das magias e do esoterismo. A magia é uma artimanha que pretende forçar poderes superiores ou a própria Divindade a agir segundo a intenção do mago, e só ele, conheceria os meios para tal. É claro que isto ofende a Deus. A magia é uma caricatura da religião, pois coloca o homem (mago, bruxa, feiticeiro, necromante, cartomante, pagé, etc.) acima de Deus, que ele quer controlar com os seus encantamentos.





São Paulo diz-nos:


(I Cor 6,1717) "Pelo contrário, quem se une ao Senhor torna-se com ele um só espírito. Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo."





Fica um conselho: Você ama a Deus? Então não faça tatuagem nem uma, mesmo que seja algo que pareça bom e inofensivo: O nome de alguém querido (namorada, esposa, marido, filhos, Jesus Cristo) ou mesmo imagens religiosas.





Nós Católicos devemos nos levar pela Palavra de Deus e não pela moda.





Edmilson Aparecido


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cura Interior através da Cruz



Cura interior é um processo que possibilita a RENOVAÇÃO DA MENTE (Rm12.2,1).



Não conformar com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.

II. Compreendendo a Cura Interior

• Em 1ªTess. 5.23 diz que Deus nos fez em 3 elementos:



• espírito: Quando nos convertemos o nosso espírito é vivificado pelo Espírito Santo e é curado da culpa do pecado (este é o maior milagre de Deus).onde o Espírito Santo mora

• alma: onde experimentamos os sentimentos,as vontades, os pensamentos e a capacidade de decidir.

• corpo: físico



A cura interior nada mais é que a cura da nossa alma que envolve:



* Sentimentos

* Emoções

* Lembranças desagradáveis



Mediante ao processo da cura interior, através da oração, resolvemos males que assolam a mente com:



Complexo de inferioridade

Autopiedade

Medo

Tristeza

Complexo de inferioridade.



Como saber se tem feridas



Dando crédito à Palavra de Deus



Em Romanos 12.1,2 Paulo usa a palavra irmãos, essas pessoas para quem ele estava escrevendo era para pessoas que já haviam recebido Jesus, eram filhas de Deus (João 1.12). Porém, mesmo sendo filhos, tendo passado pelo processo do novo nascimento, ainda tem pela frente dois outros processos:



* Sacrifício do corpo

* Renovação da mente



Percebendo a dor de lembranças



Se ao lembrar de um assunto ainda sente-se dor, é porque a ferida ainda não cicatrizou. Dor na alma se apresenta em várias formas, e as vezes nós nem percebemos.



Situações que nos ferem emocionalmente



Talvez tenha acontecido muitas situações no período que você estava no ventre de sua mãe, durante sua infância e adolescência, que lhe afetaram diretamente. Nossa alma e nosso coração são totalmente afetados pelo pecado. Talvez você esteja enfermo na alma por que seus pais pecaram, ou porque você pecou.



Rejeição



É um sentimento de que não somos amados, aceitos ou bem-vindos, antes, somos rejeitados e ignorados por aqueles que nos rodeiam. Um sentimento de inferioridade e autopiedade cercam a pessoa. A pessoa rejeitada sempre interpreta mal as atitudes das outras pessoas. Ela sempre tem a sensação que as pessoas à sua volta criam situações para desprezá-la. A pessoa rejeitada, quando ama alguém, é como um aspirador de pó... A pessoa rejeitada diz “sim” quando deveria dizer “não”e vice-versa.

Ela tem medo do que os outros pensarão a respeito dela e acha que as pessoas a amarão menos. A Rejeição é uma das maiores portas de acesso às cadeias, correntes, grilhões e demônios.



A rejeição vem através de várias situações:



• Família desestruturada

• Abandono dos pais

• Morte dos pais

• Gravidez indesejada

• Divórcio dos pais

• Preferência dos pais

• Descaso no matrimônio...



Palavras são sementes que, uma vez semeadas pela nossa família ou autoridade, começam a crescer e a dar frutos quando não conhecemos a Cristo e quando não temos uma consciência restaurada para fechar as brechas. Quantas pessoas recebem palavras como:



- Ah você nunca vai prestar para nada;

- Você é pobre, conforme-se com isto nunca vamos sair dessa;

- Você é um burro nunca vai conseguir nada;

- Você vai virar ma prostituta se continuar assim;

- Seu casamento será uma porcaria igual ao meu;

- Os homens não prestam, nunca confiem neles...

Continua...



Auto-Rejeição



Algumas situações que podem causar:



Deficiência física

Magreza excessiva

Obesidade

Seios muito grande ou muito pequeno

Cravos e espinhas

Doenças constantes

Culpa por erros cometidos...



Por todas essas situações provenientes da rejeição você pode ter se tornado uma pessoa insegura, medrosa, rancorosa, magoada, assustada tímida, inconstante, solitária...Mas Deus nos aqui para mudar o histórico de nossa vida.Aleluia!





Adriel a serviço do Rei!

domingo, 25 de novembro de 2012

Devemos levantar nossos braços e louvar o nosso Deus!









Sim, devemos levantar nossos braços e louvar o nosso Deus! Nossa Senhora diz em suas aparições, que ela louva a Deus, a cada instante no Céu e que os Anjos e Santos nunca se cansam de louvá-lo porque eles sentem o amor dele o tempo todo e se alegram mais e mais.





Nossa mãe, Maria, nos convida a louvá-lo, pois assim sentiremos a alegria do Céu em nossos corações. Ela nos exorta a glorificar a Deus, todos os dias, mesmo se a vida continuar a mesma e não nos acontecer nada, porque assim veremos que não dependemos de coisas materiais para ter a felicidade.





Que nossas manhãs sejam preenchidas pelo louvor e nossas noites pelo agradecimento.





Todos os dias, Deus faz o sol nascer para nós.


Glória a Deus! Ele nos dá o alimento, a água, o ar. Louvado seja Jesus!





Deus cuida de nós durante o dia e vela por nós durante a noite. Bendito seja o Senhor! Pois só a pessoa que reconhece a bondade do Pai é que está perto dele e merece ser socorrida em suas necessidades.





A gratidão sempre atrai mais graças. Por isso, devemos louvar, agradecer, bendizer o pai, que tudo nos dá.





Quando se sente o amor de Deus pela primeira vez é maravilhoso, a gente nunca esquece aquele dia que de certa forma fomos pegos de surpresa. Fomos fisgados pelo pai.





Podemos até dizer que fomos seduzidos pelo amor do nosso Criador.


E aí, encantados com tudo, queremos participar de encontros, sentimos o desejo de participar das celebrações, temos o desejo de ajudar na comunidade.





A fé começa a brotar e a crescer nos nossos corações, surge à sede de Deus.


Temos uma sede tão grande da palavra do Senhor e queremos transmiti-la a todas as pessoas com o nosso testemunho.





O Senhor vai nos atraindo para ele e na verdade, gostamos e muito. Sentimos a paz que o mundo não dá. A alegria que jamais havíamos experimentado antes.





Temos sensações, mudanças, transformações que sequer entendemos e a partir daí descobrimos que ocorreu um pentecostes conosco, a efusão do Espírito de Deus.


E diante de tantas mudanças na vida diária, voltamos para o Senhor.





Assim, entendemos que quem tem um encontro com o Senhor recebe um dom especial, um gosto, diria um desejo ardente de louvar.





Augusta Moreira dos Santos




sábado, 24 de novembro de 2012

De fato, Deus é um só: ele justificará os circuncisos em virtude da fé, e os incircuncisos, mediante a fé.








Amados irmãos, não tenho dúvidas de que precisamos nos informar mais. Há algumas passagens bíblicas que devido ao nosso desconhecimento até mesmo científico, histórico, geográfico e outros mais, não conseguimos entender ao certo o que significa.



O meu gosto pela palavra de Deus é tanto, que agora na menor dúvida que possuo recorro ao dicionário às fontes  seguras, na internet, para assim entender melhor aquilo que Deus quer me falar.

Vamos então aos textos?



De fato, Deus é um só: ele justificará os circuncisos em virtude da fé, e os incircuncisos, mediante a fé.(Romanos 3,30)



Quer dizer que o que importa é a reta intenção. O importante é colocar Deus em primeiro lugar. Seja o que for fazer é para glorificar o Senhor.



É pela fé que transformo a minha vida. Deixo a vida velha.  



Todos os que pecaram sem a Lei perecerão também sem a Lei; e todos os que pecaram sob o regime da Lei serão julgados de acordo com a Lei. (Romanos 2,12)



É muito interessante o versículo acima. As vezes queremos que as pessoas sejam julgadas de acordo com a forma que pensamos, mas Deus tem o critério infalível. Ele conhece cada um, por isso o julgamento será individual, do jeito específico de cada um.  Todos os que pecaram sem a lei morrerão sem a lei. E todos os que pecaram sob a lei serão julgados de acordo com a lei de Deus.



É importantíssimo observar cada palavra do versículo, pois aqueles que pecaram sem a lei, diz o texto que morrerão sem a lei, e os que pecaram sob o regime da lei, não diz o texto que morrerão sob a lei e sim, que serão julgados sob o regime da lei.



Deus é perfeito meus irmãos, como é perfeita a escrita, ela é maravilhosa.



Mas o que é circuncisão?



“Circuncisão, é uma operação cirúrgica[1][2] que consiste na remoção do prepúcio, prega cutânea que recobre a glande do pênis. Essa remoção é praticada há mais de 5 mil anos. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 30% dos homens no mundo são circuncidados (algo em torno de 665 milhões de homens), [3] [4] a maioria por motivos religiosos, uma vez que 68% deles são muçulmanos”.(wikipedia)



“O termo circuncisão deriva da junção de duas palavras latinas, circum e cisióne, e significa literalmente «cortar ao redor». Atualmente, a circuncisão masculina ainda é praticada como ritual religioso e também social por vários povos, como judeus e muçulmanos. No século XIX e em princípios do século XX, no mundo ocidental, a circuncisão médica tinha em muitos casos como motivação principal a prevenção da masturbação, pois o prepúcio é um tecido erógeno. A partir de meados do século XX, a circuncisão tornou-se uma prática médica vulgar, especialmente nos Estados Unidos da América, onde se estima que entre 0,1 e 0,2% dos homens sejam circuncidados.No entanto, a sua frequência reduziu-se progressivamente, pois hoje a prática regular de hábitos de higiene genital, que têm o mesmo efeito da circuncisão, tornou-se cada vez mais comum”.(wikipedia)



Vamos verificar no dicionário informal o que significa o contrário do comentado acima, que é o incircunciso.



Os incircuncisos são:



1) Meninos ou homens de quem não se tirou a pele que envolve a extremidade do pênis (Gn 17.14). V. Circuncisão.



2) Figuradamente, o coração não-responsivo é dito incircunciso (At 7.51), ou seja, não-consagrado ao Senhor. 3) Os gentios eram chamados incircuncisos (Ef 2.11), mas Paulo disse que a verdadeira circuncisão é a [...] do coração (Rm 2.29)



“Verdadeiro judeu é o que se distingue como judeu por seu interior, e † verdadeira circuncisão é a do coração, segundo o espírito e não segundo a letra. Esta é que recebe o louvor, não dos homens, mas de Deus”.(Rm 2.29)



Vou transcrever um texto sobre circuncisão que achei bem esclarecer e inovador, que está postado no repórter de cristo.com vejamos:




"Circuncisão






“A circuncisão, é a marca da eterna aliança, de um verdadeiro pacto, feita por Deus ao seu povo escolhido .Esse pacto foi marca na carne de que Deus sempre estaria com seu povo a protegê-lo e guiá-lo.


O primeiro homem a ter a marca da aliança com Deus foi Abraão o primeiro judeu e o pai dos judaísmo ,foi através de Abraão que todos os seus descendentes obtiveram a marca do pacto com Deus.


‘E vós sereis circuncidados na carne de vosso prepúcio; e será um símbolo da aliança entre Mim e vós.’ (Gênese, 17:11)”


Com base nesta citação, compreende-se bem a expressão judaica Brit Milá.  Brit significa pacto milá significa circuncisão: a junção do então menino de oito dias com o povo judeu em caráter definitivo. A prática do mandamento mais respeitado dentro da comunidade judaica, mobiliza toda a família do recém nascido.





De acordo com o parecer dos principais médicos do mundo, a circuncisão atende aos princípios básicos de higiene. O povo judeu segue nestes os preceitos de higiene, mas o principal foco da cerimônia, encontra-se no elevado sentido religioso da mesma. Um pacto indissolúvel com a virtude, o dever, com o seu próprio Deus. Neste pacto o povo de Israel encontrou o meio infalível de permanecer imortal.


A circuncisão, como todos os preceitos judaicos, é transmitida de geração em geração. Na história antiga do povo judeu, ela ocorria mesmo em tempos de perseguição ou conflitos. Dois exemplos claros são os do rei Antíoco IV e do imperador romano Adriano.  O primeiro implementou a pena de morte para quem praticasse a circuncisão; e o segundo também proibiu esta prática.


Na antiguidade, cabia ao pai a responsabilidade de circuncidar seu filho. Hoje, cabe ao mohel esta tarefa. O mohel é um rabino treinado para este procedimento. Já o sandak é o responsável por segurar a criança enquanto a circuncisão é realizada, que, geralmente, cabe ao avô materno ou paterno.


Para que a circuncisão seja realizada, utiliza-se a maguen. A Maguen, que significa escudo, proteção, em hebraico, é um instrumento utilizado no ritual da circuncisão. Existem relatos do uso da maguen desde o século XV. Sua finalidade é proteger (daí a origem do nome) a glande do recém nascido no ato cirúrgico impedindo que ela seja ferida de algum modo. Várias são as formas e materiais utilizados em sua fabricação. Inicialmente utilizava-se pedaços de ossos e atualmente o material usado é o aço inoxidável .


aparelhos usados


Aparelhos utilizados na circuncisão


Uma expressão litúrgica da tradição judaica que antecede a sua própria constituição de nação, e que resistiu aos diversos domínios estrangeiros, perseguições e devastações como no período do primeiro e segundo templo. Este não foi sempre um momento só de obrigação religiosa, mas de uma reunião familiar e de fé em seu único Deus. Como revela a oração da circuncisão: “Bendito sejas tu Senhor, que hás consagrado teu bem amado desde seu nascimento. Gravando a lei em sua própria carne e imprimindo nos seus descendentes o selo de sua aliança” (Lei de Moisés e as Haftarot).


A circuncisão era feita para mostrar ao povo de Israel que o Senhor sempre estaria com eles,mas quando Nosso Senhor Jesus morreu por nos , o novo povo o novo Israel nasceu com as marcas que Jesus deixou na cruz sem precisar da antiga aliança pois a nova e mais eterna aliança já tinha sido feita pelo filho de Deus".


Portanto, irmãos, somos do entendimento de que ainda precisamos aprender muito, pois nos acomodamos e não buscamos os esclarecimentos necessários para fomentar a nossa fé.


Augusta Moreira dos Santos















sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Padre Lano de Paracatu e Padre Valdeci no Avivamento ocorrido nos dias 17 e 18 de novembro de 2012



Olá,



Estamos fazendo a postagem de algumas fotos do avivamento ocorrido no 17 e 18 de novembro, promovido pela RCC de Vazante, Padre Lano de Paracatu e Padre Valdeci, enriqueceram o mesmo com seus ensinamentos e com o Poder de Deus enviado pelo Espírito Santo.


















Comemorando três anos de vida!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

“Não existe Vida Comunitária se não existir Corações Orantes"


Comunidade Católica Shalom




A Comunidade é um Dom de Deus. Não existe vida comunitária se não existirem corações orantes, se não existirem homens e mulheres de vida de oração. Podemos buscar os subsídios para falar de oração na própria vida de Jesus. 





Jesus continuamente tirava largos tempos da sua vida para estar diante do Pai, para escutar a vontade do Pai, para estar na companhia do Pai. Quando examinamos o Evangelho e, principalmente, o Evangelho de São Lucas, nós vamos ver uma inversão da imagem que geralmente nós temos de Jesus. A imagem que geralmente nós temos de Jesus é como aquele que age, que faz. Porém, no Evangelho de Lucas nós vamos ver que Jesus continuamente está buscando o Pai em oração, e continuamente está mergulhado na oração é que realiza a vontade do Pai, e faz muitas coisas. Jesus ora, e por isso, faz. Ele busca continuamente a vontade do Pai em oração, e por isto põe em prática a vontade do Pai.





Quando fazemos uma leitura atenta do Evangelho, percebemos mais um Jesus contemplativo, um Jesus orante, que justamente porque contemplava e orava realizava a vontade do Pai e fazia muitas coisas, do que um Jesus que fazia muitas coisas e também rezava.





Se nós formos fazer uma leitura atenta do Evangelho, vamos ver que Jesus dava primazia à oração. Grande parte do seu tempo, era dedicado ao encontro com o Pai e, por causa disso, transbordava a sua vida, e que porque orava, fazia muitas coisas e realizava a vontade do Pai no meio dos homens e no mundo. Devemos aprender com Jesus a ser homens e mulheres orantes, e aprender a rezar com Jesus.





No Evangelho de Lucas 3,21-22, temos que: "Ora, ao ser batizado todo o povo. Jesus também ele rezava. Então, o céu se abriu, o Espírito Santo desceu sobre Ele sob uma aparência corporal como uma pomba e uma voz veio do céu: "Tu és o Meu Filho, eu hoje te gerei". Essa passagem abre a vida pública de Jesus, marca o início da sua missão. Jesus vai em busca de João Batista, porque " É necessário que se cumpram as Escrituras".





Quando ouvimos falar do Batismo de Jesus geralmente imaginamos João Batista derramando a água sobre a cabeça de Jesus para em seguida o Espírito Santo vir do céu, como se João Batista atraísse esta manifestação na vida de Jesus. Mas o ato que abre o céu é a oração de Jesus. Por esta razão é que o Espírito Santo vem sobre Ele e a voz do Pai: " Este é meu filho amado, sobre ele, eu coloco toda a minha afeição".





O Espírito Santo só vem sobre nós e a voz do Pai ressoa em nosso coração pela oração. É a oração de Jesus que atrai o Espírito Santo e abre os nossos ouvidos para ouvir a voz do Pai. É o próprio Jesus que nos ensina! Só orando nele, por Ele e com Ele que podemos atrair o Espírito Santo.





Não pode haver vida cristã sem o Espírito Santo, não podemos ser transformados ou conformados a Cristo sem o Espírito. O Espírito Santo não atuará em sua vida se não for por meio da oração, ela nos faz usufruir do poder que existe nos Sacramentos.





Os Sacramentos continuam eficazes por si mesmos, mas não são frutuosos se não usufruímos da graça que nós recebemos. É a oração que nos faz usufruir das graças da abertura do céu. É a oração que faz com que nós sejamos cheios do Espírito Santo. Jesus antes de começar a sua missão, antes de fazer qualquer coisa, orou, suplicou, foi para diante do Pai. Ao orar, o céu se abriu e foi ungido pelo Espírito Santo para realizar a Sua missão. Também nós, não seremos nada, não faremos nada, se isso tudo não for gerado dentro de nós pela oração. Por isso, nossa ação será infrutífera, nossa vida não será transformada e as graças que nós recebemos pelos sacramentos não serão frutuosas em nós se não rogarmos, se não sedimentarmos pela vida de oração, não podemos ser verdadeiramente cristãos.





Nós não seremos ungidos para pregar, para agir, para viver o nosso dia a dia, porque nós não ouviremos e nem faremos a vontade do Pai. Por isso, Jesus nos dá esse grande e primeiro ensino.





Se o céu está fechado na sua vida irmão, é porque você não está orando, não está se colocando de joelhos diariamente diante de Deus, ainda não deixou que Deus fizesse de você um homem ou uma mulher de oração. A oração atrai o Espírito Santo! Se você não se sente cheio e pleno do Espírito, se você não percebe que Ele é o condutor da sua vida, é porque falta a oração. A oração atrai o Espírito Santo, faz com que Ele venha nos envolver e nos conduzir, nos dirigindo e nos fazendo viver a vida no Espírito. Se você não consegue escutar a vontade do Pai para a sua vida, se você não sabe discerni-la, é porque falta a oração. É pela oração que a voz de Deus se manifesta na nossa vida.





Eu convido agora você a fechar os olhos por um momento e silenciar diante da presença de Deus, diante do Espírito Santo que habita no seu coração, pedindo que venha ser a força do Alto que retira você de si mesmo e lhe remete para Deus e para os seus irmãos. Foi para isso que você foi criado: para o outro. Peça ao Espírito Santo que venha sobre você.





Ele é o filho de Deus, e, mesmo assim, precisou orar. Dedicou um largo tempo à oração. Talvez você possa até questionar: “Eu não preciso rezar, pois a minha vida já é uma vida de oração”. Desculpe! Tal atitude pode ser considerada como hipocrisia e mentira. Desculpe, mas essa é a única verdade! A sua vida precisa ser uma vida de oração. Sua vida só pode ser uma vida de oração se você tiver oração dentro da sua vida, senão, ela não será, verdadeiramente, uma vida de oração. Ainda assim, você pode levantar a questão: “Mas eu já sou ocupado demais”. Ninguém é ocupado demais para não dar tempo para Deus.





Madre Teresa de Calcutá e suas irmãzinhas tinham duas horas de oração diária. Além disso, precisavam cuidar de muitos doentes. Tinham milhares e milhares de pessoas moribundas, das mais pobres, além de hospitais enormes onde não havia nenhum funcionário. Elas cuidavam de tudo como voluntárias. Certa vez, chamaram a Madre e disseram: “Madre, o trabalho é muito, não está dando para a gente ter duas horas de oração”. Madre Teresa olhou para elas e disse: “O trabalho está demais. Não vamos rezar só duas horas não, vamos rezar quatro. Porque se não estão dando conta do trabalho, é porque vocês estão rezando pouco. Porque, quando oramos verdadeiramente, a graça de Deus faz multiplicar a nossa ação. Realizamos muito mais, porque realizamos pelo poder de Deus”. A partir daquele tempo, as irmãzinhas não rezaram mais só duas horas, mas rezaram quatro horas por dia e tudo deu tranqüilamente. Elas se tornaram muito mais capazes.





Podemos examinar ainda outra passagem: Lc 4, 1-2.


“Jesus, repleto do Espírito Santo, voltou do Jordão e estava no deserto conduzido pelo Espírito, durante quarenta dias, e era tentado pelo diabo”.





Alguém indo para o deserto ou subindo a montanha, significa alguém que procura a oração. Na Sagrada Escritura, o deserto é um lugar de encontro com Deus, assim como a montanha, indicam locais privilegiados para falar do orante que deseja Deus, são locais de oração.





Para atrairmos o Espírito Santo precisamos de oração. A oração atrai o Espírito Santo e o Ele conduz à oração. O Espírito Santo leva Jesus para o deserto, leva-o para a oração. É incompreensível que alguém possa considerar-se conduzido pelo Espírito se considera desnecessário rezar. O Espírito sempre leva a oração!





Quando estamos repletos do Espírito Santo, Ele nos conduz a oração e, conseqüentemente, a vida de oração. 


Conduzido ao deserto, Jesus é tentado pelo diabo: “(…) Conduzido pelo Espírito, durante quarenta dias, e era tentado pelo Diabo”.





Quando nós nos decidimos pela oração, decidimos por encontrarmo-nos com Deus, e sermos homens e mulheres de oração. No entanto, sempre encontramos no meio do caminho o diabo, porque, ele é aquele que se opõe ao nosso encontro com Deus. Ele inventa e põe questionamentos na nossa cabeça para que nós não nos dediquemos a oração. Santa Teresa D’Ávila, doutora da Igreja, dizia uma coisa muito importante: “O homem e a mulher que vivem de oração já venceram o diabo”.





Se pudesse, subia no mais alto monte do mundo, a mais alta montanha e gritava aos homens: “Orem! Orem!” O inferno inteiro se mobiliza quando ele vê um homem ou uma mulher que se decide a ser um homem ou uma mulher de oração com o intento de demovê-lo dessa decisão, pois o inferno inteiro sabe que aquele que ora já está perdido para ele.








Mas, porque é tão difícil ter uma vida de oração? O mundo inteiro se levanta para que você não seja um homem ou uma mulher de oração. A oração é um combate, como o próprio Jesus conduzido pelo Espírito foi para o deserto e o demônio se colocou lá para combater contra ele. Por isso, a oração é um combate, mas pelo poder do Espírito somos mais do que vencedores. O demônio vai combater nos pontos mais frágeis do homem que deseja rezar, com raciocínios, idéias e justificativas.


O demônio tentou Jesus por meio de Palavras do próprio Deus. Ele utilizou palavras das próprias Escrituras e as deformou. Ele usa a Palavra de Deus, mas não da forma como Deus quer, as usa de uma maneira deformada: “Se tu és o Filho de Deus, ordena que está pedra se transforme em pão. Jesus lhe respondeu: ‘está escrito, não só de pão viverá o homem’”. Na última tentação ele diz: “Se és filho de Deus, joga-te daqui para baixo; pois está escrito: Ele dará a teu respeito ordem a seus anjos de te guardarem, e ainda: eles te carregarão nas mãos para que não contundas o pé em alguma pedra. Jesus lhe respondeu: ‘está escrito: não porás à prova o Senhor teu Deus’”. Desde a primeira tentação, o demônio usa e deforma a própria palavra de Deus e, muitas vezes, é o que vai acontecer na nossa vida.





Nós devemos enfrentar a tentação orando mais intensamente e usando o poder da própria Palavra de Deus aplicada no seu sentido correto, como o próprio Jesus o fez com o maligno. Assim nós venceremos a tentação.





A oração é um caminho de alto conhecimento. Jesus, no deserto, vai mostrar os grandes pecados que afligem a vida do homem: o poder, o possuir e o prazer. A oração vai nos mostrar o que está desconforme na nossa vida e nos dará a força de vencer, por isso, também muitos de nós fugimos da oração.





Quanto mais nós oramos, mais permitimos que a luz de Deus brilhe sobre nós. A luz de Deus, brilhando sobre nós, faz aparecer as nossas manchas; nossas feridas; nossos pecados. Não suportamos, muitas vezes, olhar para esta realidade e preferimos não rezar. Preferimos não orar para não nos conhecermos e, desta forma, para não deixar Deus mexer em nossa vida.





Mas quando deixamos Deus mexer até aonde não queremos que Ele mexa, Ele nos transforma e nos santifica. Sem oração pensamos que está tudo bem, mas, na realidade, está tudo mal.


Santa Teresa, que é mestra na vida de oração, diz assim: “Se você pegar um copo de vidro, chegar num rio e enchê-lo com a água, se este for um lugar que não tenha a luz, ao olhar para água do copo poderá dizer: “Esta água está boa, ela está limpa”. Mas, se você pegar esse mesmo copo e colocá-lo diante da luz do sol, vai perceber que aquela água está cheia de impurezas.





Se Tereza vivesse no nosso tempo, diria: “Se você pegar esta água e colocá-la na luz de um microscópio, vai assustar-se ao ver quantas impurezas tem esta água”. Assim é nossa vida que, longe de oração, é como aquela água: nas trevas parece estar limpa, mas quando bebe vai se gerando vermes que destroem todo o nosso ser. Quando, pela oração, colocamos nossa vida à luz de Deus vamos percebendo as impurezas da nossa vida e assim teremos condições de sermos sadios e felizes. A oração nos leva também por esse caminho, santo e único caminho de auto conhecimento e de transformação pela graça de Deus.





Tomemos dois textos do Evangelho de Lucas que nos ensinam um pouco mais da vida de oração de Jesus:


Lucas 4, 42-44: “Quando clareou o dia, ele saiu e foi para um lugar deserto. As multidões o procuravam; Depois, tendo-o encontrado, queriam retê-lo, para que não se afastasse deles. Mas ele lhes disse: ‘às outras cidades também é preciso eu anuncie a Boa Nova do Reinado de Deus, pois é para isso que eu fui enviado’. E ele pregava nas sinagogas da Judeia”.





Lucas 5, 15-16: “Falava-se de Jesus cada vez mais, e grandes multidões se reuniram para ouvi-lo e para se fazerem curar de suas doenças. E Ele se retirava aos lugares desertos e rezava”.


Essas duas passagens são significativas para nós. Jesus é aquele que ora e, por conseqüência, faz. Jesus não é aquele que não tinha tempo para a oração, mas a oração tinha a primazia em sua vida. A primeira coisa que Jesus fazia era ir para um lugar deserto, depois, Ele realizava sua missão. A segunda passagem mostra o povo afluindo para Jesus e as imensas atividades pastorais que Ele precisava realizar. Sua fama se estendendo por todas as regiões, as graves necessidades do povo doente e necessitado de libertação. Jesus curava e libertava, mas em um determinado momento despedia o povo, afim de retirar-se para orar.





Vemos duas coisas inversas nessas passagens: a primeira é Jesus orando e depois dedicando-se intensamente ao povo. Todos queriam que ele permanecesse mais, porém como ele orava, sabia qual era a vontade do Pai e não se deixava engolfar pelas atividades. Ele não era levado pelas circunstâncias, era levado e conduzido pelo Espírito de Deus. Porque orava, chegava a despedir o povo mesmo no meio de clamores. Não temos desculpas. Mesmo em meio às necessidade pastorais, é necessário reservar à oração uma primazia.





Exatamente por isso, temos motivo para orar. Não deve ser por causa das muitas responsabilidades que a oração deve ficar sem tempo.


Pobres daqueles sobre os quais você tem responsabilidade se não lhe sobra tempo para oração. Pobre dos integrantes das comunidades que tem como pastores-coordenadores, homens ou mulheres, que são tão dedicados a eles, mas não se dedicam a Deus. Não é Deus que está sendo glorificado. O próprio filho de Deus, cuja missão era salvação de toda a humanidade, antes de qualquer coisa orava e chegava a interromper, a despedir multidões para ir em busca do Pai, da presença do Pai.





Tomemos o texto de Lucas 6, 12-13:


“Naqueles dias, Jesus foi a montanha para orar e passou a noite orando a Deus, depois, quando amanheceu, chamou seus discípulos e escolheu doze deles, aos quais deu o nome de apóstolos”.


Devemos notar nesta passagem que a oração de Jesus foi intensa: “passou a noite”. Jesus nada fazia que não tivesse sido antes ruminando pela oração diante do Pai. Tudo o que ele fazia, passava antes pelo coração do Pai. Nós não podemos tomar as nossas decisões pessoais, pastorais e comunitárias sem repassá-las diante de Deus pela oração. Corremos o perigo de realizar a nossa obra, o nosso projeto e o nosso plano, esquecendo que o projeto é de Deus, a obra é de Deus, e porque é de Deus, temos que repassá-la em oração. A nossa vida é de Deus, a obra é de Deus, a comunidade é de Deus, o grupo é de Deus e, por isso, as decisões que nós tomamos, temos que toma-las segundo a sua orientação, ao invés de simplesmente confiarmos na nossa experiência, na nossa capacidade.





Lc 9, 28-33: “Ora, cerca de oito dias depois dessas palavras, Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, o aspecto do seu rosto mudou a sua roupa se tornou de uma brancura fulgurante. E eis que dois homens conversavam com Ele; eram Moisés e Elias; aparecendo na glória, falavam da partida de Jesus que ia se realizar em Jerusalém. Pedro e os seus companheiros estavam acabrunhados de sono; mas, acordando, viram a glória de Jesus e os dois homens que com ele estavam. Ora, como estes se apartassem de Jesus, Pedro lhe disse: ‘Mestre, é bom que estejamos aqui; ergamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés, outra para Elias’. Ele não sabia o que dizia”.





Jesus foi para a montanha orar e, orando, foi transfigurado; a glória de Deus brilhou nele. Temos um grande erro na nossa vida de oração que, muitas vezes, faz desistirmos dela. Buscamos a vida de oração, simplesmente, como um meio para agradar nossas sensibilidades, quando nada sentimos às vezes nos frustramos e, não queremos mais rezar.





Devemos perseverar na oração, sentindo ou não sentindo, gostando ou não gostando, com gozo ou sem gozo, porque ainda que importante, isso não é o mais importante. O mais importante é a visita de Deus, que ocorre no nosso coração e na nossa alma quando oramos. Uma transfiguração invisível ocorre dentro de nós quando rezamos, vamos nos transfigurando em Cristo. Podemos até ter, se Ele quiser, grandes surpresas na sua vida de oração, onde os seus sentimentos também gozam dessa presença de Deus, mas isso não é o mais importante, é importante, mas não o mais. O mais importante é a obra que Deus deseja realizar em nós, com sentimento ou sem sentimento.





Quando rezamos nós somos curados e libertados, a glória de Deus se manifesta em nós. E nunca caiamos na tentação de sair da oração achando que nada aconteceu. Sempre que orarmos, em Espírito e em verdade, sairemos da oração um outro homem, uma outra mulher. Deus terá operado nas nossas vidas.





Lc 10,38-42:


“Estando eles a caminho, Jesus entrou em uma aldeia, e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Tinha ela uma irmã chamada Maria, que, tendo se assentado aos pés do Senhor, escutava a sua Palavra. Marta se afobava num serviço complicado. Ela se aproximou e disse: ‘Senhor, não te importa que a minha irmã me tenha deixado sozinha a fazer todo o serviço? Dize-lhe, pois, que me ajude’. O Senhor lhe respondeu: ‘Marta, Marta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas. Uma só é necessária, foi Maria que escolheu a melhor parte: ela não lhe será tirada’.





Muitas pessoas colocam esse Evangelho como uma oposição entre a contemplação e a ação, não deve ser assim. Jesus critica Marta, mas sua crítica não era porque ela estava preocupada em servi-lo. Marta está agoniada e Maria está aos pés de Jesus. Marta usa a expressão “dize”, está mandando. Ela usa o imperativo: “dize a Maria que venha me ajudar”. Neste ponto, Jesus faz a crítica fundamental a Marta: “Marta, tu te inquietas com muitas coisas, uma só é necessária e Maria escolheu a melhor parte que não lhe será tirada”. A crítica fundamental que Jesus faz a Marta não é porque ela trabalha, é porque dá a primazia ao trabalho. Maria, no entanto, entendeu que essa primazia é da oração.





Jesus mostra nessa passagem a primazia de estar com Deus para tudo fazer por Deus. Nós podemos fazer muitas coisas para Deus, isto é bom e agradável, mas se na nossa vida a primazia não for estar com Deus para depois fazer por ele. Quando nós não damos a nossa presença, o nosso ser, para Deus todo trabalho perde o sentido. Para o discípulo de Jesus a oração é uma primazia, ela vem à frente, e depois, consequentemente, vem o trabalho. É preciso realizar tudo em nome de Jesus, é necessário fazer coisas, se Marta não fizesse o almoço todos passariam fome, mas a primazia é receber o Mestre, é sentar-se aos seus pés e ouvir a sua voz, depois fazer o que ele manda. Esta é a primazia, não é fazer desesperadamente as coisas para ele e por ele sem nem saber o que ele quer.





Lc 11,1: mais uma vez vemos Jesus orando: “Um dia, ele estava num lugar em oração. Quando terminou, um dos discípulos lhe disse: ‘Senhor, ensina-nos a rezar, como João ensinou a seus discípulos’”.





O maior mestre de oração é o próprio Jesus. Quem deseja aprender a orar, deve fazer como os discípulos: voltar-se para Jesus e dizer-lhe: “Senhor, ensina-me a orar”. O mais magnífico, é que isto já é oração. Se dissermos: “eu não rezo porque não sei rezar”, façamos dessas palavras a nossa oração. Fiquemos o tempo que pudermos pedindo: “Senhor, ensina-me a orar”. Ele próprio ensinará a orar os que assim suplicarem. Jesus, pelo seu Espírito, nos ensina a orar. Rezando é que a gente aprende a rezar. Ler toda teologia mística sobre a oração pode até ajudar, mas não é suficiente. Se desejamos aprender a orar, busquemos Jesus e peçamos que Ele nos ensine, é assim que se aprende a orar.





Se encontrar-mos um grupo que não reza, devemos questionar qual a vida de oração de seu coordenador-pastor Porque quando este reza as pessoas se aproximam e pedem que lhes ensine a orar. Pedem porque podem ver Jesus orando nele. O cooedenador-pastor pode dizer para elas: “você quer aprender a rezar, então, diga: Jesus, ensina-me a rezar”.





Aqueles que estão ao seu redor de um homem ou uma mulher de oração, serão também atraídos por Jesus que reza nele ou nela. Verão a beleza da oração de Jesus e se sentirão atraídos, aprendendo a rezar.





Mas qual é o conteúdo da oração de Jesus? O conteúdo da oração de Jesus podemos encontrar em Lc 10, 21-22: “Nessa hora, Jesus exultou sob a ação do Espírito Santo e disse: ‘eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, por teres ocultado isso aos sábios e aos inteligentes e por tê-lo revelado aos pequeninos. Sim, Pai, foi assim que tu dispusestes em tua benevolência. Tudo me foi entregue por meu Pai, e ninguém conhece quem é o Filho a não ser o Pai, nem quem é o Pai a não ser o Filho e aquele a quem o Filho aprouver revelá-lo”.





“Eu te louvo, Pai-Abba, porque sou teu filho e tu revelas isso aos corações que são simples e pequeninos”. Eis o primeiro conteúdo da oração de Jesus. O Espírito faz com que exulte de alegria no Pai. A oração de Jesus é sempre no Espírito. Chama-o Pai porque ele é o Filho, só os corações simples podem descobrir a beleza de ser Filho de Deus. A primeira dimensão do conteúdo da oração de Jesus é a alegria de ser filho de Deus, essa também deve ser a primeira dimensão do conteúdo da nossa oração.





A grande descoberta do Abba, do Deus que é Pai. Abba quer dizer “papaizinho” em hebraico. Somos chamados a exultar de alegria porque Deus é nosso Pai, porque seu amor nos envolveu, porque o seu amor existe em nós, Ele nos criou, nos salvou, nos redimiu por amor. Porque somos filhos, temos confiança no nosso Pai, a nossa vida está em suas mãos. Eu confio nele, porque mesmo passando no vale de trevas, não vou temer, porque Ele é meu Pai. Eu louvo em todas as circunstâncias, em toda situação. Abba, Pai. Eis o primeiro fundamento, a primeira essência da nossa oração. Olhar para Deus, como Pai, e dizer bendito. Só ora um coração pequenino que descobriu a Deus como Pai, essa é a primeira revelação da oração.





O Espírito Santo convence o nosso coração do amor e da paternidade de Deus, por isso nosso coração exulta de alegria e de confiança. Confio em ti, Aba, Meu Pai. A nossa oração se quer ser como a de Jesus, deve está envolvida pelo louvor e por esse amor a Deus Pai. Em todas as circunstâncias contemplamos a beleza infinita do que é ser Filho do Pai. Não estamos abandonados, não precisamos viver na desconfiança nem no medo. A nossa oração não pode nem deve ser desesperada, mas de confiança total e absoluta, de abandono nas mãos do Pai. Oração feliz por Ter Deus como Pai. Essa é a primeira dimensão do conteúdo da oração de Jesus.


Mas há uma outra dimensão na oração de Jesus que está em Lc 22, 42-42: “Pai se quiseres afastar de mim esta taça...No entanto, não se faça a minha vontade, mas a tua! Então apareceu-lhe do céu um anjo que o fortificava”.





A primeira dimensão da oração de Jesus, que vimos acima, é a dimensão de júbilo: “ Eu sou filho, sou amado por ti, fui criado por ti, fui redimido pelo teu poder. Pai, eu sou feliz. Eu confio em ti, tudo tu me deste, sou teu, tudo o que eu tenho é teu, bendito, sou feliz porque sou filho”. A segunda dimensão, que deriva justamente da primeira, é a dimensão de oferta, de entrega de vida, de doar-se inteiramente ao Pai: “ Pai faça-se a tua vontade. Cumpra-se em mim a tua vontade. Faça-se em mim. Pai”.





De acordo com esta dimensão, devemos comprender que não oramos para mudar a vontade de Deus, mas para que Ele nos mude, nos adapte à sua vontade. Às vezes pensamos em rezar para mudar a vontade de Deus a nosso respeito, mas na realidade oramos para que nós mudemos, para que a graça de Deus nos mude e nos adapte à Sua vontade perfeita. Esta é a oração no Espírito, verdadeira fonte de vida e de felicidade: “Porque Deus é tão bom, porque Deus é meu Pai, eu confio tanto nele que a vontade dele é o melhor para minha vida, então, faça-se a tua vontade na minha vida, Pai, mesmo que essa vontade seja um cálice amargo, que tenha aparências de dor, mas por trás dela há amor, há vida, há felicidade. Então, faça-se em mim a tua vontade!





A oração não é para mudar Deus, mas para sermos transformados, para compreendermos a beleza da paternidade de Deus e termos uma confiança absoluta na sua santa vontade, seja ela qual for, mesmo quando ela se apresente como cruz, porque e só por meio dela virá a ressurreição.





Fonte: http://www.comshalom.org/formacao/comunidadesnovas/nao_existe_vida_comunitaria.html

A Pobreza Espiritual



Comunidade Católica Shalom


No evangelho de São Lucas, Jesus diz: "Guardai-vos escrupulosamente de toda avareza, porque a vida de um homem, ainda que ele esteja na abundância, não depende de suas riquezas" (12,13). E logo depois Ele conta a parábola de um homem bastante rico que não tem onde recolher sua plantação. Esse homem, que já tem um celeiro e deseja fazer um celeiro ainda maior - no qual porá todos os seus bens e depois descansará - é chamado por Deus de insensato.


A avareza


Quando começamos a ler essa parábola, encontramos uma palavra muito forte: "escrupulosamente". Jesus aqui está falando de uma idolatria, que se chama avareza. 





E São Paulo vai nos dizer: "Que terrível idolatria é a avareza". Quando Lucas mantém a palavra "escrupulosamente" é porque Jesus está falando de uma coisa muito séria, da qual depende perder ou ganhar a alma, ir para o céu ou para o inferno. 





A idolatria ao dinheiro pode levar o homem ao inferno. E quando falamos em dinheiro, não falamos apenas de dólar, real ou lira, mas daquilo que possuímos, daquilo que temos. E do risco que corremos de entesourar, como esse homem da parábola fez: ele já tinha um celeiro, mas construiu um maior. Ele não pensou em repartir a herança com os pobres. 





Assim somos nós! Eu tenho roupa suficiente, mas se ganho dinheiro, não penso em repartir com os pobres, penso em ter mais roupas, embora eu não precise. Já tenho meu carro, mas se ganho dinheiro, penso em comprar um carro melhor, outro carro; não me passa pela cabeça que aquele dinheiro me foi dado para repartir com os pobres. Porque a idolatria dos bens, do dinheiro, me faz juntar casa a casa, comprar uma casa mais luxuosa, um carro mais luxuoso, uma roupa desnecessária, um móvel desnecessário, uma casa desnecessária.





E o salmo 148 diz: "Quando um homem se torna muito rico, aumenta o luxo de sua casa. Morrendo, ele nada levará consigo e a sua fortuna não descerá com ele aos infernos".





Jesus fala, portanto, de uma questão de salvação. Vejamos o que diz Santa Teresa: "Escutai, vós que desejais possuir riquezas, ter posses: apoiar-se sobre as riquezas é apoiar-se sobre o ferro em brasa". E João Paulo II diz: "Entre as exigências de renúncia que Jesus propõe aos seus discípulos - não é uma opção ou uma escolha, é uma exigência - figura a renúncia aos bens terrenos, e em particular às riquezas". É uma exigência dirigida a todos os cristãos e que se refere ao espírito de pobreza, isto é, o desapego aos bens terrenos, desapego que nos faz ser generosos para reparti-los com os outros.





A avareza, a idolatria dos bens, é oposta ao evangelho. Nós todos deveríamos ter isso na cabeça, porque encontramos muitas desculpas para não nos despojarmos, para não imitar Jesus, para não partilhar os nossos bens.





A pobreza espiritual





São Francisco de Sales diz uma coisa muito interessante: "Quando o fogo do amor está em um coração, todos os móveis voam pela janela". Porque o meu coração se despoja, dá. Você quer saber se o fogo do amor está em seu coração, se você ama a Deus? Abra a janela da sua casa, se os móveis voarem pela janela, é sinal que você ama a Deus; se os móveis continuarem presos ao chão, é sinal que você não ama a Deus.





Quando São Francisco de Sales dizia isso, no século XVI, os móveis eram pesadíssimos, não eram como os nossos hoje que são levíssimos, e até esses ficam pregados.





Muitas vezes eu penso que nós não temos ainda nossa sede própria do Shalom, que nós não trabalhamos ainda com os pobres como deveríamos trabalhar - aliás, não penso, tenho certeza - porque os nossos móveis ainda não voaram pela janela, porque o amor de Deus não é ainda grande no meu coração, a ponto dos meus móveis, carros, carruagens, roupas saírem voando janela afora, eu ainda quero mais. Ainda me apego ao que tenho, e se me derem mais algum dinheiro eu compro mais daquilo que tenho, ou coloco numa poupança que já tenho para garantir meu futuro. E isso garante meu futuro, no inferno.





Outra coisa que João Paulo II ensina: "A pobreza é um compromisso de vida inspirada pela fé e pelo amor a Cristo". Quem inspira a pobreza não são os estatutos, não é o formador ou esse ou aquele santo, não é um pobre que está no meio da rua, não é um livro bonito, é a fé e o amor a Jesus Cristo. O Papa diz mais: "É o Espírito que exige também uma prática. O espírito de pobreza vale para todos e cada um necessita colocá-lo em prática, de acordo com o evangelho". O espírito de pobreza vale para todos!





Quando nos deparamos com a ordem de Jesus: "Guardai-vos escrupulosamente da avareza", ou seja, guardai-vos de ter casa sobre casa, bens sobre bens, celeiros sobre celeiros, às vezes podemos dizer: "Ah, mas eu sou um homem de negócios, tenho de prosperar". O que é, de fato, prosperidade? Qual o espírito capitalista, consumista que te move? Certamente, não é o espírito do evangelho.


O espírito do evangelho não é um espírito capitalista, nem consumista; é um espírito de partilha. Não é também um espírito comunista, nem socialista; é um espírito de partilha, de comunhão de bens. Os bens são divididos e não acumulados ou socializados ou unificados. Partilhados por amor, e não divididos por uma imposição do Estado.





O espírito de partilha do evangelho não é conivente com o capitalismo nem com o socialismo nem com o consumismo nem com o neoliberalismo ou o nome que você quiser dar. O homem nunca encontrou o que está óbvio no evangelho: "A salvação da alma do homem, a salvação da sociedade, a paz da humanidade vem pelo espírito evangélico de partilha". E nós, que somos a comunidade da paz, para promovermos a paz entre os povos, entre as nações, precisamos viver para depois pregar o espírito evangélico de partilha, independente de qualquer sistema econômico.





Precisamos viver independentes do sistema econômico no qual estamos, seja ele qual for. Porque aí poderei ir do Brasil para a África, de Xangai para a Groenlândia, posso ir para Macau ou para Brasília. Onde eu estiver estou livre, seja do comunismo, seja do capitalismo, seja do socialismo, seja do neoliberalismo; sou livre porque vivo a partilha, a comunhão de bens. Vivo a partilha que vem do amor a Jesus.





Cada vez mais precisaremos viver essa pobreza de que fala o Papa, para podermos pregar o evangelho. Se não, seremos como o sepulcro caiado, que por fora é bonito, mas por dentro é cheio de podridão.





O Frei Cantalamessa, baseando-se no pensamento de Santo Agostinho, diz que o espírito de pobreza não se entende quando se tem por base o tempo: "Eu creio que não haja palavra mais urgente para trazer-se presente na vida do que a palavra eternidade". Porque quando digo "eternidade", todos os bens se relativizam. Tudo fica relativo. 





O demônio nos prende a este tempo, a este lugar, a estas pessoas, a estes bens, a estas posses, aqui e agora. Deus nos liberta destes bens, deste mundo, desta vida, destas pessoas para a eternidade. Então, se o meu ponto de vista é a eternidade, minha vida será livre dos bens, não vou ser um idólatra do dinheiro nem das preocupações com os bens, não vou ser um idólatra do ter sempre mais nem deste ou daquele sistema. Vou estar livre, porque quando o meu referencial é a eternidade, tudo se torna ínfimo, tudo se torna muito pequeno.





Você pode se perguntar: "Nestes dias, meu Deus, com o que tenho me preocupado mais: com a eternidade ou com o que vou comer? Com a eternidade ou com o que tenho ganho? Com a eternidade ou com o que tenho que pagar? Com a eternidade ou com o que tenho que vestir?


Santo Agostinho diz: "À luz da eternidade, o rico parece um pobre mendicante, que teve uma noite só um belíssimo sonho; sonha que choveu sobre ele do céu uma grande herança. No sonho, vê-se recoberto de vestes esplendorosas, circundado de peças de ouro e prata, possuidor de campos e vinhas. No seu orgulho, despreza até seu pai, e faz de conta que não o reconhece. Mas eis que pela manhã, este homem levanta-se e se vê com um punhado de moscas nas mãos". O que ele quer dizer? Quando tenho em mira a eternidade, o homem mais rico entre os ricos é como um pobre mendigo, que sonha que ficou rico de repente.





Os celeiros





Em Fortaleza, o Pe. Daniel-Ange falou sobre a pretensão que temos de acumular nos celeiros e que queremos acumular cada vez mais os nossos celeiros, o luxo que queremos aumentar dos móveis que nunca voaram pela janela. O luxo que aumento nos meus carros, o luxo que aumento em minhas roupas, e não partilho com uma criança que está rua. Porque dá trabalho, porque é um viciado, porque hoje dou dinheiro e amanhã e ele volta para a rua. Porque se eu for fazer o serviço bem feito, vou ter de me meter "lá onde Judas perdeu as botas", conhecer a família dele, cuidar da escola dele, isso dá muito trabalho e eu sou muito ocupado!





Na minha Bíblia tem uma parábola que fala que um passa muito apressado porque tem de ir para o Templo, outro passa muito apressado porque vai resolver os seus negócios, e só o samaritano pára e socorre o homem que está no chão. Nós precisamos crescer no amor ao evangelho, na coerência, no chamado à pobreza evangélica, que, como ouvimos João Paulo II dizer, é para todos. É um dever, um compromisso de todos.





Quando Jesus diz: "Guardai-vos escrupulosamente da avareza", Ele está falando de céu ou inferno, de vida eterna ou perdição eterna.





Na mesma passagem de Lucas 12, no versículo 20: "Deus, porém, lhe diz: 'Insensato, nesta mesma noite, ser-te-á reclamada a alma. E as coisas que ajuntaste, de quem serão?' Assim acontece ao homem que entesoura para si mesmo e não é rico para Deus". 





O profeta Isaías fala da pobreza espiritual: "Deus é um refúgio para o fraco, refúgio para o pobre em sua tribulação". Deus não é refúgio para o forte porque o forte não precisa de refúgio. O que pode tudo neste mundo não precisa de refúgio.





Às vezes alguém diz: "Ah, eu tenho cinco apartamentos, doze carros, dez fazendas... mas sou pobre de espírito, porque estou abandonado nas mãos de Deus". Não está! Se você tem cinco apartamentos, doze carros, dez fazendas, não diga que está abandonado nas mãos de Deus, não se iluda! Agora, se você tem isso e reduz ao mínimo que você precisa, e o resto partilha com os pobres, aí você pode seguir Jesus. Se você fica com o que é necessário para viver, e o resto partilha com os pobres, aí você é pobre de espírito.





Se você não restringe o que tem ao necessário para viver, você ainda não será pobre em espírito, porque ainda estará ajuntando bens sobre bens. É preciso coragem de partilhar, coragem de dar, a coragem que vem do amor. É dever nosso, como batizados, viver com o que precisamos, e não ter mais do que precisamos. É dever nosso dar o que não precisamos, partilhar o que não precisamos. Isso é uma graça, a graça da pobreza espiritual, a graça do abandono nas mãos de Deus. Isso é para homens e mulheres convertidos, homens e mulheres de coragem, que vivam o evangelho.





Olha o que diz João Paulo II sobre a pobreza de espírito: "Pobres de espírito são aqueles que, carecendo de bens terrestres, sabem viver com dignidade humana os valores de uma pobreza espiritual rica de Deus. E pobres de espírito são aqueles que, possuindo bens materiais, vivem o desprendimento interior e a partilha de bens com os que sofrem necessidades". 





São Francisco vai mais a fundo: "Muitos há que são devotos na oração, são fortes no culto divino, praticam muito a abstinência, a mortificação corporal, mas por causa de uma única palavra que lhes possa ferir o próprio eu, ou por causa de algum bem que se lhes tire, logo se mostram escandalizados e ficam perturbados. Estes não são pobres de espírito, não odeiam a si mesmos e não amam os que lhe batem na face, segundo o evangelho".





Esse tema da pobreza, para quem é cristão, é sinônimo de muita reflexão, de muita oração, de muita conversão. E o prêmio é a liberdade. A liberdade para evangelizar. Quem não é pobre de espírito, quem ainda é avaro, não tem como pregar o evangelho. É preciso que sejamos livres dos bens da terra a ponto de partilhá-los, e só depois de partilhá-los seremos livres para evangelizar.





Fonte:http://www.comshalom.org/formacao/espiritualidade/pobreza_espiritual.html









Sois semelhantes aos sepulcros caiados








Em Mt 23. 27-28, há a descrição correta de quem eram os fariseus:





“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.” 





Fico a imaginar, será que não somos como esses fariseus? Guardamos tantas máscaras e para cada ocasião usamos uma.





Por exemplo, quando vamos a um velório usamos uma a máscara da tristeza. Fazemos um ar de triste. Numa festa fica estampado no nosso rosto que estamos ali para festejar, etc. Quando chega uma visita posso estar me mordendo de raiva, que faço uma cara de cordial. Enfim, acredito que seja isso, além de querer as vezes demonstrarmos aos outros aquilo que não somos. Isso é ser fariseu. É ser um sepulcro caiado!





Sepulcro é onde se sepulta o corpo dos falecidos, a palavra caiados,  tem a derivação de cal, que se trata de um pó branco que diluído em água se torna um espécie de tinta de baixo custo e sem qualidade, é muito utilizada para pintar paredes e muros, funciona como uma maquiagem temporária, dá aparência de novo e esconde temporariamente as imperfeições, mas dentro de pouco tempo a tinta se desintegra e deixa a mostra as marcas existentes.





Penso que Jesus quis dizer com a expressão sepulcros caiados, que é um sepulcro velho que está cheio de ossos e podridão e recebe por fora uma demão de cal, assim por fora tem aparência de novo, mas isso não modifica em nada sua natureza interior que continua sendo desagradável. Os olhos de Jesus chegam aonde os nossos olhos não são capazes de enxergar, Jesus conhece os corações, os pensamentos, a natureza interior. Jesus quis dizer que aqueles homens fingiam ser bons, mas no fundo estavam deteriorados, seus corações estavam apodrecidos pelo orgulho e soberba e maldade.





Vamos agora ver como Nicodemos, que era um fariseu, se comportava:





“Havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter com Jesus, de noite, e disse-lhe: Rabi, sabemos que és um Mestre vindo de Deus. Ninguém pode fazer esses milagres que fazes, se Deus não estiver com ele.Jesus replicou-lhe: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus. 





Nicodemos perguntou-lhe: Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus”.





No retiro inaciano que fiz no início de abril, foi falado muito sobre saborear a palavra de Deus e realmente precisamos fazê-lo, pois ela é alimento espiritual.





Vejam que no primeiro versículo diz que havia um homem entre os fariseus, chamado Nicodemos, e que era príncipe dos judeus.





Os fariseus, era um grupo de judeus devotos, que observava os mínimos detalhes da Lei (Antigo Testamento), eram apegados as tradições e aos costumes dos antepassados e manipulavam essas leis para seus interesses.





Então, Nicodemos era um dos que mais se destacava entre eles, era da chefia.





Nicodemos era um homem dividido, pois ao contrário daqueles que lhe eram subalternos, ele acreditava em Jesus, só que não tinha coragem de assumir isso perante a corte. Por isso ia ao encontro de Jesus à noite, às escondidas, para que o povo não soubesse o seu posicionamento.





Ele expressou sua fé em Jesus, dizendo que sabia que ele era um mestre vindo de Deus. E Jesus disse para ele que quem não nascer de novo não poderá ver o reino de Deus.





Jesus não criticou Nicodemos,  não falou que ele estava errado em ir às escondidas vê-lo, não cobrou nenhuma postura de Nicodemos diante dos seus súditos e simplesmente não o fez porque quem ama não cobra. Jesus conhecia Nicodemos.





Quem ama acolhe. Quem ama aceita. Quem ama sabe esperar. Quem ama não pensa nos seus próprios interesses ou em si, porque o amor é paciente, tudo suporta, tudo alcança, tudo crê.





E Jesus tudo suportou mesmo sabendo que os fariseus eram falsos e hipócritas, como ele mesmo os descreveu, mas no caso de Nicodemos, Jesus preferiu ir mostrando a ele, com exemplos, que se pode mudar, ao invés de cobrar.





Adianta, por exemplo, você falar com um alcóolatra para parar de beber, se o organismo dele sente necessidade da bebida? E com o drogado, o que adianta dizer para ele que não deve se drogar, pois é um viciado e só com conselhos de nada adianta.? O que adiantaria Jesus dizer para Nicodemos que ele deveria assumi-lo, largar a posição social, o seu cargo de autoridade e, expor a sua forma de pensar diante daquele povo?





De nada adiantaria, pois Jesus sabia que só o amor é capaz de transformar vidas e o exemplo é capaz de arrastar multidões. E que para Nicodemos largar aquela vida, era necessário ter um encontro pessoal com Jesus. E que não adiantava ninguém falar, era necessário Nicodemos querer mudar e ele quis. E quando a gente quer, quando a gente abre o coração, a gente é capaz de por amor, largar vícios, largar pecados, largar o mundo. Pois o Espírito Santo transforma nossas vidas.





Jesus soube entender Nicodemos, mesmo percebendo que ele estava dividido, entre assumir o seu povo ou assumir o cristinismo, Entre assumir aquela vida de poder e riqueza ou assumir a partilha, assumir a verdade, assumir uma nova postura de ver as coisas. Nicodemos tinha medo desta nova vida, deste novo jeito de viver.





E Jesus vem e diz que só quem nascer de novo poderá ver o REINO DE DEUS.





Fico pensando, que quase todos nós cristãos somos um Nicodemos da vida. Veja bem, somos Nicodemos no nosso trabalho. Somos Nicodemos na nossa família. Somos Nicodemos na própria Igreja. Temos sido Nicodemos no nosso dia a dia, pois temos sido falsos e hipócritas.Somos sepulcros caiados.





Estamos mortos para uma vida espiritual, fingimos até que temos essa vida. Dizemos que amamos. Não temos sido verdadeiros. Amamos, mas não tomamos uma atitude, uma postura de cristãos, ficamos no meio da pinguela e mesmo assim, Jesus tem-nos acolhido.





Como nascer de novo? É preciso nascer da água e do espírito, morrer para o pecado, nascer para uma vida nova em Cristo, é através do novo nascimento ou da regeneração, que Deus concede uma vida espiritual àqueles que resolvem se entregar e confiar em Cristo, para assim, poder entrar Reino de Deus  e discernirmos o que é espiritual, nos separando do apego carnal.





É necessário propor de coração a discernir as coisas espirituais, e para tal nos focar nas coisas de Deus, isso inclui as nossas vontades, pensamentos, emoções, suposições, valores, desejos e propósitos. Isso é estar orientado para as coisas do Espírito e governados por elas. Dessa forma, seremos pessoas nascidas de novo prontas a entrar no Reino de Deus e teremos como nosso Regente o Espírito Santo de Deus.





Nicodemos na sua ingenuidade espiritual, na sua imaturidade espiritual, fez uma pergunta de criança. Mas a gente pode entrar no ventre da mãe e nascer uma segunda vez





Não podemos nascer uma segunda vez de forma humana, mas de forma espiritual podemos nascer uma vez, sim, é como se tivéssemos que nascer de novo, pois  não vou mais pensar no mundo, agir como as pessoas do mundo, viver como as pessoas do mundo. Vou morrer para o pecado e nascer para a vida do espírito.





Nicodemos, pelo acolhimento de Jesus, mudou. Tanto é verdade, que quem pegou o corpo de Jesus, para ser sepultado foi ele. Usou e sua autoridade, de sua influência, para mudar a nossa história e através dele pudemos ter a certeza que Cristo Ressuscitou. Pois se assim ele não tivesse feito, o mestre não teria sido enterrado. E Nicodemos pagou pelas consequências de ter assumido Jesus Cristo.





Portanto, meus irmãos, é essa a mensagem que hoje tirei, que é possível sim nascer de novo e tenho experimentado esse renascimento na minha vida. Sinto que o meu coração é outro, minhas atitudes são outras, minha forma de ver o mundo e as pessoas é outra. O jeito de ler a bíblia é outro. 





Tudo novo dentro de mim. Embora as pessoas não me entendam. E graças a Deus que não. Pois, é bíblico.





Agora, sim, começa o crescimento espiritual na minha vida, pois penso, que assim como nascemos, começamos a engatinhar, a andar, a falar, a estudar, etc, acredito que da mesma forma na vida espiritual.





Sinto que nasci de novo, agora começa a escalada, o caminho para a maturidade espiritual e a liberdade interior.  Com Deus, nosso pai eterno, sei que chegarei lá e quero levar muita gente comigo, quero conquistar corações para Jesus.





Assim, entendo que nascer de novo é morrer para o mundo e viver para Deus e por Deus.





Portanto, somos do entendimento de que assim como Jesus fez com Nicodemos devemos fazer com as pessoas, para que elas deixem de ser sepulcros caiado. 





Augusta Moreira dos Santos